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quinta-feira, 8 de maio de 2014

HAMARTIOLOGIA - F T P F M

Teologia Sistemática III
Professor: Charles Maciel Vieira, Pr.

Hamartiologia


 Definição de Pecado
    A palavra pecado, do vocábulo grego Hamartia, significa errar o alvo (Tg 4.17; Rm 3.23). O pecado não é uma deformação psicológica, mas sim um ato voluntário de rebeldia e desobediência do homem contra o seu Criador. O pecado consumado provocou a separação do homem do seu Criador (Rm 3:23); a perda da sua imagem original moral (Tg 3:9); a morte eterna (Rm 5:12). Podemos ainda definir o pecado como:

   Desobediência - Tg 1.3,13-15; Hb 2.2
   Transgressão - Tg 1.15; 1Jo 3.4

     A desobediência, na maioria das vezes, está latente, escondida no coração. A transgressão sempre está patente e exposta. Isto significa que toda a ação contra Deus, seja escondida ou revelada, é pecado. 
Universalidade do Pecado

    Romanos 5.12 nos diz: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” O pecado como uma enfermidade hereditária, passou de Adão a todos aqueles que nasceram após ele, com a única excepção de Jesus, que foi gerado pelo Espírito de Deus (Mt 1.20). A este pecado universal, foi dado uma condenação universal (Rm 6.23), mas a esta condenação um perdão universal. “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Rm 5.18-19). A universalidade do pecado é manifestada em duas formas distintas:

  O pecado congênito - Mortal (nascido com o homem): Sl 51.5; 139.15-16; Hb 6.4-6
  O pecado ativo - Venial (praticado pelo homem): 1Jo 1.9; 2.1; Ez 18.4 

Teologia da Queda
   A salvação é uma dádiva da Divindade, pois todos pecaram à forma de Adão, e destituíram-se da sua graça. O plano salvífico nada mais é do que Deus abrindo uma porta para os que quiserem evitar a condenação eterna possam livremente e gratuita-mente abraçá-lo. 

   Fundamentalmente o que determina o homem ir para o céu é ter sua vida perdoada, mantida no altar e com azeite em sua lâmpada (Mateus 25.1-13). Segundo a Parábola de Jesus, as virgens que ficaram não tinham azeite — vida espiritual. Não tinham azeite porque estavam caídas da graça de Deus.

  Desvio - Afastar-se de um ponto, de um alvo (Filho pródigo): Lc 15.11-32
  Queda - Cair de uma posição original, desistir, apostatar (Judas Iscariotes): Lc 22.1-6 

   A Bíblia nos diz que o ser humano caiu em Adão (Rm 5.12; Rm 3.23; 1Co 10.12). Esta é a Primeira Queda. Todos que nasceram depois de Adão, nasceram já caídos (Rm 6.23; Rm 11.32; 1Co 15.45). Para  a primeira queda do homem - em Adão, só existe uma Restauração - em Cristo! A este feito, a Bíblia o denomina de novo nascimento, regeneração (Jo 1.13; 2Co 5.17).

Teologia do Perdão
Já observamos a definição do pecado. Para melhor compreendermos a Teologia da Queda, devemos lembrar os três pontos doutrinários quanto ao Pecado:

  Pecado Original: Pecado que nasceu no coração de Adão, implantado pela tentação de Satanás (Hb 11.13; 1Pe 4.6). A primeira reação do pecado inoculado é que Adão e Eva viram que estavam nus (Gn 3.10).

  Pecado Congênito: Pecado que passou a todos aqueles que nasceram depois de Adão. Todo o ser humano nasce com seu espírito morto, debaixo da condenação do pecado (Sl 51.5; Rm 11.32). Quando o homem aceita a Cristo como Salvador, Deus perdoa o seu pecado, erradicando-o completamente através da propiciação efetuada pelo sangue de Cristo, e o homem se torna uma nova criatura (Jo 3.3). Este ato divino na vida do homem é chamado de regeneração (Tt 3.5).

  Pecado Venial: Depois de perdoado pelo sangue do sacrifício de Cristo e regenerado, o homem se tornar a pecar, pela sua própria concupiscência ou por uma tentação, pode ter o seu pecado perdoado. Jesus nos assegura o perdão, por meio de sua intercessão ao Pai, quando lhe pedimos perdão (1Jo 2.1). A Bíblia é clara quando nos diz: Filhinhos, não pequeis, mas se pecardes, tendes um advogado para com o Pai!

Pecado contra o Espírito Santo 
 Rejeição completa à voz, à ação e à advertência do Espírito Santo (Mc 3.29; Hb 10.8). Este é chamado o pecado para a morte, a qual o Apóstolo João dizia: A este digo que não ore (1Jo 5.16; Hb 10:29; Mc 3:29).

Fonte: http://www.sepoangol.org/

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER - CAPÍTULO 6: DA QUEDA DO HOMEM, DO PECADO E DO SEU CASTIGO


1. Nossos primeiros pais seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, pecaram ao comerem o fruto proibido. Segundo o seu sábio e santo conselho, foi Deus servido permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória.

2. Por este pecado eles decaíram de sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as faculdades e partes do corpo e da alma.

3. Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito de seus pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por geração comum.

4. Desta corrupção original, pela qual ficamos totalmente indispostos, incapazes e adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, é que procedem todas as transgressões atuais.

5. Esta corrupção da natureza persiste, durante esta vida, naqueles que são regenerados; e embora seja ela perdoada e mortificada por Cristo, todavia ela como os seus impulsos são real e propriamente pecado.

6. Todo pecado, tanto original como atual, sendo transgressão da justa lei de Deus e a ela contrário, torna culpado o pecador, em sua própria natureza, e por essa culpa está sujeito à ira de Deus e à maldição da lei, e, portanto, sujeito à morte, com todas as misérias espirituais, temporais e eternas.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O PECADO E SUAS CONSEQÜÊNCIAS – Romanos 3:23


Existe uma fronteira, uma barreira entre o homem e Deus: o nosso pecado (Isaías 59:2).O

Essa barreira só é removida pela obra da cruz (Gálatas 3.13).

Ao criar o homem, Deus buscou nele um amigo, um filho, um herdeiro. Este homem pecou e distanciou-se de Deus.

Vamos entender os propósitos eternos de Deus e o Seu desejo de que este homem tenha um encontro com Ele (1 Timóteo 2:4)


PRINCÍPIOS ESPIRITUAIS

1)      Existem princípios que governam o mundo físico.
      Assim como existem leis físicas que governam o universo, existem leis espirituais que governam  
      seu relacionamento com Deus.

Todo pecador precisa se arrepender (Atos 3.19). Não há exceção, todos pecaram e o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23).

2)      Como entrou o pecado no mundo?
      Através da quebra dos princípios divinos, entrou o pecado no mundo, pela renúncia ao governo de
      Deus (Romanos 3:23) e este pecado se chama REBELIÃO.
           
3)      Existem legalidades para entrada do pecado.
Pelo primeiro Adão, entrou o pecado no mundo; pelo último Adão (JESUS), A REDENÇÃO.
     
      Com o pecado, o homem ficou sem comunhão com Deus.
      Conseqüêntemente, todo homem em pecado está condenado.

