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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

GOVERNO DA IGREJA - CONGREGACIONAL




    Congregacional. O sistema congregacional é a forma de governo da igreja adotada pelos cristãos que enfatizam a autonomia e independência da congregação local. Esses afirmam que ninguém está em posição de exercer autoridade sobre uma congregação local da igreja cristã. Nenhuma “ordem de ministério” é reconhecida, no sentido de classe de homens separados por algum dom especial da graça divina, que lhes seja conferido numa cerimônia de ordenação. Na verdade, homens ordenados são, estritamente falando, pessoas leigas que fazem o trabalho da igreja em tempo integral. Dá-se ênfase ao fato de que apenas Cristo é Cabeça de sua igreja (Cl 1.18, etc.). Quando dois ou três crentes se reúnem, o Senhor está com eles (Mt 18.20). Como os crentes em geral representam o sacerdócio, não há mais, sob a nova aliança, espaço para a interposição de uma classe especial de sacerdotes. A função sacerdotal é agora exercida por todos. Se o crente comum tem direito de acesso imediato a Deus (Hb 10.19-22), então é impossível vislumbrar um ministério que exerça qualquer função mediadora essencial. Freqüentemente se aponta que a ênfase do NT, em geral, está na congregação local. Há pouca evidência de qualquer controle episcopal ou presbiteriano sobre a igreja como um todo. Os presbíteros-bispos parecem ter exercido sua autoridade na esfera da congregação local, mas não além dela. O ministério cristão é simplesmente o ministério de Cristo através de homens chamados e comissionados por ele.

    A evidência do NT é insuficiente para se saber precisamente qual era a posição da igreja primitiva nesse assunto. Sabe-se que havia alguns oficiais, tais como presbíteros-bispos e diáconos, mas não se sabe exatamente quais eram suas funções e posição. Nenhum dos sistemas atuais de governo da igreja pode reivindicar ser o único justificado nas Escrituras, embora existam elementos no NT que levaram ao surgimento de cada um deles. E significativo que, no correr da história, Deus tenha se agradado de dar sua bênção a mais de uma forma de organização cristã.


Fonte: Enciclopédia da Bíblia Volume 3 - Merril C. Tenney (Editora Cultura Cristã)

GOVERNO DA IGREJA - PRESBITERIANO



    Presbiteriano. O sistema de governo da Igreja, através de presbíteros ou anciãos também reivindica precedência nas Escrituras. Os Reformadores viam os presbíteros do NT como oficiais que mantinham o governo nas igrejas. Em cada Igreja local havia um grupo de presbíteros que formavam um tipo de comitê responsável pelos assuntos da igreja. Em Atos 15, encontramos os presbíteros agindo em conjunto com os apóstolos num concílio solene. Quando, no decorrer do tempo, os apóstolos saíram de cena, os presbíteros permaneceram como os oficiais mais importantes da igreja. Muitos presbiterianos diriam que este sistema é mais fiel ao espírito e à letra do NT, do que qualquer outro sistema moderno. Tendo em mente passagens do NT, tais quais Atos 1.15ss. e Atos 13.1-3, os presbiterianos reconhecem que a congregação deve ter voz na seleção dos homens para o ministério. Uma distinção é feita entre prespresbíteros docentes e presbíteros regentes (1 Tm 5.17). O presbítero docente é ordenado pela imposição de mãos de outros presbíteros, depois de receber o “chamado” de uma congregação local. Presbíteros regentes são escolhidos pela congregação e admitidos ao ofício por meio de ordenação. Eles podem não assumir o ministério da Palavra e dos sacramentos, mas assistem no governo da igreja e no exercício da disciplina. Possuem também responsabilidade na administração das finanças da igreja.


Fonte: Enciclopédia da Bíblia Volume 3 - Merril C. Tenney (Editora Cultura Cristã)

GOVERNO DA IGREJA - EPISCOPAL

    


    Episcopal. O sistema episcopal é o govemo da igreja por bispos (epíscopoi). Os episcopais reconhecem o triplo ministério de bispos, sacerdotes e diáconos, como básicos para a vida da igreja. O único ministro capacitado para ordenar é o bispo, a quem foram passadas algumas funções originalmente associadas aos próprios apóstolos. Indo ainda mais longe, alguns argumentam que os apóstolos ordenavam seus sucessores e que estes, por sua vez, ordenaram seus sucessores, numa linha ininterrupta até ao dia de hoje. Essa teoria, entretanto, é passível de sério questionamento. O elaborado sistema episcopal, como é conhecido hoje, não é encontrado no NT, exceto possivelmente em estado embrionário. O moderno bispo anglicano, por exemplo, diferente do presbítero do NT, exerce a supervisão de um número grande de igrejas em sua “diocese” e tem autoridade sobre os clérigos dessa área. Os presbíteros, no NT, têm um chamado estritamente local e são subordinados apenas ao sumo Pastor. O moderno bispo monárquico considera-se mais próximo dos apóstolos e do ministério que eles exerciam, do que dos presbíteros-bispos, cujo ministério era em grande parte, se não inteiramente, confinado à igreja local. E verdade que, embora Timóteo e Tito parecessem ter tido autoridade significativa sobre diversas igrejas, eles estavam mais localizados do que os apóstolos, e isso não é um equivalente adequado do moderno bispo monárquico. Tiago, a quem Paulo descreve como apóstolo (Gl 1.19), ocupava uma posição proeminente na Igreja de Jerusalém e parece não ter viajado tanto quanto os outros apóstolos. Em certos aspectos, ele seria um protótipo mais acurado do hodierno bispo anglicano, embora sua autoridade não fosse de maneira nenhuma absoluta. O sistema episcopal é o resultado de um processo de desenvolvimento constante e a sua forma atual não se encontra no NT.


