Os ouvintes do canal do Rev.Caio Fábio insistiram para que ele falasse algo sobre David Miranda, e de início ele disse que não tinha nada para falar sobre, mas logo após Caio Fábio solta o verbo sobre o fundador da Igreja Deus é Amor. Veja o vídeo.
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quinta-feira, 12 de março de 2015
terça-feira, 24 de junho de 2014
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
CAIO FABIO É AMEAÇADO POR MALDIÇÃO DE "CRISTÃO": Sou da Igreja Renascer em Cristo e não aceito suas críticas sobre a Te...
Sou da Igreja Renascer em Cristo e não aceito suas críticas sobre a Teologia da Prosperidade
PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS. EU NÃO CONCORDO COM TUDO O QUE O PASTOR CAIO FABIO PREGA, MAS TAMBÉM NÃO ENGULO ESSES QUE VIVEM AMALDIÇOANDO EM NOME DO SENHOR, DIZENDO QUE SÃO DE DEUS. LASTIMÁVEL.
Pastor Charles Maciel Vieira
domingo, 1 de dezembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
domingo, 30 de junho de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
“Traumadeustizados”: Caio Fábio afirma que Deus “se condói do desespero” dos enganados pela religião
Em um misto de crítica e lamento, o reverendo Caio Fábio
publicou em seu site um artigo comentando a postura de cristãos que adotam uma
postura de descrença quanto à igreja, e que automaticamente transferem as
frustrações com a religião para Deus.
Caio Fábio menciona que a origem da frustração e posterior
manifestação de protesto está na imperícia da ministração da palavra feita por
diversos líderes evangélicos: “Como foram enganados pelas ‘sistematizações
perversas’ feitas de textos bíblicos sem contexto e usados por pretexto, agora
usam do mesmo artifício para ‘sistematizar’ as ‘blasfêmias’ de escola dominical
que propalam… Os argumentos são tão idiotas quanto eles próprios foram no tempo
em que criam ‘num deus’ que não é Deus!”, escreveu.
O artigo menciona ainda que muitos dos crentes que se afastam
da fé devido às frustrações com a religião usam “argumentos tolos” para
blasfemar contra o deus pregado como se fosse o verdadeiro Deus.
-São os ateus da Bíblia. De fato são anti-biblos muito mais
do que ateus; posto que todo ateísmo deles se baseia num fato: Deus se revela
na Bíblia, e, portanto, se se prova que a Bíblia tem “imperfeições”, ou que se
tem um choque entre o V.T. e o Novo, então… ambos são mentira; e, assim, “Deus”
é negado – contextualiza Caio Fábio, lembrando que supostas contradições
bíblicas apontadas na Bíblia são usadas por insatisfeitos como argumento e
ressaltando que isso não diminuiria Deus em hipótese nenhuma.
Nesse contexto, Caio Fábio afirma que a revolta de cristãos
frustrados com a religião é compreendida por Deus, que “se condói de cada
desespero humano vinculado ao engano sofrido na ‘religião’, tanto a do engano
ladrão, quanto a do ensino ‘montado’”.
Para ele, essas pessoas “precisam de tempo até que eles
mesmos vejam que o ‘ateísmo’ deles é ainda uma versão religiosa da negação!”.
Confira abaixo, a íntegra do artigo “Aos meus queridos irmãos
‘ateus’ ou aos ‘traumadeustizados’”, de Caio Fábio:
Quase tudo o que vejo de uns tempos pra cá na Internet é,
SUPOSTAMENTE, “blasfêmia”!
São “ateus” que um dia foram “crentes” ludibriados, e que,
agora, vazam sua raiva e ressentimento contra tudo o que se chame Deus!
Com o advento das comunicações de nível global, e com o que a
religião no ocidente vem fazendo — num espetáculo de blasfêmia quase sem
precedentes históricos — e que se tornou escândalo mundial [...], os que antes
“obedeciam por medo”, hoje levantam as mãos aos céus em acusações contra “Deus”
— que, no caso, é apenas uma “projeção” da religião do engano.