       
      MAS DEUS QUER HOMENS SANTOS (1 Pedro 1:14-16)
  
E somos pecadores. Se negarmos isto, vamos atrair maldição.
Só JESUS nos liberta do pecado.

Devo reconhecer que sou pecador e como tal, confessar os pecados (1 João 1:10; Romanos 3:23)

Por que sou pecador?
Por causa do 1º. Adão (Romanos 5:12) - Todos nós fomos feitos pecadores por causa de Adão.

O último Adão – JESUS (1 Coríntios 15:45) - O que parecia injustiça (um único ato de Adão nos trazer a morte) reverte-se na maior misericórdia quando o JUIZ MAIOR se satisfaz com, também, um ato de um só homem, JESUS, para dar opção de vida a todos.

O 1º. Adão influencia toda a humanidade, transformando todos em Pecadores.
O último Adão – JESUS, influencia a todos, sendo transformados em JUSTOS.

REDENÇÃO 

O que JESUS fez por mim diante do diabo?
Com esta redenção (ou resgate), JESUS cancelou todo argumento do diabo contra nós.

(Romanos 8:1)    (Colossenses 2:14,15)    (1 Coríntios 6:20)   (Colossenses 1:13,14)
O que JESUS fez por mim diante de DEUS?
O Seu sangue me purifica de todo pecado. Posso entrar na presença de Deus, pois fui lavado das minhas imundícias, das minhas iniqüidades.

Porque os pecadores não prevalecerão na congregação dos justos (Salmos 1:5b)

SANTIFICAÇÃO - O que JESUS espera de mim 
(1 Pedro 1:13-16) (Hebreus 12:14) (Apocalipse 22:11)

Quem é Santo ainda peca. Mas o pecado na nossa vida deve ser acidente e não hábito.

“Digo, porém, andai em espírito e não haveis de cumprir a cobiça da carne” (Gálatas 5:16)
        (1 Pedro 1:23) (Romanos 12:1,2)


ACUSAÇÃO - O que o diabo sempre fará.
(Apocalipse 12:10,11) Satanás nos acusa diariamente.

A nossa vitória está em O Sangue de JESUS. (1 João 1:7-9)

Sangue de JESUS = Elemento purificador (Romanos 8:1)
O estar em Cristo me isenta da culpa ( Miquéias 7:19)


 SOMOS SANTOS E FILHOS DE DEUS (1 João 3:1-10)
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Pesquisa: Pastor Charles Maciel Vieira

sábado, 2 de fevereiro de 2013

R. C. Sproul - O que significa "Simul Justus et Peccator"?

R.C. Sproul, neste vídeo de 5 min., ensina a essência da visão da Reforma sobre justificação ao explicar a frase em latim cunhada por Martinho Lutero: "Simul Justus et Peccator."

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Estudo revela que comer demais é a maior tentação enfrentada por evangélicos

--> Um estudo realizado a partir de uma pesquisa com 1.021 pessoas mostrou que uma das maiores tentações para cristãos protestantes é comer bastante.
A pesquisa identificou que, entre os cristãos protestantes norte-americanos, 66% se preocupam com o fato de comerem bastante, contra 44% dos católicos e 55% do público em geral.
Entre as questões alegadas pelo público protestante para comer demais, a que se sobressaiu foi ansiedade/preocupação (58%).
O levantamento abordou ainda outras questões comportamentais dos adultos que participaram do estudo: 57% dos protestantes revelaram uma luta diária contra a procrastinação (hábito de deixar tarefas para depois); 42% admitem que se sentem tentados a gastarem muito tempo na mídia, seja TV, Internet ou outro meio; e 40% revelaram-se preocupados com a preguiça, por “não trabalharem tão duro como deveriam”.
Em aspectos financeiros, os dados do público em geral foram semelhantes para todos os grupos. Pouco mais de 33% dos entrevistados afirmaram sentirem-se tentados a gastarem mais do que deveriam.
Os protestantes, porém, apresentaram dados abaixo do público em geral em questões que envolveriam a moral: 26% de todos os adultos afirmaram que se sentem tentados a fofocar. Entre os protestantes esse número ficou em 22%; Sentir ciúmes é comum entre 24% dos entrevistados, mas quando o dado é analisado por grupo religioso, os protestantes ciumentos foram 20%; Acessar material pornográfico, online ou impresso, foi admitido por 18% dos participantes. Entre os protestantes, o número cai para 14%; Mentir é hábito que 12% das pessoas admitiu ter. Os resultados foram iguais para ambos os grupos; e 11% do público em geral revelou embriagar-se com frequência, contra 3% dos protestantes.
A pesquisa, coordenada pelo Barna Group, abordou também a questão sexual. Para 5% dos protestantes que participaram do estudo, fazer sexo inapropriado é uma tentação com que lidam frequentemente. A taxa registrada entre o público em geral ficou em 11%.
A idolatria foi uma questão ausente na pesquisa, e o escritor Kyle Idleman diz que ela pode revelar muito a respeito do comportamento das pessoas.
“Realmente é um pecado que vem através de todos esses outros pecados. Todos os nossos pecados ‘favoritos’ têm uma maneira de revelar o nosso ‘deus favorito’. Em última análise, cada vez que cedemos em uma daquelas tentações, estamos escolhendo um falso deus. Idolatria é um pecado listado na Bíblia e que não mudou. Mas agora, em vez de curvar-se às estátuas esculpidas e imagens de ouro, nós fazemos a nossa reverência através de cartões de crédito, hábitos, calendários. Nossos templos se tornaram sites, restaurantes, esportes e  estádios”, disse ao Christian Post.
O método de resistência às tentações mais comum revelado pelos participantes foi a oração (18%), contra a razão (12%) e distanciamento (10%). As consequências são a coisa mais levada em conta por 7% dos entrevistados, e 3% afirmaram resistir aos desejos lendo a Bíblia.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+




sexta-feira, 29 de junho de 2012

O PECADO - INFANTIL



2. O pecado
“Deus perguntou: Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer?” (Gênesis 3.11, NVI).
Mas o Diabo, por meio da serpente, tentou Eva. Então ela e Adão desobedeceram a Deus. Desobediência é pecado. Por isso, eles foram expulsos do Paraíso e ficaram longe de Deus.


Fonte: http://qualqueroutro.wordpress.com

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O PECADO DA OMISSÃO

O Pecado da Omissão

 

... A fuga, ou a cegueira hipócrita e passageira, é o pior dos caminhos, certamente trará consequências futuras. Um dia será requerido (por Deus, creiamos ou não) de todos nós a observância da justiça que deveríamos ter feito em nossas vidas. Um sentimento terrível de dor nas entranhas, faz...