Fonte: Enciclopédia da Bíblia Volume 3 - Merril C. Tenney (Editora Cultura Cristã)

terça-feira, 23 de julho de 2013

NOMES BÍBLICOS DA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO


2. No novo testamento - O novo testamento também tem duas palavras , derivadas da Septuaginta, quais sejam, ekklesia , de ek e Kaleo , “chamar para fora”, “convocar”, e synagoge , de syn e ago , significando “reunir-se” ou “reunir”. Synagoge é empregada
exclusivamente para denotar , quer as reuniões religiosas dos judeus, quer os edifícios em que eles se reuniam par o culto público, ( Mt 4:23 ; At 13:43; Ap 2:9 ; 3:9). O termo Ekklesia , porém, geralmente designa a igreja neotestamentária, embora nums
poucos lugares denote assembéias civis comuns,(At 19:32,39,4l). No novo testamento , Jesus foi o primeiro a fazer uso da palavra, e Ele a aplicou ao grupo dos que se reuniram em torno dele, ( Mt 16:18) , reconheceram-no publicamente como seu Senhor e
aceitaram os princípios do reino de Deus . Mais tarde, como resultado da expansão da igreja, a palavra adquiriu várias significações. Igrejas foram estabelecidas em toda parte; e eram também chamadas Ekklesiai , desde que eram manifestações da
Igreja Universal de Cristo. A) Com muita freqüência a palavra ekklesia designa um círculo de crentes de alguma localidade definida, uma igreja local, independentemente da questão se esses crentes estão reunidos para o culto ou não. Algumas passagens
apresentam a idéia de que se acham reunidos, (At 5:11 ;11:26 ; 1 Co 11:18 ; 14:19,28,35); enquanto que outras não (Rm 16:4 ; 1Co 16:1 ; Gl 1:2 ; 1 Ts 2:14, etc.B) Nalguns casos, a palavra denota o que se pode denominar ekklesia doméstica, igreja na casa de alguma pessoa. Ao que parece nos tempos apostólicos, pessoas importantes por sua riqueza ou por outras razões separavam em seus lares um amplo cômodo para o serviço divino. Acham-se
exemplos deste uso da palavra em (Rm 6:23; 1Co 16:19; Cl 4:15 ; Fm 2).Finalmente , em seu sentido mais compreensivo, a palavra se refere a todo o corpo de fiéis, quer no céu , quer na terra, que se
uniram ou se unirão a Cristo como seu Salvador. Este uso da palavra acha-se principalmente nas cartas de Paulo aos Efésios e aos Colossenses, mais frequentemente na primeira destas ( Ef 1:22;
3:10,21 ; 5:23-25,27,32 ; Cl 1:18,24).


Pesquisa: Pastor Charles Maciel Vieira

NOMES BÍBLICOS DA IGREJA NO VELHO TESTAMENTO

NOMES BÍBLICOS DA IGREJA

1. No velho testamento - O velho testamento emprega duas palavras para designar a igreja, a saber , qahal (ou kahal) , derivada de uma raiz , qal (ou kal) obsoleta, significando “chamar”, ‘edhah, de
ya’dah, “indicar” ou “encontrar-se ou reunir-se num lugar indicado”. Consequentemente , vemos ocasionalmente a expressão qehal’edhah , isto é, “a assembl éia da congregação”, (Êx.: 12:6; Nm 14:5; Jr
26:17). Vê-se que, às vezes, a reunião realizada era uma reunião de representantes do povo ( Dt 4:10;18:6 comp. 5:22,23; 1 Rs 8:1,2,3,5 ; 2 Cr 5, 2- 6). Synagoge é a versão usual , quase universal, de
‘edhah na Setuaginta, e é também a versão usual de, qahal no Pentateuco.Nos últimos livros da Bíblia (Velho testamento) , porém, qahal é geralmente traduzida por ekklesia. Schuerer afirma que o judaísmo mais recente já indicava a distinção entre
synagoge como designativo da congregação de Israel como uma realidade empírica, e ekklesia como o nome da mesma congregação considerada idealmente.

       
Pesquisa: Pastor Charles Maciel Vieira

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Membresia: Identificando a Nova Geração - Leonardo Sahium - CFL 2012

O que é o Curso Fiel de Liderança - CFL
Com o propósito de prover ao pastor, ao líder, ao professor e estudante de teologia uma oportunidade de reflexão e aprofundamento em temas bíblicos, a Editora Fiel criou o Curso Fiel de Liderança, o CFL. A fim de tornar isto possível, estabelecemos parcerias com seminários, institutos bíblicos, instituições teológicas e organizações de ensino de reconhecida excelência acadêmica e, sobretudo, genuíno interesse pelo evangelho de Jesus Cristo, a expansão do Reino e a Glória de Deus.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Danças, Teatro e o Culto a Deus - Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Augustus Nicodemus Gomes Lopes é ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, teólogo calvinista, professor e escritor natural da Paraíba.