Sim, para esses e outros igualmente doentes de ódio e
amargura, a sua atual expressão de descrença supostamente encontra na Bíblia
seu maior argumento.
Como foram enganados pelas “sistematizações perversas” feitas
de textos bíblicos sem contexto e usados por pretexto, agora usam do mesmo
artifício para “sistematizar” as “blasfêmias” de escola dominical que propalam…
Os argumentos são tão idiotas quanto eles próprios foram no
tempo em que criam “num deus” que não é Deus!
Agora, por causa disso, usam os argumentos tolos dos
fundamentalistas para blasfemar contra Deus. São argumentos expostos em fotos
montadas e em tirinhas, os quais são bobos desde o tempo em que a bobeira
nasceu na cabeça dos “teólogos” da Bíblia inerrante em suas concordâncias
verbais, em genealogias, e, sobretudo, na suposta coerência total entre o Velho
Testamento e o Novo.
São os ateus da Bíblia. De fato são anti-biblos muito mais do
que ateus; posto que todo ateísmo deles se baseia num fato: Deus se revela na
Bíblia, e, portanto, se se prova que a Bíblia tem “imperfeições”, ou que se tem
um choque entre o V.T. e o Novo, então… ambos são mentira; e, assim, “Deus” é
negado, enquanto é apresentado com a cara do “Moisés” de Miguel Angelo.
Na realidade a blasfêmia dos bichinhos não ofende nem a mim,
quanto mais ao Deus que é, e que entende e se condói de cada desespero humano
vinculado ao engano sofrido na “religião”, tanto a do engano ladrão, quanto a
do ensino “montado”…
Grande é o amor de Deus por esses passarinhos frágeis e de
asinhas quebradas!
Precisam de tempo até que eles mesmos vejam que o “ateísmo”
deles é ainda uma versão religiosa da negação!
Mas se houver briga, discussão e se alguém vier a tomar tais
“tolas blasfêmias” como coisa séria demais, aí sim se aprofundará em tais
pessoinhas a necessidade de firmar posição em convicções que não têm
profundidade e nem inteligência de qualquer natureza.
São “ateus” google!
Tenho muito a dizer a esses “irmãos ateus”, pois, sei que são
apenas traumadeustizados!
Também sinto a dor da jovenzinha que se suicidou em razão de
ter sido perseguida em casa pelo seu “ateísmo”, o qual, de fato, é tudo menos
ateísmo; sim, é um ateísmo do qual eu sofro sem perder a fé a minha vida
inteira.
“Desse Deus” que eles agora denunciam, sinceramente, eu
sempre descri!
Mas estou muito gripado e passando mal… Prossigo amanhã!
Com amor,
Caio
Por Tiago Chagas, para o Gospel+
sexta-feira, 3 de junho de 2011
BATALHA ESPIRITUAL - Pr.Caio Fabio - 9ª Parte
Discernindo os Elementos da Fé Cristã
"(...) se declaram judeus, e não são, sendo antes sinagoga de Satanás." (Apocalipse 2:9b).
"Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão." (Apocalipse 13:11).
Estamos entrando, neste capítulo, num terreno onde todo cuidado é necessário, porque a terra é santa, sendo preciso todo cuidado quando se abordam aspectos relacionados às entidades que representam a fé cristã.
Tais entidades podem começar com propósitos maravilhosos e com ideais de serviço ao Reino de Deus, mas, no curso do tempo, mudarem sua natureza, pervertendo-se e "se demonizando". Essa é a terrível sutileza que pode acontecer-lhes.
Os dois textos acima dizem que, para nós cristãos, não é importante saber o que as entidades dizem sobre si mesmas. Jesus diz, acerca delas, que "(...) se declaram judeus, e não são, sendo antes sinagoga de Satanás". O que as entidades dizem sobre si mesmas não é importante, mas, o que elas são.