No trabalho, em casa ou em qualquer lugar, o homem não deve omitir-se quando é testemunha de alguma coisa que fere a honra, dignidade ou direitos de seus semelhantes. Muitos não creem na Bíblia, é um direito de cada um, mas eu creio firmemente que Deus, Pai do Senhor Jesus Cristo, inspirou este Livro Maravilhoso. Veja o que disse o ex-presidente dos EUA, Abraham Lincoln:
“O maior presente que Deus deu ao homem foi a Bíblia e a pureza das suas palavras”

Depois das palavras deste notável cidadão, convido você a ler o que está escrito na Bíblia sobre a omissão:

“Se alguém pecar porque, tendo sido testemunha de algo que viu ou soube, não o declarou, sofrerá as consequências da sua iniquidade.” (Levítico 5:1)

No texto da Palavra de Deus “...não o declarou...” significa omitir-se e “iniquidade” significa injustiça. Partindo deste princípio: quantas vezes somos testemunhas de injustiças contra nossos colegas de trabalho, de faculdade, de academia etc, que são perseguidos de forma injusta pelos chefes e professores, e nós ficamos calados, com receio de sermos prejudicados? Com certeza as injustiças campeiam no mundo, mas qual deve ser a nossa atitude? Certamente, devemos pedir a Deus Sabedoria para agir de uma forma correta, e ter a coragem necessária para agir, prontamente, e, pelo menos, tentar corrigir as injustiças cometidas.

A fuga, ou a cegueira hipócrita e passageira, é o pior dos caminhos, certamente trará consequências futuras. Um dia será requerido (por Deus, creiamos ou não) de todos nós a observância da justiça que deveríamos ter feito em nossas vidas. Um sentimento terrível de dor nas entranhas, faz surgir a necessidade de um grito de liberdade do nosso espírito.

"Saborear" uma promoção quando esta foi fruto de uma barganha política ou até sexual, fere a dignidade profissional e humana. Pense nos profissionais competentes que foram prejudicados por injustiças cometidas por chefias doentias. Um dia a Justiça de Deus será executada, mesmo para os que não creem na sua existência. Para o injustiçado há o consolo da esperança que: Deus tudo Vê!

Nas empresas, por exemplo, quantas vezes vimos o comportamento insano de alguns colegas que, deliberadamente, dão prejuízos à organização cometendo atos que ferem a integridade material e até moral da empresa? Alguns se acham até charmosos ao cometerem “pequenos e inofensivos” atos que vão minando a estrutura de bem-estar do grupo.

Vamos lá! Levante-se! Não seja omisso, reclame, em primeiro lugar ao autor da "obra", depois, se não der resultado, repreenda-o junto ao seu grupo. Se mesmo assim não der resultado, leve, junto com testemunhas, o problema à direção da empresa, para que o grupo não seja prejudicado por ter se omitido.

Pode parecer loucura de minha parte, aconselhar isto, mas é melhor agir desta forma do que ter que amargar com os prejuízos pelos atos de um irresponsável.

Como exemplo, para ilustrar o artigo, cito experiências vividas em minhas auditorias, pela Internet e pessoalmente, que mostram a necessidade de atitudes:

1.
Procuro, primeiramente, conhecer todo o organograma funcional da organização, preciso conhecer as pessoas, suas funções, responsabilidades etc.;
2. Ouço as queixas da direção;
3. Tomo ciência das rotinas dos departamentos;
4. Passo, então, a observar, como espectador, o dia a dia da empresa;
5. Durante a observação, registro tudo que chama a minha atenção, de bom ou de ruim, para futuro diagnóstico da auditoria;
6. Vou, pessoalmente, até o funcionário responsável para pedir detalhes dos seus procedimentos, que estão sob análise da auditoria;
7. Converso de forma franca, explicando os detalhes do meu trabalho (auditoria) e os objetivos que pretendo alcançar, e como ele (o funcionário) poderia melhorar seus procedimentos e ajudar-me a chegar a bons resultados;
8. Sem ferir a autoestima do funcionário, que produz, tem sentimentos e merece respeito. Eu argumento sobre as formas possíveis, na minha visão e experiência, para que os seus procedimentos atinjam melhores resultados;
9. Caso haja relutância por parte do funcionário, comunico, cara a cara, que ele fará parte do meu relatório à direção. Sem temer qualquer represália, pois é o meu trabalho e farei de tudo para realizá-lo da melhor forma;
10. Chega, então, a hora do relatório final, onde detalho todas as minhas observações, elogiando os setores (e funcionários, citando-os pelo nome e função) com procedimentos corretos e apontando, também, os setores (e funcionários que foram avisados, mas relutaram) com falhas operacionais (gargalos) que estariam, ao meu ver, prejudicando a empresa.



Autor: Eduardo CostaAdministrador, Consultor de Recursos/Procedimentos
Especialista em Auditorias Administrativas


Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/o-pecado-da-omissao/20518/


 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A QUEDA DO HOMEM E SUAS CONSEQUENCIAS


A queda do homem e suas conseqüências

Gn 3.1 – 6.10
O ponto mais crucial na relação do homem com Deus é a mudança drástica que se precipitou pela desobediência do primeiro (3.1-24). Como o mais trágico desenvolvimento na história da raça humana, constitui um tema recorrente na Bíblia.
Enfrentada com uma serpente que falava, Eva começou a duvidar da proibição de Deus e deliberadamente desobedeceu [1]. Por sua vez, Adão cedeu à persuasão de Eva.
Imediatamente se acharam cônscios de sua decepção e do engano produzido pela serpente e de sua desobediência a Deus. com folhas de figueira tentaram cobrir suas vergonhas. Face a face com o Senhor Criador, todas as partes implicadas nesta transgressão foram julgadas solenemente. A serpente foi amaldiçoada por acima de todos os animais (3.14). a inimizade seria colocada como relação perpétua entre a semente da serpente, que representava mais que o réptil presente, e a semente da mulher [2]. A respeito de Adão e de Eva, o juízo de Deus tem um caráter de misericórdia, ao assegurar a definitiva vitória para o homem através da semente da mulher (3.15) [3]. Todavia, a mulher foi condenada ao sofrimento de criar seus filhos e o homem sujeito a uma terra maldita. Deus proveu peles para suas vestes, que implicava matar animais como conseqüência de ser homem pecador. Conscientes do conhecimento do bem e do mal, Adão e Eva foram imediatamente expulsados do jardim do Éden, por medo a que comessem da árvore da vida e assim ficassem para sempre. perdido o habitat da eterna felicidade, o homem encarou as conseqüências da maldição, com a só promessa de um eventual consolo através da semente da mulher, que mitigaria seu destino.
Dos filhos nascidos a Adão e Eva, somente três são mencionados por seu nome, as experiências de Caim e Abel revelam a condição do homem em seu novo estado mudado.
Ambos adoravam a Deus trazendo-lhe ofertas. Enquanto que o sacrifício de um animal de Abel era admitido, a oferta de vegetais de Caim era rejeitada. Irritado por isso, Caim matou a seu irmão.
Já que tinha sido advertido por Deus, Caim adotou uma atitude de deliberada desobediência, convertendo-se assim no primeiro assassino da humanidade. Não é falto de razão chegar à conclusão de que esta mesma atitude prevaleceu quando levou sua oferta, que Deus tinha rejeitado.
 A civilização de Caim e seus descendentes se reflete numa genealogia que sem dúvida alguma representa um muito longo período de tempo (4.17-24). O próprio Caim fundou uma cidade.
Uma sociedade urbana na antigüidade, certamente, implicava o crescimento de rebanhos e manadas de animais. As artes se desenvolveram com a invenção e produção de instrumentos musicais. Com o uso do ferro e do bronze chegou a ciência da metalurgia. Esta avançada cultura deu aparentemente ao povo um falso senso de segurança. Isto se vê numa atitude de despreocupação e fanfarronaria ostentada por Lameque, o primeiro polígamos. Teve o orgulho de utilizar armas superiores para destruir a vida. Caracteristicamente ausente, por contraste, esteve qualquer reconhecimento de Deus pela progênie de Caim.
Depois da morte de Abel e sua perda e da decepção a respeito de Caim como assassino, os primeiros pais tiveram uma nova esperança com o nascimento de Sete (4.25ss).
Foi nos dias do filho de Sete, Enos, que os homens começaram a voltar-se para Deus. Com o passar de numerosas gerações e muitos séculos, outro signo de aproximação a Deus foi exemplificado em Enoque. Esta notável figura não experimentou a morte; sua vida de piedade filial com Deus terminou com sua ascensão. Com o nascimento de Noé, a esperança reviveu mais uma vez.
Lameque, um descendente de Sete, antecipou que através de seu filho, o gênero humano seria consolado da maldição e relevado dela, pela qual tinha sofrido desde a expulsão do homem do Jardim do Éden.
Em dias de Noé, o crescente ateísmo da civilização alcançou uma verdadeira crise.
Deus, que tinha criado o homem e seu habitat, estava decepcionado com sua prevalecente cultura.
Os matrimônios entre os filhos de Deus e as filhas dos homens o haviam desgostado [4]. A corrupção, os vícios e a violência se incrementaram até o extremo de que todos os planos e ações dos homens estavam caracterizados pelo mal. A atitude de lamentação de Deus em ter criado o gênero humano resultava aparente no plano de retirar seu espírito do homem. Um período de cento e vinte anos de aviso precedeu o juízo que pendia sobre a raça humana. Somente Noé encontrou favor aos olhos de Deus. Justiceiro e sem mácula, se manteve numa aceitável relação com o Deus Criador.