Pastorado Feminino - Augustus Nicodemus

Augustus Nicodemus Gomes Lopes é ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, teólogo calvinista, professor e escritor natural da Paraíba.

domingo, 6 de janeiro de 2013

MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

O massacre da noite de São Bartolomeu ou a noite de São Bartolomeu, foi um episódio sangrento na repressão aos protestantes na França pelos reis franceses católicos. Esse genocídio aconteceu em 23 e 24 de agosto de 1572, em Paris, no dia de São Bartolomeu.
As matanças, organizadas pela Casa real francesa, com total apoio da Igreja Católica Romana, começaram em 24 de Agosto de 1572 e duraram vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 30 mil e 100 mil protestantes franceses (chamados huguenotes).
Nas primeiras horas da madrugada de 24 de agosto, o dia de São Bartolomeu, dezenas de líderes huguenotes foram assassinados em Paris, numa série coordenada de ataques planejados pela família real.
Este foi o sinal inicial para um massacre mais vasto. Começando em 24 de Agosto e durando até Outubro, houve uma onda organizada de assassínios de huguenotes em cidades como Toulouse, Bordeaux, Lyon, Bourges, Rouen, e Orléans.
Relatos da quantidade de cadáveres arremessados nos rios afirmam uma visível contaminação, de modo que ninguém comia peixe, pelas condições insalubres do local.
Não foi o primeiro nem o último ataque massivo aos protestantes franceses. Outros ataques ocorreriam.





terça-feira, 17 de abril de 2012

Igreja on-line: São Pixels transmitirá cultos em 3D pelo Facebook


Fundada em 2006 com cultos em 2D a São Pixels, uma igreja online, está criando uma nova forma de divulgar a Palavra de Deus fazendo cultos em 3D através do Facebook.
A rede social tem hoje 600 milhões de usuários no mundo e foi pensando nesses números que os fundadores do ministério planejaram divulgar o evangelho desta forma.
Atrás das telas de computadores e iPhones, adoradores terão a oportunidade de escutar as leituras da Bíblia e um sermão, cantar os hinos e introduzir pedidos de oração. Os internautas também terão a oportunidade de responder com um “amém” ou “zzzz” através de um medidor de feedback em tempo real.
Mark Howe da St. Pixels esclarece por meio de um comunicado que o projeto não tenta ‘parecer da moda e pós-moderno’. ”Nossa aplicação de Facebook é uma tentativa de se envolver com um fenômeno cultural em seus próprios termos, enquanto mantém o Evangelho que tem transformado tantas culturas ao longo dos séculos.”
A São Pixels começou como uma comunidade em 2D, com um mural e chat como pontos de encontro principais. Em 2009 mudou para um novo sistema de software e desenvolvimento de um ambiente 3D e foi registrada no Reino Unido, com a adesão em todo o mundo.
O ministério virtual pretende criar fóruns de diálogo e encontros ocasionais em vida real e também criar um espaço sagrado e uma comunidade acolhedora e de testemunho na Internet.


Fonte: http://noticias.gospelprime.com.br/igreja-on-line-sao-pixels-transmitira-cultos-em-3d-pelo-facebook/

http://www.verdadegospel.org.br/noticias/igreja-online-sao-pixels-transmitira-cultos-em-3d-pelo-facebook/

quinta-feira, 2 de junho de 2011

IGREJA - COMO SOBREVIVER (3ª PARTE) EM TEMPO DE RUINA DA IGREJA ?



Os Dons na Igreja

Com efeito, eles terão e reconhecerão os dons que Cristo, o Senhor, dá para o ministério, conforme nos são indicados em Efésios 4:8-13; Romanos 12:6-8 e 1 Coríntios 12:28. Na primeira e na última destas passagens, os dons são as próprias pessoas que, por sua vez, possuem os diversos dons de graça. Os dons de apóstolo e de profeta já não subsistem agora, como é evidente, pelo menos no mesmo sentido que tinham no princípio; mas os de evangelistas, de mestres e de pastores permanecem para a edificação do corpo de Cristo. Não pretendemos dizer que nos diversos sistemas humanos não haja esses dons, pois Deus opera sempre em graça soberana; mas não se encontram no seu devido lugar. Por outro lado, indicamos simplesmente as bênçãos que obterão aqueles que se tiverem separado das organizações humanas. Eles terão tudo aquilo que é de Deus e de Deus provém e, em particular, o ministério dos dons que Cristo dispensa.

Guiados pela Palavra
E, enfim, aqueles que pela graça de Deus tiverem entrado no caminho de separação, terão a Palavra de Deus para os edificar, instruir e guiar nesse mesmo caminho. O Espírito Santo e a Sua ação, o Senhor e os Seus dons, a Palavra de Deus e a sua direção, tudo isso não será plenamente suficiente? Tinham porventura outra coisa os primeiros cristãos? Como crentes, tinham recebido o Espírito Santo "e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações" (At 2:38 e 41-42). Tendo nós recebido o mesmo Espírito quando cremos, não poderemos fazer as coisas tal como eles as fizeram? Eles tinham os apóstolos, dirão vocês. E certo, mas nós temos as palavras dos apóstolos, acerca das quais um deles escreve: "O que vimos e ouvimos isso vos anunciamos para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo" (1 Jo 1:3).
A doutrina dos apóstolos nós a temos na Palavra divinamente inspirada. Queríamos nós juntar-lhe algo mais, sob o pretexto de que Deus não nos disse tudo o que era preciso para a nossa edificação espiritual e para nos dirigir, e assim nos deixou a liberdade de nos organizarmos como melhor entendermos? Onde está escrito esse conceito? Onde o disse Deus? Todas as coisas devem ser aprovadas pela Sua Palavra. Ao que ela prescreve devemos obedecer, mas o que ela não autoriza importa deixá-lo. O que ela condena deve ser rejeitado. Pretenderemos nós ser mais sábios do que Deus? Não é a obediência em tudo precisamente o que mais nos convém? Poderemos nós supor que, se tal ou tal coisa estabelecida pelos homens tivesse estado nos desígnios de Deus. Ele não no-la teria dito — Ele que, para Israel, Seu povo na Terra, indicou até o número dos colchetes das cortinas do tabernáculo?