Por outro lado, se o que elas dizem sobre si mesmas não é importante, também com o que elas se parecem não o é. João, no livro do Apocalipse, fala da besta que emerge da terra, que é o poder religioso que abençoa o estado corrupto e "demonizado". João nos diz que tal besta se parecia com o Cordeiro, tendo Suas feições, mas o seu discurso, o que dizia, característico do dragão. Isso é muito sério, principalmente porque nossa tendência é ficarmos muito impressionados com esses dois aspectos - com o que falam e com o que se parecem. A Bíblia nos diz que o que elas dizem não importa, mas o que elas são de fato; e com o que elas se parecem também pouco importa.
Há um conceito absolutamente fundamental quando uma instituição, quando uma entidade, seja ela uma igreja, seja ela uma entidade de qualquer outra natureza, "se demonizam" e se pervertem em seu caminho, rendendo-se às influências malignas dos principados e das potestades. O conceito é simples e é basicamente este: sempre que qual- quer coisa ou qualquer instituição torna-se um fim em si mesma, fugindo assim a seu propósito original, ela "se demoniza". A VINDE pode "demonizar-se" daqui há algumas gerações adiante. A igreja que freqüentamos pode "demonizar-se", a nossa denominação pode "demonizar-se", dezenas de missões evangélicas no passado "se demonizaram". Nós não estamos falando novidade alguma com relação à possibilidade de que daqui para frente tais coisas aconteçam. Imaginemos o que ocorreu com a Igreja Católica Apostólica Romana original. Fora ela uma Igreja maravilhosa, com raízes apostólicas, com gente santa... Porém, dois séculos depois essa instituição se obscurece, enchendo-se de trevas e pervertendo-se, na Idade Média.
Para mim, um dos exemplos mais dramáticos disso é o Santo Sepulcro, local onde se celebra a crucificação de Jesus e Sua ressurreição, com possibilidades históricas as mais prováveis de que aquele seja o lugar, geográfica e geologicamente falando, em que Jesus ressuscitou. Sempre que entro naquele lugar não me sinto bem. É um cenário cheio de idolatria, obscuridade, com um clima espiritual de morte, mas não da morte que passa de si mesma para a vida, porém morte em si mesma, morte como aniquilamento final. É muito comum cristãos irem àquele lugar. Eles vão até lá alegres, mas, quando ali entram, levam um susto tremendo. Eu digo sempre que isso é um exemplo do que ocorreu com a serpente de bronze no deserto, a qual Moisés fez para que, ao olharem para ela, as pessoas que tivessem sido mordidas de cobras fossem curadas (Números 21:9). Essa mesma serpente de bronze, que no passado fora bênção, transforma-se em maldição, tendo que ser destruída (II Reis 18:4).
O interessante é que um lugar histórica e geograficamente tão significativo quanto aquele tenha conseguido se transformar em algo tão obscuro e, às vezes, até cheio de presença espiritual maligna.
Se isso pôde ocorrer com a montanha do Calvário, o mesmo pode acontecer com a nossa denominação, com o lugar mais santo da nossa igreja, e com qualquer coisa que fazemos. A Bíblia está cheia de exemplos que ilustram isso.
A Arca da Aliança simboliza o lugar da presença intensa de Deus. Nela havia exemplares originais das Tábuas da Lei, uma porção do maná e a vara de Arão que florescera (Hebreus 9:4). Tudo isso ocorre por ordem e por instrução divina. Mas, no momento em que essa mesma Arca começa a ser observada e concebida como um fim em si mesma; no momento em que ela começa a tomar conta sozinha do cenário religioso, crescendo na mente das pessoas, tornando-se objeto de culto; quando ela deixa de apontar para a direção para a qual foi destinada, passando a captar para si mesma toda a atenção, ela perde a sua significação. O que Deus faz com ela? Deus "perde" essa Arca. No exílio ela desaparece, nunca mais volta a ser encontrada, o que, possivelmente, salvou os judeus no exílio de se terem transformado num povo idólatra da Arca, uma vez que o templo estava destruído, e Jerusalém fora arrasada. Se eles ficassem com a Arca lá no exílio, talvez a história fosse outra. Deus os salva da Arca, a fim de salvá-los para Ele.