[1] Note-se que a única outra ocasião na Escritura de um animal que fala, está na asna de Balaão (Números 22.28).
[2] Comparar a interpretação do Novo Testamento em João 8.44; Romanos 16.20; 2 Coríntios 11.3; Apocalipse 12.9; 20.2, etc.
[3] Note-se a esperança baseada nesta promessa em Gênesis 4.1, 25; 5.29 e as promessas messiânicas no Antigo Testamento.
[4] "Filhos de Deus" pode referir-se aos angélicos seres ou a linha de Sete. Para a última interpretação, as "filhas dos homens" se refere à linha de Caim. Para esta discussão, ver Albertus Pieters, "Notes on Gênesis" (Grand Rapids, Ferdmans, 1943), pp. 113-116. estes matrimônios cruzados, seja o que for o que representassem, desgostaram a Deus.


Fonte: Samuel J. Schultz - A História de Israel no AT


Pesquisa: Pr.Charles Maciel Vieira

segunda-feira, 23 de maio de 2011

TEOLOGIA - PECADO

 

O pecado

  Está escrito que Deus, ao completar a obra da criação, declarou que tudo era "muito bom". Observando, mesmo ligeiramente, chegamos à convicção de que muitas coisas que agora existem não são boas — o mal, a impiedade, a opressão, a luta, a guerra, a morte, e o sofrimento. E naturalmente surge a pergunta: Como entrou o mal no mundo? — pergunta que tem deixado perplexos muitos pensadores. A Bíblia oferece a resposta de Deus; ainda mais, informa-nos o que o pecado realmente é; melhor ainda, apresenta-nos o remédio para o pecado.

I. O fato do pecado

Não há necessidade de discutir a questão da realidade do pecado; a história e o próprio conhecimento intimo do homem oferecem abundante testemunho do fato. Muitas teorias, porém, apareceram para negar, desculpar, ou diminuir a natureza do pecado.
1. O ateísmo, ao negar a Deus, nega também o pecado, porque, estritamente falando, todo pecado é contra Deus; e se não há Deus, não há pecado. O homem pode ser culpado de pecar em relação a outros; pode pecar contra si mesmo, porém estas coisas constituem pecado unicamente em relação a Deus. Enfim, todo mal praticado é dirigido contra Deus, porque o mal é uma violação do direito, e o direito é a lei de Deus. "Pequei contra o céu e perante ti", exclamou o pródigo. Portanto, o homem necessita do perdão baseado em uma provisão divina de expiação.
2. O determinismo é a teoria que afirma ser o livre arbítrio uma ilusão e não uma realidade. Nós imaginamos que somos livres para fazer nossa escolha, porém realmente nossas opções são ditadas por impulsos internos e circunstâncias que escaparam ao nosso domínio. A fumaça que sai pela chaminé parece estar livre, porém se esvai por leis inexoráveis. Sendo assim — continua essa teoria, — uma pessoa não pode deixar de atuar da maneira como o faz, e estritamente falando, não deve ser louvada por ser boa nem culpada por ser má. O homem é simplesmente um escravo das circunstâncias. Mas as Escrituras afirmam terminantemente que o homem é livre para escolher entre o bem e o mal — uma liberdade implícita em todos os mandamentos e exortações. Longe de ser vítima da fatalidade e casualidade, declara-se que o homem é o árbitro do seu próprio destino. Durante uma discussão sobre a questão do livre arbítrio, o Dr. Johnson, notável autor e erudito inglês, declarou: "Cavalheiro, sabemos que nossa vontade é livre, e isto é tudo que há no assunto!" Cada grama de bom senso excede em peso a uma tonelada de filosofia! Uma conseqüência prática do determinismo é tratar o pecado como se fosse uma enfermidade por cuja causa o pecador merece dó ao invés de ser castigado. Porém, a voz da consciência que diz "eu devo" refuta essa teoria. Recentemente, um homicida de dezessete anos recusou-se a alegar loucura. Seu crime era indesculpável, ele declarou, porque sabia que o havia cometido conscientemente, apesar dos ensinos que recebera dos pais e na Escola Dominical. Desse modo, insistiu que fosse cumprida a pena capital. Jovem como era, e diante da morte, recusou enganar-se a si mesmo.
3. O hedonismo (da palavra grega que significa "prazer") é a teoria que sustenta que o melhor ou o mais proveitoso que existe na vida é a conquista do prazer e a fuga à dor; de modo que a primeira pergunta que se faz não é: "Isto e correto?", mas: "Traz prazer?" Nem todos os hedonistas têm uma vida de vícios, mas a tendência geral do hedonista é desculpar o pecado e disfarçá-lo, qual pílula açucarada, com designações tais como estas: "é uma fraqueza inofensiva"; "é pequeno desvio"; "é mania do prazer"; "é fogo da juventude". Eles desculpam o pecado com expressões como estas: "Errar é humano"; "o que é natural é belo e o que é belo é direito." é sobre essa teoria que se baseia o ensino moderno de "auto-expressão". Em linguagem técnica, o homem deve "libertar suas inibições"; em linguagem simples, "ceder à tentação porque reprimi-la é prejudicial à saúde". Naturalmente, isso muitas vezes representa um intento para justificar a imoralidade. Mas esses mesmos teóricos não concordariam em que a pessoa desse liberdade às suas inibições de ira, ódio criminoso, inveja, embriaguez ou alguma outra tendência similar. No fundo dessa teoria está o desejo de diminuir a gravidade do pecado, e ofuscar a linha divisória entre o bem e o mal, o certo e o errado. Representa uma variação moderna da mentira antiga: "Certamente não morrerás." E muitos descendentes de Adão têm engolido a amarga pílula do pecado, adoçada com a suposta suavizante segurança: "Isto não te fará dano algum." O bem é simbolizado pela alvura, e o pecado pela negrura, porém alguns querem misturá-los, dando-lhes uma cor cinzenta neutra. A admoestação divina àqueles que procuram confundir as distinções morais, é: "Ai daqueles que chamam o mal bem, e o bem mal"
4. Ciência Cristã. Esta seita nega a realidade do pecado. Declara que o pecado não é algo positivo, mas simplesmente a ausência do bem. Nega que o pecado tenha existência real e afirmam que é apenas um "erro da mente moral". O homem pensa que o pecado é real, por conseguinte, seu pensamento necessita de correção. Mas, depois de examinar o pecado e a ruína que são mais do que reais no mundo, parece que esse tal "erro da mente mortal" é tão terrível como aquilo que toda gente conhece por "pecado"! As Escrituras denunciam o pecado como uma violação positiva da lei de Deus, como uma verdadeira ofensa que merece castigo real num inferno real.
5. A evolução considera o pecado como herança do animalismo primitivo do homem. Desse modo em lugar de exortar a gente a deixar o "homem velho", ou o "antigo Adão", os proponentes dessa teoria deviam admoestá-los a que deixassem o "velho macaco" ou o "velho tigre"! Como já vimos, a teoria da evolução é antibíblica. Alem disso, os animais não pecam; eles vivem segundo sua natureza, e não experimentam nenhum sentido de culpa por seu comportamento. O Dr. Leander Keyser comenta: "Se a luta egoísta e sangrenta pela existência no reino animal for o método de progresso que trouxe o homem à existência, por que deverá ser um mal que o homem continue nessa rota sangrenta?" É certo que o homem tem uma natureza física, porém essa parte inferior de seu ser foi criação de Deus, e é plano de Deus que esteja sujeita a uma inteligência divinamente iluminada.

