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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Religião e Direito


Laurence Bittencourt - Jornalista

O estudo das religiões continua sendo um campo fertilíssimo na história das ideias, costumes e valores humanos ao longo da história humana. É surpreendente para quem tem algum interesse nesse tema, ir percebendo as mudanças nos valores e hábitos do humano a partir desse estudo. Diria mesmo que pode ser fascinante e altamente instrutivo e revelador. Por exemplo, se dedicar a pesquisar a evolução do Direito através dos códigos religiosos pode ser um campo fecundíssimo na história dos povos. O nascimento da lei, ou das Leis, é algo que vai ganhando forma, definição e estrutura quando começamos a estudar suas primeiras manifestações. 

O que seria o “olho por olho, dente por dente”, Lei de Talião, do famoso código de Hamurabi, vai encontrando novos formatos e valores com o passar dos tempos. Pode-se dizer que com os Dez Mandamentos estamos num outro formato, em que já podemos vislumbrar uma outra relação entre o homem e a lei e os regulamentos sociais, ainda claro que o código de Hamurabi seja uma lei dos babilônios (povos que viveram na antiga Mesopotâmia, portanto um código humano se quiserem) e os Dez Mandamentos trata-se da lei de Deus entregue para Moises no Monte Sinai. 

No entanto, penso ser tentador (e certamente deve haver estudos sobre tal paralelo) aprofundar um estudo vertical e criar paralelismos entre a construção da Lei, do Direito e consequentemente das mudanças ocorridas na consciência coletiva através da história. Seria tentador esticar a corda para ver até onde se chegaria.

A própria lei mosaica ou Torá (também denominada como instrução) será em vários momentos duramente criticada por Jesus, tão judeu quanto Moisés, e neste sentido podemos perceber que com o cristianismo já estamos em um outro patamar do Direito. Basta lembrarmos o famoso “julgamento” da prostituta, em que Jesus ao invés de seguir os mandamentos mosaicos de “atirar e matar a pedrada” propõe como um grande psicólogo aos fariseus (seguidores da lei e da tradição) se voltarem para dentro de si, e caso nada sentissem de pecado, estariam livres para atirar a primeira pedra. O resultado final todos nós sabemos qual foi. 

Mas Jesus não só perdoa Maria Madalena, a prostituta e adultera como perdoa e dialoga com a mulher samaritana. São gestos que mostram outro nível de Direito, de convivência social e de instrução pedagógica. Claro que muito do chamado cristianismo terminou após a sua institucionalização resultando a partir de Igreja Catolica, no famoso Direito Canônico que passou a reger não só internamente as igrejas católicas, como o próprio mundo cristão, diferenciando-se do Direito Romano que foi extinto.

Obviamente que o próprio Direito Romano mesmo após a sua extinção (vigorou desde a Lei das Doze Tábuas até o Corpus Civilis de Justiniano) continua sendo uma das grandes referencia do Direito Ocidental em especial europeu. 

De qualquer forma meu objetivo aqui neste espaço com  este artigo foi motivado por uma conversa com um amigo dileto que como eu, também gosta de se permitir esses voos e paralelos para pensarmos a história, o que serve po para pensar o nosso próprio Direito e a condição da nossa justiça em tempos que parecem sombrios. 

Fonte: http://tribunadonorte.com.br/noticia/religiao-e-direito/260183

Por unanimidade, Câmara aprova PEC que acaba com voto secreto; proposta vai para o Senado


Por unanimidade, Câmara aprova PEC que acaba com voto secreto; proposta vai para o Senado

Por unanimidade e em votação aberta, os deputados federais aprovaram, na noite desta terça-feira (3), a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 349/01, que acaba com o voto secreto no Legislativo. A proposta segue agora para o Senado.

A votação durou cerca de uma hora e meia. A proposta foi aprovada por 452 votos a favor. Apenas o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) se absteve, por questão regimental. A PEC precisava receber 308 votos favoráveis –de um total de 513 parlamentares.

A medida vale para as deliberações da Câmara, do Senado, das assembleias legislativas, da Câmara Legislativa do Distrito Federal e das câmaras de vereadores. 