Com que propósito Reúnem-se os Crentes?
Acabamos de ver que aqueles que, por obediência à Palavra de Deus, se separam dos sistemas humanos têm tudo o que lhes é necessário para se congregarem e para o seu comportamento segundo a vontade do Senhor. E que a obrigação de se reunir existe para eles — a exortação contida em Hebreus 10:25 no-lo mostra claramente, assim como os exemplos dados pelos discípulos (At 20:7), e ainda as indicações fornecidas pelas epístolas (1 Co 11:18).
Todavia, quando os que desejarem realizar uma congregação segundo a vontade de Deus se reunirem, qual será o seu objetivo? Evidentemente, o seu primeiro e grande alvo, como também o seu mais precioso privilégio, será render culto a Deus. Porém, o culto não consiste em discursos precedidos e seguidos de orações, segundo liturgias e formulários preparados de antemão, lidos, recitados ou mesmo improvisados, mas sim em sincera adoração em espírito e em verdade (Jo 4:23-24), expressa por louvores e ações de graças, segundo a direção do Espírito e a verdade da Palavra, e provinda de corações cheios da presença de Deus e do gozo das Suas bênçãos. "Nós servimos a Deus no Espírito", diz o apóstolo (Fp 3:3), caracterizando assim os cristãos. E para render este culto a Deus, para Lhe oferecer estes sacrifícios espirituais, que Lhe são agradáveis por Jesus Cristo, todos os cristãos são sacerdotes (1 Pe2:5). Por conseguinte, o exercício dos dons não tem o seu lugar no culto. Aqueles a quem Deus os dá são os membros da assembléia, para se dirigir a Ele. Mas os crentes reunir-se-ão também para serem edificados, ensinados e exortados, e é aí que os dons de graça se exercerão, para o serviço de Deus, tendo em vista a perfeição dos santos (Ef 4:12).

A Ceia do Senhor
Na Ceia do Senhor, estabelecida "até que Ele venha" (1 Co 11:26), os crentes têm o fundamento do culto cristão. Ela recorda os sofrimentos e a morte do Senhor, e fala-nos também da imensidade do amor de Deus, que nos deu Seu Filho unigênito, da abnegação de Jesus Cristo, que se entregou à morte por nós; e fala-nos ainda da nossa perfeita libertação pela Sua morte, e, conseqüentemente, da nossa separação do mundo pecador. A Ceia do Senhor, apresentando ao crente verdades tão sublimes, exercita-lhe os seus afetos,  eleva-lhe os pensamentos para Deus, para o que Ele é e fez por nós, produzindo assim, em nosso coração, a adoração, os louvores e as ações de graças. Portanto, ela é, de fato, o centro do culto cristão. Mas é também, e ao mesmo tempo, o centro de comunhão para os crentes. Nelas eles afirmam que, estando em comunhão com Cristo, também estão em comunhão uns com os outros, como membros de um só corpo, de acordo com o que diz o apóstolo: "Porventura, o cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo porque todos participamos do mesmo pão" (1 Co 10:16-17). Encontram-se desse modo sobre o terreno da unidade e que, bem compreendida, faria desaparecer as seitas, as denominações e o sectarismo. A Ceia do Senhor é, portanto, a preciosa ordenança estabelecida pelo próprio Cristo (1 Co 11:28) — e que terão como centro do seu culto todos aqueles que se reunirem em nome de Jesus.
Detenhamo-nos ainda mais um momento sobre este ato tão importante — a Ceia do Senhor. Em primeiro lugar, quanto à sua celebração, não vemos nada na Palavra do Senhor que nos autorize a pensar que havia uma classe de pessoas consagradas e designadas por um sínodo ou qualquer outra autoridade eclesiástica, a quem fosse conferida a função de dar graças pela Ceia e de a distribuir. No entanto, que vemos nós na quase totalidade dos sistemas religiosos? Ponho de lado o passado. Sabemos em que monstruosas aberrações ele caiu relativamente à Ceia do Senhor, que foi convertida em missa — ato de verdadeira idolatria, herdado, aliás, do paganismo greco-romano. Mas, nas diversas frações do protestantismo, o cargo de dar graças e de distribuir a ceia pertence exclusivamente — assim como a administração  do  batismo    a  homens  para  tal estabelecidos,  a ministros consagrados ou pastores ordenados,  como popularmente se diz.  Tem  isto, porventura, base alguma nas Escrituras? Não! A Epístola aos Coríntios mostra-nos que a desordem se introduzira na assembléia com respeito à Ceia do Senhor. Tinha-se olvidado o seu significado e o seu alcance. O apóstolo repreende a um ou a vários ministros que se teriam esquecido de cumprir fielmente o seu cargo? Ou então estabelece uma autoridade qualquer para manter a ordem? Não! E à assembléia que ele se dirige, ele repreende e torna responsável pelo que acontece, não só quanto à Ceia do Senhor, mas também quanto à ordem que em tudo devia ser observada (ver 1 Co 11:17-34; 14:26-40). Portanto, a quem pertence dar graças e distribuir a Ceia do Senhor? Aqueles a quem Deus, pelo Seu Espírito, lhes põe no coração que o façam e que, nesta ocasião, se tornam porta-vozes da assembléia, de sorte que ela dirá "Amém" à sua ação de graças. Ter-se-á talvez cumprido, pelo  menos  até  um  certo ponto  e    nalgumas congregações, o que acabamos de dizer; e, cedendo à evidência da Palavra do Senhor, ter-se-á permitido a um ancião — dos eleitos pela congregação! — abençoar e distribuir a Ceia. Mas é ainda um membro do presbitério, do clero, para dizer a palavra exata — e onde veremos isso nas Escrituras?