II. A origem do pecado

O terceiro capítulo de Gênesis oferece os pontos chaves que caracterizam a história espiritual do homem, as quais são: A tentação, a culpa, o juízo e a redenção.

1. A tentação: sua possibilidade, origem e sutileza.

(a) A possibilidade da tentação. O segundo capítulo de Gênesis relata o fato da queda do homem, informando acerca do primeiro lar do homem, sua inteligência, seu serviço no Jardim no Éden, as duas árvores, e o primeiro matrimônio. Menciona especialmente as duas árvores do destino — a árvore da ciência do bem e do mal e a árvore da vida. Essas duas árvores constituem um sermão em forma de quadro dizendo constantemente a nossos primeiros pais: "Se seguirdes o bem e rejeitardes o mal, tereis a vida." E não é esta realmente a essência do Caminho da Vida encontrada através das Escrituras? (Vide Deut. 30:15.) Notemos a árvore proibida. Por que foi colocada ali? Para prover um teste pelo qual o homem pudesse, amorosa e livremente, escolher servir a Deus e dessa maneira desenvolver seu caráter. Sem vontade livre o homem teria sido meramente uma máquina.

(b) A origem da tentação. "Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito." É razoável deduzir que a serpente, que naquele tempo deveria ter sido uma criatura formosa, foi o agente empregado por Satanás, o qual já tinha sido lançado fora do céu antes da criação do homem. (Ezeq. 23:13-17; Isa. 14:12-15.) Por essa razão, Satanás é descrito como "essa antiga serpente, chamada o diabo" (Apoc. 12:9). Geralmente Satanás trabalha por meio de agentes. Quando Pedro (embora sem má intenção) procurou dissuadir seu Mestre da senda do dever, Jesus olhou além de Pedro, e disse, "Para trás de mim, Satanás" (Mat. 16:22,23). Neste caso Satanás trabalhou por meio de um dos amigos de Jesus; no Éden empregou a serpente, uma criatura da qual Eva não desconfiava.

(c) A sutileza da tentação. A sutileza é mencionada como característica distintiva da serpente. (Vide Mat. 10:16.) Com grande astúcia ela oferece sugestões, as quais, ao serem abraçadas, abrem caminho a desejos e atos pecaminosos. Ela começa falando com a mulher, o vaso mais frágil, que, além dessa circunstância, não tinha ouvido diretamente a proibição divina. (Gên. 2:16, 17.) E ela espera até que Eva esteja só. Note-se a astúcia na aproximação. Ela torce as palavras de Deus (Vide Gén. 3:1 e 2:16, 17) e então finge surpresa por estarem assim torcidas; dessa maneira ela, astutamente, semeia dúvida e suspeitas no coração da ingênua mulher, e ao mesmo tempo insinua que está bem qualificada para ser juiz quanto à justiça de tal proibição. Por meio da pergunta no versículo 1, lança a tríplice dúvida acerca de Deus.
1) Dúvida sobre a bondade de Deus. Ela diz, com efeito: "Deus está retendo alguma bênção de ti."
2) Dúvida sobre a retidão de Deus. "Certamente não morrereis." Isto é, "Deus não pretendia dizer o que disse".
3) Dúvida sobre a santidade de Deus. No versículo 5 a serpente diz, com efeito: "Deus vos proibiu comer da árvore porque tem inveja de vos. Não quer que chegueis a ser sábios tanto quanto ele, de modo que vos mantém em ignorância. Não é porque ele se interesse por vós, para salvar-vos da morte, e sim por interesse dele, para impedir que chegueis a ser semelhantes a ele."

2. A Culpa.

Notemos as evidências de uma consciência culpada:
1) "Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus." Expressão usada para indicar esclarecimento milagroso ou repentino. (Gên. 21:19; 2 Reis. 6:17.) As palavras da serpente (versículo 5) cumpriram-se; porém, o conhecimento adquirido foi diferente do que eles esperavam. Em vez de fazê-los semelhantes a Deus, experimentaram um miserável sentimento de culpa que os fez ter medo de Deus. Notemos que a nudez física é um quadro de uma consciência nua ou culpada. Os distúrbios emocionais refletem-se muitas vezes em nossas feições. Alguns comentadores sustentam que antes da queda, Adão e Eva estavam vestidos com uma auréola ou traje de luz, que era um sinal da comunhão com Deus e do domínio do espírito sobre o corpo. Quando pecaram, essa comunhão foi interrompida; o corpo venceu o espírito, e ali começou esse conflito entre a carne e o espírito (Rom. 7:14-24), que tem sido a causa de tanta miséria.
2) "E coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais." Assim como a nudez física é sinal de uma consciência culpada, da mesma maneira, o procurar cobrir a nudez é um quadro que representa o homem a procurar cobrir sua culpa com a indumentária do esquecimento ou o traje das desculpas. Mas, somente uma veste feita por Deus pode cobrir o pecado (Verso 21).
3) "E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia: e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim." O instinto do homem culpado é fugir de Deus. E assim como Adão e Eva procuraram esconder-se entre as árvores, da mesma forma as pessoas hoje em dia procuram esconder-se nos prazeres e em outras atividades.