"Em 42 anos, vi esta Casa se levantar, se agachar, se respeitar e não se respeitar, mas posso afirmar, sem sombra de dúvida, que não vi um dano maior à sua história do que o ocorrido na noite fatídica de quarta passada", afirmou Alves, antes da votação, ao se referir à não cassação do mandato do deputado Natan Donadon (ex-PMDB-RO). "Não quero acusar ninguém, o mea culpa vale para todos", completou.

De autoria do ex-deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP), a PEC (de 2001) já foi aprovada em primeiro turno pelo plenário da Câmara em 2006, sete anos atrás. A matéria vai ao Senado, onde também será submetida a votações em dois turnos.

Em 5 de setembro de 2006, a PEC foi colocada em votação na Câmara na esteira da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigava deputados por envolvimento no escândalo do mensalão. Ela foi aprovada por 383 votos a favor, nenhum contrário e quatro abstenções.

Atualmente, o voto secreto no Congresso é previsto em mais de 20 casos, entre eles, a análise de vetos presidenciais, a cassação de congressistas, a eleição para a Mesa Diretora (incluindo a escolha do presidente da Câmara e do Senado) e a indicação de conselheiros para o TCU (Tribunal de Contas da União).

A decisão dos líderes da Câmara de votar a PEC se deve à não cassação pelo plenário da Casa, na semana passada, do mandato do deputado Natan Donadon (ex-PMDB-RO). Os deputados creditaram a decisão favorável a Donadon ao fato de a votação ser secreta. Mesmo preso há dois meses e condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) desde 2010, Donadon manteve seu mandato junto à 

Em votação secreta na noite da última quarta-feira (28), 233 deputados votaram a favor da cassação, 131 contra e 41 se abstiveram. Para cassar o mandato de Donadon, eram necessários 257 votos, o que representa a metade do total de deputados mais um voto. 

Depois de se reunir por cerca de 20 minutos com o ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), na tarde desta terça-feira, Alves afirmou que a manutenção do mandato do deputado-presidiário Natan Donadon foi o "maior dano" que a Casa Legislativa causou na sua história.

"Vou conversar com o presidente Renan, a exemplo do que fizemos na PEC do Orçamento impositivo (...) para que possa agilizar essa votação. Como ele tem interesse que agilizamos a que vem para cá, do [senador] Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que encerra na condenação criminal", afirmou o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara.

Alves faz referência à proposta do senador pernambucano que determina que parlamentares condenados pela Justiça percam mandato automaticamente.

Protestos
O fim do voto secreto no Congresso era também uma reivindicação dos manifestantes que foram às ruas em junho. Após os protestos no Brasil, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Câmara chegou a analisar o assunto e aprovou o fim do voto secreto em cassações, mas a tramitação não seguiu adiante.

Em julho, a CCJ do Senado aprovou outra proposta que acabava com o voto secreto, mas também não houve avanços em plenário. 

Na proposta que a presidente Dilma Rousseff enviou ao Congresso Nacional pedindo a reforma política, o fim do voto secreto era um dos cinco itens.

Outras PECs semelhantes
Além da PEC 349, há outras duas propostas com teor semelhante tramitando no Congresso: a PEC 196/12, do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que prevê o fim do voto secreto em casos de perda de mandato parlamentar por quebra de decoro e condenação criminal; e a 20/13, do senador Paulo Paim (PT-RS), que também determina o fim do voto secreto em qualquer circunstância.

A proposta do parlamentar tucano já foi aprovada em dois turnos no Senado e está em análise em comissão especial da Câmara. Já a do petista só foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda precisaria passar por duas votações em cada uma das casas.

Na manhã e início da tarde desta terça, as lideranças das bancadas discutiram por mais de duas horas para chegar a um consenso em torno de qual PEC seria apresentada. Mesmo que a PEC 349 seja aprovada hoje, o trâmite da PEC 196 prossegue na Câmara.

Segundo as lideranças partidárias, a decisão de manter a tramitação das duas propostas é uma forma da Câmara se resguardar caso o Senado demore a aprovar a PEC 349.

De acordo com o presidente da Casa, a PEC 196 pode ser aprovada em menos de duas semanas. "No dia 18 deste mês ela estará apta a ser votada no plenário desta casa. Esta não impede a votação da outra", disse Alves. Segundo os líderes, o fato de a PEC de Alvaro Dias ter menor alcance do que a outra não impede sua votação. (Com Agência Câmara e Agência Brasil)

Fonte: http://noticias.uol.com.br/