O Primeiro Dia da Semana
Direi também uma palavra acerca do dia em que convém partir o pão. Em muitas "igrejas" toma-se a Ceia do Senhor umas quatro ou cinco vezes por ano, nas grandes festas — como são chamadas, sem nenhuma sanção escriturística para serem estabelecidas. Noutras congregações toma-se uma vez por mês. Mas é também uma convenção humana, visto que uma simples leitura da Palavra do Senhor nos mostra que o partir do pão se fazia no primeiro dia da semana — o dia da ressurreição do nosso bendito Salvador. Vemos de igual modo que o partir do pão era o fim principal da reunião dos discípulos (At 20:7).
Por conseguinte, aqueles que desejam entrar no caminho de separação a que as Escrituras chamam os crentes terão também para eles o que lhes recorda o estreito laço que os une a Cristo presente no meio deles; terão o memorial de Seus sofrimentos e de Sua morte.

A Responsabilidade da Igreja
Mas à Mesa do Senhor prende-se ainda outra coisa que envolve a responsabilidade da assembléia: É a disciplina. E evidente que os verdadeiros crentes têm o seu lugar à Mesa do Senhor, porque somente eles são resgatados pelo Seu sangue e membros do Seu corpo. Suponhamos então a Mesa do Senhor posta no meio daqueles que são separados dos vasos de desonra. Por triste e humilhante que seja, forçoso será reconhecer que um cristão pode, por falta de vigilância, cair em pecado. Nesse caso, que deve fazer a assembléia? Purificar-se de um mal que a mancharia por completo se, uma vez reconhecido, ela o tolerasse. Encontramos a esse respeito um claro e precioso ensinamento em 1 Coríntios 5. Esse capítulo termina com as seguintes palavras: "Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo". Excluído da assembléia, é-o também, e necessariamente, da Ceia do Senhor, que é a expressão da comunhão de uns com os outros. Nesse capítulo de Coríntios trata-se de uma questão de mal moral; mas que se poderá dizer do mal doutrinai, do erro que ataca a Cristo e à Sua Palavra? As Escrituras não são menos claras a esse respeito, pois dizem-nos que é preciso rejeitar o homem herético ou sectário, após uma primeira e uma segunda admoestação (Tt 3:10-11), e que não se deve receber em casa, nem mesmo saudar aquele que não traz a doutrina de Cristo (2 Jo 10).

A Disciplina na Igreja
Ora, a respeito de disciplina, que vemos nós na maior parte das denominações cristãs? Cada qual toma a ceia sob a sua própria responsabilidade, e a mesa do Senhor, ou aquilo que assim é chamado, está aberta a incrédulos e a homens que professam erros anticristãos!
Foi a minha intensão demonstrar, segundo as Escrituras, o que possuem aqueles que desejam andar no caminho da fé e da obediência, separando-se do mal que invadiu a cristandade. Ao mesmo tempo pudemos ver a simplicidade das ordenanças e das direções dadas na Palavra de Deus a fim de manter a ordem que deve ser observada numa congregação formada em nome do Senhor. Acrescente-se que, se todos estes pontos que passamos em revista têm a sua aprovação na Palavra de Deus, todos os cristãos verdadeiramente desejosos de obedecer ao Senhor têm o lugar com aqueles que se encontram sobre este terreno. Ele é suficientemente amplo para conter a todos. Por outro lado, nenhum cristão tem o direito de insistir para fazer aceitar o que não está claramente estabelecido nas Escrituras e menos ainda de pô-lo como condição de comunhão. Tal seria o caso, por exemplo, se quisesse impor o batismo dos adultos. Seria ultrapassar os limites que a Palavra do Senhor nos estabelece. E de igual modo seria desobedecer, se deixássemos de lado o que quer que seja que as Escrituras estabelecem. Assim, repito, o terreno é bastante vasto para receber todos aqueles que desejam sinceramente andar em obediência ao Senhor.

A Manifestação da Unidade dos Crentes
Ainda há mais: a unidade, que caracterizava outrora os crentes, de uma maneira visível e palpável, já não existe atualmente. Todavia, o princípio dessa unidade reencontrará a sua manifestação prática pela obediência à Palavra de Deus. Suponhamos que, de fato, em diferentes lugares se formaram congregações de crentes reunidos sob os mesmos princípios, aceitando tudo o que a Palavra de Deus prescreve — e nada mais. Essas diferentes congregações não estarão em comunhão umas com as outras, seja qual for a distância que as separa e qual for o país onde se encontrem? Evidentemente que sim! E como estarão reunidas em torno de um mesmo centro — Jesus —, e como têm o mesmo Espírito que as une a Ele e que as conduz, todos os seus membros em plena comunhão achar-se-ão também a uma só e mesma mesa — a Mesa do Senhor. E também os dons que houver entre eles terão o seu livre exercício em todas essas congregações, onde quer que elas se encontrem. E a disciplina exercida por uma assembléia não poderá deixar de ser acatada por todas as outras. É assim que a unidade será mantida na prática.