O Templo também foi construído por ordem divina, segundo a arquitetura divina, com instruções minuciosas de Deus. Repentinamente, ele deixa de ser o lugar da presença de Deus, tornando-se um fim em si mesmo, transformando-se no lugar dos negócios, no lugar das jogatinas. Deus o destrói. Ele é reconstruído, na intenção de ser outra vez o lugar da presença de Deus. Perverte-se mais uma vez. Jesus entra nele, exorcizando-o (João 2:13-16). O ato de Jesus de entrar no Templo com azorragues, expulsando dali as pessoas que faziam mau uso dele, é um ato de exorcismo institucional e religioso. Devemos interpretar, portanto, este ato de Jesus, da mesma forma que interpretamos uma expulsão de demônios. Como o exorcismo feito por Jesus não resolveu tudo, o Templo foi destruído depois.
A Sinagoga também foi criada por um movimento de judeus no exílio, em Babilônia, para substituir o Templo, para fazerem dela um local onde a Palavra pudesse ser ensinada, podendo seus filhos crescerem na fé, mantendo-se unidos, além de servir como um centro de promoção cultural do judaísmo, sendo um local de reflexão e de oração. Isso acontece. Depois, transforma-se num fim em si mesma, mais importante do que Deus. Pela sinagoga, pessoas são perseguidas e mortas. Paulo, por exemplo, sofre barbaramente as intervenções impiedosas e intolerantes daqueles que eram os líderes da Sinagoga. Em Apocalipse 2:9b se diz, como que resumindo isso, que tais pessoas "se declaram judeus, e não são, sendo antes sinagoga de Satanás".
A Igreja, em Apocalipse, já recebe advertências de Jesus quanto ao risco de ela "se demonizar", perdendo seu alvo, seu rumo, seu propósito, ensimesmando-se, voltando-se para si própria. Quando se lê em Apocalipse 2 e 3 as palavras proféticas de Jesus, confrontando a Igreja, elas revelam a Sua denúncia quanto ao ensimesmamento, quanto à possibilidade de "demonização", na medida em que se vai perdendo o rumo. Jesus diz em Apocalipse 2:5 à igreja de Éfeso:
"Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas."
Com isso, Jesus está dizendo que aquela igreja iria acabar, se continuasse a praticar o que a desviava dos caminhos de Deus.
Ele também diz à igreja de Pérgamo, em Apocalipse 2:16:
"Portanto, arrepende-te; e se não, venho a ti sem demora, e contra eles pelejarei com a espada da minha boca."
A essa igreja, Jesus diz que ela deve se arrepender, a fim de que Ele não venha sobre ela e a destrua.
Jesus diz à igreja de Sardes, em Apocalipse 3:3b:
"(...) Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti."
À igreja de Laodicéia, Ele diz:
"(...) estou aponto de vomitar-te da minha boca." (Apocalipse 3:16b).
Essas expressões todas são fortíssimas e deveriam ser ouvidas com toda a intensidade com a qual foram proferidas, significando exatamente o que elas queriam significar.
A grande questão sobre como começar a entrar na área do exercício do discernimento de quando essas entidades religiosas "se demonizam" começa primeiramente com uma percepção da relação de Jesus com a religião em Israel. Se queremos achar as pistas para discernir a "demonização" institucional, atentemos para a relação de Jesus com a religião em Israel, porque tal percepção nos ajuda a discernir quando a religião "se demoniza".
QUANDO A IGREJA "SE DEMONIZA"
Há quatro pistas que o Evangelho nos dá sobre quando a religião "se demoniza".
A primeira pista é quando a religião aceita o mundo como o mundo é. A religião "se demoniza" quando ela aceita o mundo como o mundo é. Jesus foi chamado de satânico pela religião, porque Ele não aceitava o mundo como ele era. Ele olha para o mundo e diz:
"- Não, não está certo!"