3. O juízo.

(a) Sobre a serpente. "Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a besta, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e o pó comerás todos os dias da tua vida." Essas palavras implicam que a serpente outrora foi uma criatura formosa e honrada. Depois, porque veio a ser o instrumento para a queda do homem, tomou-se maldita e degradada na escala da criação animal. Uma vez que a serpente foi simplesmente o instrumento de Satanás, por que deve ser punida? Porque é a vontade de Deus fazer da maldição da serpente um tipo e profecia da maldição sobre o diabo e sobre todos os poderes do mal. O homem deve reconhecer, pelo castigo da serpente, como a maldição de Deus ferirá todo pecado e maldade; arrastando-se no pó recordaria ao homem o dia em que Deus derribará até ao pó, o poder do diabo. Isso é um estimulo para o homem: ele, o tentado, está em pé, erguido, enquanto a serpente está sob a maldição. Pela graça de Deus o homem pode ferir-lhe a cabeça — pode vencer o mal. (Vide Luc. 10:18; Rom. 16:20; Apoc. 12:9; 20:1-3, 10.)

(b) Sobre a mulher. "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor e a tua concepção; com dor terás filhos; e o teu desejo será para teu marido, e ele te dominará" (Gên. 3:16). Assim disse certo escritor: A presença do pecado tem sido a causa de muito sofrimento, precisamente do modo indicado acima. Não há dúvida que dar à luz filhos constitui um momento critico e penoso na vida da mulher. O sentimento de faltas passadas pesa de uma maneira particular sobre ela, e também a crueldade e loucura do homem contribuíram para fazer o processo mais doloroso e perigoso para a mulher do que para os animais. O pecado tem corrompido todas as relações da vida, e mui particularmente a relação matrimonial. Em muitos países a mulher é praticamente escrava do homem; a posição e a condição triste de meninas viúvas e meninas mães na Índia têm sido um fato horrível em cumprimento dessa maldição.

(c) Sobre o homem. (Versos 17-19.) O trabalho para o homem já tinha sido designado (2:15). O castigo consiste no afã, nas decepções e aflições que muitas vezes acompanham o trabalho. A agricultura é especificada em particular, porque sempre tem sido um dos empregos humanos mais necessários. De alguma maneira misteriosa, a terra e a criação em geral têm participado da maldição e da queda do seu senhor (o homem) porém estão destinadas a participar da sua redenção. Este é o pensamento de Rom. 8:19-23. Em Isaias 11:1-9 e 65:17-25, temos exemplos de versículos que predizem a remoção da maldição da terra durante o Milênio. Além da maldição física que se apossou da terra, também é certo que o capricho e o pecado humanos têm dificultado de muitas maneiras o labor e provocado as condições de trabalho mais difíceis e mais duras para o homem. Notemos a pena de morte. "Porquanto és pó, e em pó te tornarás." O homem foi criado capaz de não morrer fisicamente; teria existência física indefinidamente se tivesse preservado sua inocência e continuasse a comer da árvore da vida. Ainda que volte à comunhão com Deus (e dessa maneira vença a morte espiritual) por meio do arrependimento e da oração, não obstante, deve voltar ao seu Criador através da morte. Visto que a morte faz parte da pena do pecado, a salvação completa deve incluir a ressurreição do corpo, (1 Cor. 15:54-57.) não obstante, certas pessoas, como Enoque, terão o privilégio de escapar da morte física. (Gên. 5:24; 1 Cor. 15:51.)

4. A redenção.

Os três primeiros capítulos de Gênesis contêm as três revelações de Deus, que por toda a Bíblia figuram em todas as relações de Deus com o homem. O Criador, que trouxe tudo à existência (cap. 1), o Deus do Pacto que entra em relações pessoais com o homem (cap. 2); o Redentor, que faz provisão para a restauração do homem (cap. 3).
(a) Prometida. (Vide Gên. 3:15.) (1) A serpente procurou fazer aliança com Eva contra Deus, mas Deus por fim a essa aliança. "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente (descendentes) e a sua semente." Em outras palavras, haverá uma luta constante entre o homem e o poder maligno que causou a sua queda. (2) Qual será o resultado desse conflito? Primeiro, vitória para a humanidade, por meio do Representante do homem, a Semente da mulher. "Ela (a semente da mulher) te ferirá a cabeça." Cristo, a Semente da mulher, veio ao mundo para esmagar o poder do diabo. (Mat. 1:23, 25; Luc. 1:31-35,76; Isa. 7:14; Gál. 4:4; Rom. 16:20; Col. 2:15; Heb. 2:14,15; 1 João 3:8; 5:5; Apoc. 12:7, 8, 17; 20:1-3, 10.) (3) Porém a vitória não será sem sofrimento. "E tu (a serpente) lhe ferirás o calcanhar." No Calvário a Serpente feriu o calcanhar da Semente da mulher; mas este ferimento trouxe a cura para a humanidade. (Vide Isa. 53:3,4,12; Dan. 9:26; Mat. 4:1-10; Luc. 22:39-14,53; João 12:31-33; 14:30,31; Heb. 2:18; 5:7; Apoc. 2:10.)

(b) Prefigurada. (Verso 21.) Deus matou um animal, uma criatura inocente, para poder vestir aqueles que se sentiam nus ante a sua vista por causa do pecado. Do mesmo modo, o Pai deu seu Filho, o Inocente, à morte, a fim de prover uma cobertura expiatória para as almas dos homens.

III. A natureza do pecado

Que é pecado? A Bíblia usa uma variedade de termos para expressar o mal de ordem moral, os quais nos explicam algo de sua natureza.
Um estudo desses termos, nos originais hebraico e grego, proporcionará a definição bíblica do pecado.

1. O ensino do Antigo Testamento.

O pecado considerado — As diferentes palavras hebraicas descrevem o pecado operando nas seguintes esferas: (*)
(a) Na esfera moral. As palavras usadas para expressar o pecado nesta esfera são as seguintes:
1) A palavra mais comumente usada para o pecado significa "errar o alvo". Reúne as seguintes idéias: (1) Errar o alvo, como um arqueiro que atira mas erra, do mesmo modo, o pecador erra o alvo final da vida. (2) Errar o caminho, como um viajante que sai do caminho certo. (3) Ser achado em falta ao ser pesado na balança de Deus. Em Gên. 4:7, onde a palavra é mencionada pela primeira vez, o pecado é personificado como uma besta feroz pronta para lançar-se sobre quem lhe der ocasião.
2) Outra palavra significa literalmente "tortuosidade", e é muitas vezes traduzida por "perversidade". É, pois, o contrário de retidão, que significa literalmente, o que é reto ou conforme um ideal reto.
3) Outra expressão comum que se traduz por "mal", exprime o pensamento de violência ou infração, e descreve o homem que infringe ou viola a lei de Deus.

(b) Na esfera da conduta fraternal. A palavra usada para determinar o pecado nesta esfera, significa violência ou conduta injuriosa. (Gên. 6:11; Ezeq. 7:23; Prov. 16:29.) Ao excluir a restrição da lei, o homem maltrata e oprime seus semelhantes.