O que é uma Seita?
Desejo agora tratar de uma objeção que se poderia fazer. Dir-se-á: "Você afirma que a cristandade está dividida em seitas, e que isso é um grande mal. Mas querendo congregar-se da maneira como você diz, não formaria uma nova seita a juntar a todas as outras já existentes?" De maneira nenhuma, e espero poder demonstrá-lo. Em primeiro lugar, o que é uma seita? Não será um agrupamento de pessoas reunidas pelos mesmos pontos de vista sobre um determinado assunto mais ou menos particular?! Posto isto, que vemos nós na cristandade, senão um grande número de igrejas separadas umas das outras por diferenças de organização, de doutrina ou de disciplina? E são precisamente esses pontos de vista particulares que distinguem cada igreja e formam o traço de união entre os membros que a compõem. Assim, as igrejas presbiterianas são aquelas cujos membros pensam que a melhor forma de governo para uma igreja é aquela em que esse governo é exercido por um corpo de anciãos ou presbíteros. É esse ponto de vista particular que os separa dos outros cristãos. As igrejas independentes ou livres são fundadas sobre o princípio da emancipação do controle do estado quanto ao salário do clero e quanto ao governo da igreja. Pois bem! Mas é isso o que deve constituir o traço de união?! E um ponto de vista particular. E se me disserem: "Fazemo-lo por obediência a Cristo, o Cabeça da Igreja", então responderei: "Nesse caso, obedeçam a Cristo em tudo, e que seja Ele, de fato, o seu centro de união."
Suponhamos agora uma igreja batista. E uma corporação de pessoas reunidas pelo enfoque particular de que o verdadeiro modo de batismo é por imersão, e ministrado a pessoas maduras o suficiente para crerem (Embora seja correto segundo as Escrituras, este aspecto da verdade é colocado em destaque acima de outros igualmente importantes — nota do editor). Poderíamos passar em revista todas as outras denominações do protestanismo e veríamos que o reunir-se em torno de um ponto de vista particular da verdade é comum a todas, e que por isso, como, aliás, muitos o reconhecem, são seitas todas elas. Mas poder-se-á, de igual modo, qualificar de seita os que rejeitam todo ponto de vista particular, para se reunirem somente em nome de Jesus, subordinando-se unicamente ao que a Palavra de Deus ensina claramente?
Como já tive oportunidade de o recordar, é-nos dito e bem explicitamente: "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas" (Ap 18:4). Saiamos, pois, fora do arraial, saiamos para Jesus! E isto que todos os verdadeiros cristãos devem fazer — não formar campos separados, cada um sob a sua bandeja particular.
E verdade que entre muitos cristãos se tem feito sentir a necessidade da união. Tem-se falado muito nisso e fala-se também dos meios de a conseguir. Suponhamos, por um momento, que membros de diversas denominações ou sistemas religiosos se reunissem para examinar a questão. Não é verdade que seria necessário, e desde logo, que cada um pusesse de parte tudo o que caracteriza o seu sistema? E se fossem até o fim, e abandonassem inteiramente todos os pontos de vista que os separam; se conviessem todos em não mais seguir senão aquilo que está de acordo com a Palavra de Deus
  e nada mais além da Palavra de Deus —, não se encontrariam eles, todos eles, precisamente sobre o terreno que temos indicado?
Dir-se-á talvez: "É o que se faz na Aliança Evangélica! Reunimo-nos para orar juntos, e cada um põe de lado os seus pontos de vista particulares para estar lá somente como cristão". Está bem, mas o que se faz logo após esses dias de reunião? Cada qual retorna ao seu sistema e continua como se nada tivesse acontecido. A confusão existente é desse modo posta mais ainda em evidência. Ora, se foi bom despojarem-se durante uns oito dias do seu caráter de seita, por que não se despojam para sempre?! Se todos os crentes se reunissem, pondo inteiramente de lado tudo o que os distingue e separa, os nomes que as diversas denominações tomam perderiam a sua razão de.ser
  tornar-se-iam inúteis! Não haveria mais do que o nome de Cristo, e dir-nos-íamos simplesmente cristãos, irmãos no Senhor, tal como sucedia nos primeiros tempos do cristianismo.

O Lugar está fora do Arraial
Permita-me fazer ainda outra suposição. Se o Senhor Jesus voltasse agora, para pôr as coisas em ordem, segundo as Escrituras, e restabelecer a unidade da Igreja, pensam vocês que Ele ia tomar o Seu lugar nesta ou naquela denominação, com exclusão de todas as outras? Não! Mas como outrora Moisés levantou fora do acampamento a tenda do testemunho ou da congregação (Êx 33:7), também o Senhor, fora de todos os sistemas, chamaria a Si todos aqueles que O amam de coração puro. E eles deixariam as suas diversas organizações para ir ao encontro dEle e se congregar em Seu nome, tendo Ele próprio e o Seu Espírito no meio deles. Ele distribuiria então diversos dons de graça, segundo os Seus divinos planos, e eles teriam também as Escrituras como guia infalível para o que tivessem de fazer. Ora, como o Senhor não está corporalmente no meio de nós, o princípio da Sua presença encontra-se nas Escrituras. Ele disse que, se nos reunirmos em Seu nome — e somente em Seu nome! — Ele estará no meio de nós. Temos, portanto, de atuar de acordo com esta Palavra.
E evidente que se todos os verdadeiros cristãos se congregassem assim em volta de Jesus, reunindo-se em Seu nome, haveria algo como uma nova manifestação prática da Igreja, como um só corpo, não tendo outro nome senão o de Cristo, outro centro e outro chefe senão Cristo; não tendo outra regra de fé além da Sua Palavra, outro ministério além dos dons diretamente dados por Ele para serem exercitados sempre na liberdade e no poder do Espírito Santo.
Porém, meu querido leitor, não devemos esperar que outros, ou que todos sigam este caminho, para nós também o seguirmos e nele perseverarmos até o fim. Cada qual, pessoalmente, tem o dever de obedecer ao Senhor, sejam quais forem as conseqüências terrenas disso resultantes — ainda que tivéssemos de ficar sós nesse Caminho!
Se você reconhece que as coisas que procurei colocar sob o seu olhar são segundo a Palavra do Senhor, e se quer ser fiel, então não pode seguir senão um caminho: o caminho da separação do mundo e obediência ao Senhor, de acordo com as Escrituras.