Mas, a religião olha para o mundo e diz:
"- Está tudo bem!"
Há, com isso, um choque tremendo, o qual é verificado em quatro áreas:
1.º . Jesus não aceitou a possessão demoníaca como "status" para ninguém. Jesus olhava para o possesso, para gente oprimida espiritualmente, e expulsava os demônios que os atormentavam. O que aconteceu? Foi acusado de expelir demônios em nome de Belzebu.
"(...) Este não expele os demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios." (Mateus 12:24).
Infelizmente, essa mesma atitude dos fariseus em acusarem Jesus de expelir demônios pelo poder de Belzebu ainda se verifica em muitas igrejas tradicionais. É necessário muito cuidado, principalmente aquele que tem a pretensão de achar-se o grande discernidor de quem é ou não é de Deus, a fim de que não venha a estar afirmando o fato de que prefere ver pessoas quietamente possessas a aflitamente em processo de libertação, em nome de Jesus.
2.º. Jesus não aceitou a normalidade da vida pretensamente "certinha" dos religiosos. Jesus olhou para os fariseus em suas práticas rígidas e formais, com tudo muito certinho e tudo no lugar, e com isso, achando-se com a capacidade de julgar as demais pessoas, de enfrentar o próximo com ar de superioridade, porém vivendo a desgraça de serem mediocremente felizes: felizes por participarem de todas as reuniões da igreja; felizes por sentarem nos primeiros bancos da igreja; felizes por se acharem o exemplo de virtude cristã; felizes por acreditarem que são melhores que os outros. Isso é o farisaísmo. Jesus diz não a isso tudo. Ele procurava justamente os de vida torta, os desviados, os infelizes. Por exemplo, a mulher samaritana:
"Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade." (João 4:16-18)
O gadareno é um outro exemplo. Zaqueu também o é. Jesus - com relação a este último - "escandaliza" a todos, quando diz que vai à sua casa:
"Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua cosa. (...) Todos os que viram isto murmuravam dizendo que ele se hospedara com homem pecador." (Lucas 19:5 e 7).
Jesus escandaliza a todos aqueles que acham que tudo está certo como está, julgando-se eleitos de Deus por vocação e méritos próprios, de modo que, os que não o são, devem ser tratados como pecadores e, como tais, sujeitos à condenação. Esquecem-se das palavras de Paulo:
"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós é dom de Deus; e não de obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9).
Jesus subverte a normalidade farisaica, não se encaixando em padrão algum. Diante disso, dizem que Ele é louco e endemoninhado:
"Ele tem demônio e enlouqueceu." (João 10:20a).
Em uma outra situação semelhante, também O chamam de possesso:
"(...) Tens demônio." (João 7:20).
3.º . Jesus não aceita a "filosofia do Gabrie1à" praticada pelos fariseus. A "filosofia da Gabriela" é aquela que preconiza: "eu nasci assim, vou viver assim, vou morrer assim: Gabriela, sempre Gabriela." Jesus não crê nisso. Isto porque quando a mulher pecadora unge os Seus pés com ungüento e os beija, e os enxuga com os seus cabelos (Lucas 7:37-38) e Jesus lhe diz que os seus pecados estavam perdoados (Lucas 7:48), o fariseu, em cuja casa Ele estava, Lhe diz, julgando definitivamente a mulher:
"(...) Se este [Jesus] fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora." (Lucas 7:39b)
Em outras palavras, o fariseu estava pregando a "filosofia da Gabriela" a Jesus:
"- Tu não sabes que ela é pecadora, e que nasceu assim, e que vive como tal e que vai morrer no pecado? Ela é uma prostituta! Tu não sabias? Não tem jeito, não!"
Quando observamos mais atentamente os Evangelhos, verificamos que a "filosofia da Gabriela", embora afirmada e reafirmada diariamente pelos fariseus, é contrariada na mesma proporção por Jesus. E porque Ele age assim, é chamado de blasfemo:
"Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?" (Marcos 2:7).