(c) Na esfera da santidade. As palavras usadas para descrever o pecado nesta esfera implicam que o ofensor usufruiu da relação com Deus. Toda a nação israelita foi constituída em "um reino de sacerdotes", cada membro considerado como estando em contato com Deus e seu santo tabernáculo. Portanto, cada israelita era santo, isto é, separado para Deus, e toda a atividade e esfera de sua vida estavam reguladas pela Lei da Santidade. As coisas fora dessa lei eram "profanas" (o contrário de santas), e o que participava delas se tornava "imundo" ou contaminado. (Lev. 11:24, 27, 31, 33, 39.) Se persistisse na profanação, era considerada uma pessoa irreligiosa ou profana. (Lev. 21:14; Heb. 12:16.) Se acaso se rebelasse e deliberadamente repudiasse a jurisdição da lei da santidade, era considerado "transgressor". (Sal. 37:38; 51:13; Isa. 53:12.) Se prosseguia neste último caminho, era julgado como criminoso, e tais eram os publicanos, na opinião dos contemporâneos do nosso Senhor Jesus.

(d) Na esfera da verdade. As palavras que descrevem o pecado nesta esfera dão ênfase ao inútil e fraudulento elemento do pecado. Os pecadores falam e tratam falsamente (Sal. 58:3; Isa. 28:15), representam falsamente e dão falso testemunho (Êxo. 20:16; Sal. 119:128; Prov. 19:5, 9). Tal atividade é "vaidade" (Sal. 12:2; 24:4; 41:6), isto é, vazia e sem valor. O primeiro pecador foi um mentiroso (João 8:44); o primeiro pecado começou com uma mentira (Gên. 3:4); e todo pecado contém o elemento do engano (Heb. 3:13).

(e) Na esfera da sabedoria. Os homens se portam impiamente porque não pensam ou não querem pensar corretamente; não dirigem suas vidas de acordo com a vontade de Deus, seja por descuido ou por deliberada ignorância.
1) Muitas exortações são dirigidas aos "simples" (Prov. 1:4, 22; 8:5). Essa palavra descreve o homem natural, que não se desenvolveu, quer na direção do bem, quer do mal; sem princípios fixos, mas com uma inclinação natural para o mal, a qual pode ser usada a fim de seduzi-lo. Falta-lhe firmeza e fundamento moral; ele ouve mas esquece; portanto, é facilmente conduzido ao pecado. (Vide Mat. 7:26.)
2) Muitas vezes lemos acerca desses "faltos de entendimento" (Prov. 7:7; 9:4), isto é, aqueles que por falta de entendimento, mais do que por propensão pecaminosa, são vitimas do pecado. Faltos de sabedoria, são conduzidos a expressar precipitados juízos acerca da providência divina e das coisas além da sua compreensão. Desse modo precipitam-se na impiedade. Tanto essa classe, como os "simples", são indesculpáveis porque as Escrituras apresentam o Senhor oferecendo gratuitamente — sim, rogando-lhes que aceitem (Prov. 8:1-10) — aquilo que os fará sábios para a salvação.
3) A palavra freqüentemente traduzida "insensato" (Prov. 15:20), descreve uma pessoa capaz de fazer o bem, contudo está presa às coisas da carne e facilmente é conduzida ao pecado pelas suas inclinações carnais. Não se disciplina a si mesma nem guia as suas tendências de acordo com as leis divinas.
4) O "escarnecedor" (Sal. 1:1; Prov. 14:6) é o homem ímpio que justifica sua impiedade com argumentos racionais contra a existência ou realidade de Deus, e contra as coisas espirituais em geral. Assim, "escarnecedor" é a palavra do Antigo Testamento equivalente à nossa moderna palavra "infiel", e a expressão "roda dos escarnecedores" provavelmente se refere à sociedade local dos infiéis.

2. O ensino do Novo Testamento.

O Novo Testamento descreve o pecado como:
(a) Errar o alvo, que expressa a mesma idéia que a conhecida palavra do Antigo Testamento.

(b) Dívida. (Mat. 6:12.) O homem deve (a palavra "deve" vem de dívida) a Deus a guarda dos seus mandamentos; todo pecado cometido é contração de uma dívida. Incapaz de pagá-la, a única esperança do homem é ser perdoado, ou obter remissão da dívida.

(c) Desordem. "O pecado é iniqüidade" (literalmente "desordem", 1 João 3:4). O pecador é um rebelde e um idólatra porque deliberadamente quebra um mandamento, ao escolher sua própria vontade em vez de escolher a vontade de Deus; pior ainda, está se convertendo em lei para si mesmo e, dessa maneira, fazendo do eu uma divindade. O pecado começou no coração daquele exaltado anjo que disse: "Eu farei", em oposição à vontade de Deus. (Isa. 14:13, 14). O anticristo é proeminentemente "o sem-lei" (tradução literal de "iníquo"), porque se exalta a si mesmo sobre tudo que é adorado ou que é chamado Deus. (2 Tess. 2:4-9.) O pecado é essencialmente obstinação e obstinação é essencialmente pecado. O pecado destronaria a Deus; o pecado assassinaria Deus. Na Cruz do Filho de Deus, poderiam ter sido escritas estas palavras: "O pecado fez isto!"

(d) Desobediência, literalmente, "ouvir mal"; ouvir com falta de atenção. (Heb. 2:2.) "Vede pois como ouvis" (Luc. 8:18.)

(e) Transgressão, literalmente, "ir além do limite" (Rom. 4:15). Os mandamentos de Deus são cercas, por assim dizer, que impedem ao homem entrar em território perigoso e dessa maneira sofrer prejuízo para sua alma.

(f) Queda, ou falta, ou cair para um lado (Efés. 1:7) no grego, donde a conhecida expressão, cair no pecado. Pecar é cair de um padrão de conduta.

(g) Derrota é o significado literal da palavra "queda" em Rom. 11:12. Ao rejeitar a Cristo, a nação judaica sofreu uma derrota e perdeu o propósito de Deus.

(h) Impiedade, de uma palavra que significa "sem adoração, ou reverência". (Rom. 1:18; 2 Tim. 2:16.) O homem ímpio é o que dá pouca ou nenhuma importância a Deus e às coisas sagradas. Estas não produzem nele nenhum sentimento de temor e reverência. Ele está sem Deus porque não quer saber de Deus.

(i) O erro (Heb. 9:7) Descreve aqueles pecados cometidos como fruto da ignorância, e dessa maneira se diferenciam daqueles pecados cometidos presunçosamente, apesar da luz esclarecedora. O homem que desafiadoramente decide fazer o mal, incorre em maior grau de culpa do que aquele que é apanhado em falta, a que foi levado por sua debilidade.