Fonte: A. Ladrierre - O Caminho de Deus em Tempos Difíceis



Pesquisa: Pr. Charles Maciel Vieira

IGREJA - COMO SOBREVIVER (2ª PARTE) EM TEMPO DE RUINA DA IGREJA ?



O Lado Negativo
Não, certamente. Ainda que uma organização humana congregasse muitos cristãos verdadeiros; ainda que ela fosse composta unicamente de verdadeiros cristãos, seria desobedecer à Palavra de Deus continuar nela sob tal pretexto. 0 simples fato de ela ser humana, de não ter sido estabelecida por Deus, nos impõe o dever de nos separarmos dela.
Desse modo, o primeiro passo a dar no caminho de Deus é o crente sincero retirar-se da iniqüidade, de tudo aquilo que a Palavra de Deus não estabelece, daquilo que é o resultado dos pensamentos e da vontade do homem. E nós temos de o fazer, ainda que corrêssemos o risco de ficar tão solitários como Elias supunha estar, quando dizia: "Fiquei só". Que queremos nós seguir: os nossos pensamentos, os nossos gostos e os nossos sentimentos ou a vontade de Deus?
Alguns vêem nitidamente o mal que se encontra nos sistemas religiosos, mas dizem: "E necessário ficar onde estamos e usar de toda a nossa influência para tentarmos reformar os abusos e protestar contra o erro". Porém, não será sem mágoa que, dentro em pouco, percebendo que são impotentes para entravar os progressos do mal.
Protestar no seio do mal e continuar lá, associado a ele de fato, é um protesto sem força e inconseqüente. O verdadeiro protesto é sair do mal. Acima de tudo, está a ordem de Deus, que não pode aceitar compromissos com a iniqüidade: "Saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; não toqueis nada imundo, e eu vos receberei" (2 Co 6:17). Preciosa promessa esta, não é verdade? Eu vos receberei — diz o Senhor! "Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério" (Hb 13:13). O arraial, neste caso, era um sistema de ordenanças e de cerimônias estabelecido sobre o princípio de que Deus e o homem pecador podiam habitar juntos. Era o que existia em Israel. Porém, esse sistema terminou quando o homem expulsou Deus do arraial — quando Cristo foi crucificado. Portanto, era preciso sair dele para estar com Jesus. A posição cristã era fora do arraial. Se o homem refaz "arraiais", estabelecendo, no cristianismo, segundo a sua vontade e a sua própria sabedoria, sistemas religiosos que consistem em ordenanças e regulamentos, a ordem expressa da Palavra do Senhor subsiste: "Saiamos, pois, a ele", a fim de nos acharmos na posição normal, que convém ao cristão.
Suponhamos agora que uma alma foi levada a obedecer à Palavra de Deus e entrou no caminho da fé, separando-se das organizações religiosas estabelecidas pelos homens. Não se sentirá ela num estranho isolamento, logo após ter dado esse passo? Em caso afirmativo, que deverá então fazer?

O Lado Positivo
A Palavra de Deus, que a isso a conduziu, mostra-lhe o que deve fazer nestas palavras: "Foge, também, dos desejos da mocidade; segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor" (2 Tm 2:22). Fugir das paixões da carne (ver 1 Jo 2:16), seguir a justiça, a fé, o amor, a paz é, certamente, o que incumbe a cada cristão individualmente. É o que convém à presença de Deus — e a atividade da vida de Deus na alma pelo Espírito Santo produzirá este fruto. Assim, cada um de nós deve examinar-se para ver se realiza, na sua conduta diária, essa exortação do apóstolo. Mas o pensamento de Deus vai mais longe: no meio da massa dos professos que enchem a grande casa e se envaidecem chamando-se cristãos, existem almas "que, de coração puro, invocam o Senhor". Um coração puro segue o mandamento expresso da Palavra do Senhor: "Qualquer que profere o nome do Senhor aparte-se da iniqüidade". E um coração que, sem duplicidade, deseja servir o Senhor e rejeitar tudo o que desonra o Seu nome. É um coração que, tendo-se separado do mal, anda no temor e na comunhão de Deus. Portanto, se uma alma foi levada a invocar deste modo o nome do Senhor e encontra outras andando no mesmo caminho, não deve ficar só, mas prosseguir com elas a justiça, a fé, o amor, a paz. Nesse caso, haveria também tanta falta de obediência ao querer ficar só, quanto havia em não se separar do mal — uma vez reconhecida a sua existência. E evidente que, enquanto não encontrar tais pessoas, terá de esperar que Deus lhas apresente; porém, em nenhum caso e sob nenhum pretexto deve unir-se de novo ao que julgou e condenou. Fazer isso seria reedificar o que tinha destruído e constitui-se, desse modo, transgressor (Gl 2:18).
E evidente que a expressão "coração puro "de maneira nenhuma quer dizer que o homem de coração puro não tenha nenhum pecado nele, como muitos em nossos dias o pretendem. A escritura diz: "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós" (1 Jo 1:8). Esperar em Deus, contar com Ele é sempre o caminho absolutamente seguro, que podemos trilhar sem receio.