IV. Conseqüências do pecado

O pecado é tanto um ato como um estado. Como rebelião contra a lei de Deus, é um ato da vontade do homem; como separação de Deus, vem a ser um estado pecaminoso. Segue-se uma dupla conseqüência: o pecador traz o mal sobre si mesmo por suas más ações, e incorre em culpa aos olhos de Deus. Duas coisas, portanto, devem distinguir-se; as más conseqüências que seguem os atos do pecado, e o castigo que virá no juízo. Isto pode ser ilustrado da seguinte maneira: Um pai proíbe ao filho pequeno o fumar cigarros, e fá-lo ver uma dupla conseqüência: primeira, o fumar fá-lo-á sentir-se doente; segunda, ser castigado pela sua desobediência. O menino desobedece e fuma pela primeira vez. As náuseas que lhe sobrevêm representam as más conseqüências do seu pecado, e o castigo corporal subseqüente representa o castigo positivo pela culpa. Da mesma maneira as Escrituras descrevem dois efeitos do pecado sobre o culpado: primeiro, é seguido por conseqüências desastrosas para sua alma; segundo, trará da parte de Deus o positivo decreto de condenação.

1. Fraqueza espiritual.

(a) Desfiguração da imagem divina. O homem não perdeu completamente a imagem divina, porque ainda em sua posição decaída é considerado uma criatura à imagem de Deus (Gên. 9:6; Tia. 3:9) — uma verdade expressa no provérbio popular: "Há algo de bom no pior dos homens." Maudesley, o grande psiquiatra inglês, sustenta que a majestade inerente da mente humana evidencia-se até mesmo na ruína causada pela loucura. Apesar de não estar inteiramente perdida, a imagem divina no homem encontra-se muito desfigurada. Jesus Cristo veio ao mundo tornar possível ao homem a recuperação completa da semelhança divina por ser recriado à imagem de Deus. (Gál. 3:10.)

(b) Pecado inerente, ou "pecado original". O efeito da queda arraigou-se tão profundamente na natureza humana que Adão, como pai da raça, transmitiu a seus descendentes a tendência ou inclinação para pecar. (Sal. 51:5.) Esse impedimento espiritual e moral, sob o qual os homens nascem, é conhecido como pecado original. Os atos pecaminosos que se seguem durante a idade de plena responsabilidade do homem são conhecidos como "pecado atual". Cristo, o segundo Adão, veio ao mundo resgatar-nos de todos os efeitos da queda. (Rom. 5:12-21.) Esta condição moral da alma é descrita de muitas maneiras: todos pecaram (Rom. 3:9); todos estão debaixo da maldição (Gál. 3:10); o homem natural é estranho às coisas de Deus (1 Cor. 2:14); o coração natural é enganoso e perverso (Jer. 17:9); a natureza mental e moral é corrupta (Gên. 6:5, 12; 8:21; Rom. 1:19-31); a mente carnal é inimizade contra Deus (Rom. 8:7, 8); o pecador é escravo do pecado (Rom. 6:17; 7:5); é controlado pelo príncipe das potestades do ar (Efés. 2:2); está morto em ofensas e pecados (Efés. 2:1); e é filho da ira (Efés. 2:3).

(c) Discórdia interna. No princípio Deus fez o corpo do homem do pó, dotando-o, desse modo, de uma natureza física ou inferior; depois soprou em seu nariz o fôlego da vida, comunicando-lhe assim uma natureza mais elevada, unindo-o a Deus. Era o propósito de Deus a harmonia do ser humano, ter o corpo subordinado à alma. Mas o pecado interrompeu a relação de tal maneira que o homem se encontrou dividido em si mesmo; o "eu" oposto ao "eu" em uma guerra entre a natureza superior e a inferior. Sua natureza inferior, frágil em si mesma, rebelou-se contra a superior e abriu as portas de seu ser ao inimigo. Na intensidade do conflito, o homem exclama: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" (Rom. 7:24.) O "Deus de paz" (1 Tess. 5:23) subjuga os elementos beligerantes da natureza do homem e santifica-o no espírito, alma e corpo. O resultado é a bem-aventurança interna — "justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" (Rom. 14:17).

2. Castigo positivo.

"No dia em que dela comeres certamente morrerás" (Gên. 2:17) "O salário do pecado é a morte" (Rom. 6:23). O homem foi criado capaz de viver eternamente; isto é, não morreria se obedecesse à lei de Deus. Para que pudesse "lançar mão" da imortalidade e da vida eterna, foi colocado sob um pacto de obras, figurado pelas duas árvores — a árvore da ciência do bem e do mal e a árvore da vida. Desse modo, a vida estava condicionada à obediência; enquanto Adão observasse a lei da vida teria direito à árvore da vida. Mas desobedeceu; quebrou o pacto de vida, e ficou separado de Deus, a Fonte da vida. Desde esse momento, teve a morte o seu inicio e foi consumada na morte física com a separação da alma e do corpo. Mas notamos que o castigo incluía mais do que uma morte física; a dissolução física era uma indicação do desagrado de Deus, do fato que o homem estava sem contato com a Fonte da vida. Ainda que Adão se tivesse reconciliado mais tarde com o seu Criador, a morte física continuaria de acordo com o decreto divino: "No dia em que dela comeres certamente morrerás." Somente por um ato de redenção e de recriação o homem teria outra vez direito à árvore da vida que está no meio do paraíso de Deus. Por meio de Cristo a justiça é restaurada à alma, a qual, na ressurreição, é reunida a um corpo glorificado.
Vemos, então, que a morte física veio ao mundo como castigo, e, nas Escrituras, sempre que o homem é ameaçado com a morte como castigo pelo pecado, significa primeiramente a perda do favor de Deus. Assim, o pecador já está "morto em ofensas e pecados" e no momento da morte física ele entra no mundo invisível na mesma condição. Então no grande Julgamento o Juiz pronunciará a sentença da segunda morte, que envolve "indignação e ira, tribulação e angústia" (Rom. 2:7-12). De maneira que "a morte", como castigo, não é a extinção da personalidade, e, sim, o meio de separação de Deus. Há três fases desta morte: morte espiritual, enquanto o homem vive (Efés. 2:1; l Tim. 5:6); morte física (Heb. 9:27); e a segunda ou morte eterna (Apoc. 21:8; João 5:28, 29; 2 Tess. 1:9; Mat. 25:41).
Por outro lado, quando as Escrituras falam da vida como recompensa pela justiça, isso significa mais do que existência, pois os ímpios existem no inferno. Vida significa viver em comunhão com Deus e no seu favor — comunhão que a morte não pode interromper ou destruir. (João 11:25, 26.) é uma vida que proporciona união consciente com Deus, a Fonte da vida. "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só (em experiência e comunhão) por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17:3). A vida eterna é uma existência perfeita; a morte eterna é uma existência má, miserável e degradada.
Notemos que a palavra "destruição", usada quanto à sorte dos ímpios (Mat. 7:13; João 17:12; 2 Tess. 2:3), não significa extinção. De acordo com o grego, perecer ou ser destruído, não significa extinção e sim ruína. Por exemplo: que os odres "estragam-se" (Mat. 9:17) significa que já não servem como odres, e não que tenham deixado de existir. Da mesma maneira, o pecador que perece, ou que é destruído, não é reduzido ao nada, mas experimenta a ruína no que concerne a desfrutar comunhão com Deus e a vida eterna. O mesmo uso ainda existe hoje; quando dizemos: "sua vida está arrumada", não queremos dizer que o homem está morto, e, sim, que perdeu o verdadeiro alvo ou objetivo da vida.

 
Pesquisa: Pr.Charles Maciel Vieira