Um Remanescente é Formado
A obediência individual trará para o caminho da fé almas que nele andarão juntas. E desta maneira formar-se-á, sob a direção de Deus, um remanescente tal como o que vemos no meio da ruína no final de cada dispensação.
Em Ezequiel, quando a destruição de Jerusalém estava iminente, o Senhor disse ao Seu mensageiro: "Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela" (Ez 9:4). Os que desejam ser fiéis a Deus neste tempo de ruína não podem ficar indiferentes perante este estado de coisas. Quanto mais o conhecem mais o seu coração o sente e se aflige. Mas ouçamos outro profeta, algum tempo antes de Ezequiel, nos dias de Josias, anunciar também o julgamento que se abaterá sobre Judá: "Deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; e eles confiarão no nome do Senhor. O remanescente de Israel não cometerá iniqüidade nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não haverá quem os espante" (Sf 3:12-13). O caráter do remanescente não é a grandeza que fere os olhos do mundo. Ele é fraco e desprezado; é também tranqüilo e sem temor, e anda nos caminhos da verdade e da justiça. Ele pôs a sua confiança em Deus!
O último dos profetas, quando os que tinham regressado do cativeiro caíram num frio formalismo, mostra-nos também um remanescente fiel, do qual temos mais tarde a expressão nos Zacarias, nos Simeões, nas Anas dos dois primeiros capítulos de Lucas: "Então, aqueles que temem ao Senhor falam cada um com o seu companheiro; e o Senhor atenta e ouve; e há um memorial escrito diante dele, para os que temem ao Senhor e para os que se lembram do seu nome" (Mq 3:16). Reencontramos aqui a marcha coletiva de testemunhas que, fazendo assim, são aprovadas pelo Senhor.
Vemos enfim, no Novo Testamento, as características de um verdadeiro remanescente nos santos da Filadélfia (Ap 3:7-13). Isto é também o fim de uma dispensação: o Senhor anuncia a Sua vinda próxima, e, como dizem os versículos seguintes, Laodicéia, a igreja meramente professante, vai ser vomitada da boca do Senhor. Os fiéis da Filadélfia estão em presença, por um lado, de pretensões religiosas, de um sistema fundado em tradições e ordenanças — os que se dizem judeus, e não o são — e, por outro lado, acham-se muito afeitos à Terra, tendo nela os seus interesses e os seus prazeres. No entanto, no meio deste estado de coisas, que provoca o julgamento de Deus, os santos, os verdadeiros fiéis, apesar da sua pouca força, uniram-se a Cristo, somente a Cristo, "guardaram a Sua Palavra e não renegaram o Seu nome!" Deste modo, estão separados de uma religião humana, separados do mundo e associados pessoalmente a Cristo, guardando a Palavra do Senhor e sendo pacientes — como o Senhor é paciente.
Peço ao leitor que considere perante Deus, com seriedade e oração, esta porção da Palavra do Senhor, onde estão traçados os caracteres de uma conduta fiel e paciente de dedicação a Cristo, e onde o próprio Cristo é apresentado com as características que os fiéis têm de reproduzir, como estando unidos à Sua Pessoa — "o Santo e o Verdadeiro".

Reunidos em Seu Nome
Uma questão importante se põe agora para aqueles que entraram no caminho da fé e nele desejam permanecer e servir a Deus. Tendo deixado as formas, as ordenanças e as organizações humanas, com que poderão eles contar, quando se reunirem? Que lhes restará para continuarem alegremente a sua marcha coletiva?
Todos terão os princípios divinos, segundo os quais os
Cristãos se reuniram no começo da cristandade. Terão o fundamento, o único, o mais seguro fundamento sobre o qual são edificados como pedras vivas, ou seja, Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e eternamente (1 Pe 2:5-8; Ef 2:20-22; Hb 13:8). Eles terão Jesus, o Cabeça de que eles são membros, estando unidos a Ele pelo Espírito Santo, no qual foram batizados (Cl 1:18; 1 Co 12:12-13).
Em seguida, tendo-se separado da iniqüidade por fidelidade ao Senhor, cujo nome invocam, tendo, segundo a exortação do apóstolo, saído fora do arraial para Jesus, e não uns para os outros, encontrar-se-ão reunidos nesse Nome, único centro que o próprio Senhor indica e para o qual o Espírito Santo os terá conduzido. Reunidos nesse Nome, por pequeno que seja o seu número, eles terão Jesus no meio deles, segundo a Sua promessa: "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles" (Mt 18:20).

A Presença do Espírito Santo
Além disso terão o Espírito Santo, não uma influência, mas uma pessoa divina, o Consolador prometido para estar conosco eternamente (Jo 14:16-17). Qualquer que seja o estado de coisas na cristandade, nós sabemos que o Espírito Santo vindo à Terra no dia de Pentecostes (At 2), segundo a promessa do Senhor, está sempre aqui, operando nas almas por toda a parte onde o evangelho é anunciado. Na igreja meramente professante, a presença dEle é, regra geral, olvidada e Sua pessoalidade muitas vezes negada. A exortação do apóstolo: "Não entristeçais o Espírito Santo de Deus" (Ef 4:30) e esta, não menos importante: "Não extingais o Espírito" (1 Ts 5:9) são muito mal compreendidas e muito pouco levadas em consideração. O Espírito não se entristece pela confusão que reina na cristandade? Não é extinguir o Espírito naqueles que receberam dons da graça pelo Espírito não lhes permitir o exercício desses mesmos dons, a não ser que façam parte de um ministério estabelecido e consagrado pelo homem?
Mas aqueles que se encontrarem verdadeiramente reunidos no nome de Jesus reconhecerão a presença e a ação do Espírito Santo e deixarão os dons de graça exercerem-se livremente no meio deles.



Pesquisa: Pastor Charles Maciel Vieira