Porque Jesus diz que as pessoas podem mudar, que não há ninguém que esteja debaixo de opressão que não possa ser liberto, Ele é acusado de blasfemo. Freqüentemente, ouço pessoas, em muitas igrejas evangélicas, dizerem:
"- Não sei por que se gasta tanto dinheiro com esse tipo de gente irrecuperável! Uma vez drogado, sempre drogado. Uma vez prostituta, sempre prostituta."
Há muitas igrejas que pensam assim, infelizmente. Acreditam que "pau que nasce torto morre todo".
4.º . Jesus não aceita que ninguém passe fome ou necessidade em dia santo. Por causa disso, Jesus foi acusado de transgredir a Lei, juntamente com os Seus discípulos:
"Por aquele tempo, em dia de sábado, passou Jesus pelas searas. Ora, estando os seus discípulos com fome entraram a colher espigas e a comer. Os fariseus, porém, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado." (Mateus 12:1-2)
Quando a Igreja se torna realista demais, é um perigo. Nós somos chamados à inconformação radical. Paulo diz:
"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:1-2).
Segundo o apóstolo Paulo, tudo é mutável, se a graça de Deus está operando. É imprescindível haver utopia, sonho, projeto, esperança e paixão. É imprescindível, sobretudo, ter a certeza de que Deus no mundo é sempre um Deus agindo e mudando os estados de coisas e as pessoas.
Quando a Igreja aceita o mundo como ele e, alguma coisa a está pervertendo demoniacamente.
A segunda pista é quando a religião tem mais prazer em punir do que em perdoar. Quando isto estiver ocorrendo na nossa igreja, ou na nossa denominação, é porque ela já "se demonizou".
Quando os crentes começam a sentir prazer nas sessões extraordinárias, para as quais toda a igreja é convocada para punir e disciplinar irmãos em pecado, cuidado! Tal igreja pode estar em processo de "demonização". Eu, particularmente, conheço crentes que não perdem a uma sessão de disciplina de sua igreja. Eles faltam à celebração da Ceia, às reuniões de oração, ao culto evangelístico ao ar livre, mas, em dia de sessão disciplinar, lá estão eles, nos primeiros bancos, eufóricos. Cuidado! Há algo demoníaco operando nesse tipo de comportamento. Tais pessoas assemelham-se aos "atiradores de pedra" descritos em João 8. São os especialistas em atirarem pedra, em disciplinar:
"Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanha da em flagrante de adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?" (João 8:3-5).
Pessoas que agem como escribas e fariseus estão fazendo parte de um projeto de religião "demonizada".
O projeto de religião de Jesus não tem prazer em punir, mas em perdoar. O projeto de religião de Jesus tem prazer em dizer:
"(...) Mulher, onde estio aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? (...) Nem eu tampouco te condeno; vai, e não peques mais." (João 8:10b e 11b).
Algum tempo atrás, um amigo contou-me uma história que me deixou profundamente entristecido. Ele contou-me um episódio que se deu numa sessão de disciplina ocorrida numa igreja da qual ele era pastor auxiliar. Disse-me ele que uma determinada moça da igreja aproximou-se do pai, muito envergonhada, e confessou:
"- Papai, eu quero que o senhor me ajude. Porque hoje à noite, voltando da escola, cinco homens me agarraram, levaram-me para um terreno baldio... e me estupraram..."
Essa moça era uma menina de quinze anos de idade. Choraram juntos, pai e filha. A notícia chegou ao pastor da igreja, um homem insensível. Ele mandou chamar o pai da menina e lhe disse:
"- Ouvi dizer que a sua filha foi agarrada atrás de um muro, num terreno baldio... É verdade?"
O pai falou:
"- Não, pastor. Ela foi violentada ..."
O pastor retrucou:
"- Olha, essa história de mulher dizer que foi agarrada e violentada... Eu? Eu não acredito, não! Uma mulher quando quer fechar a perna, não há homem que abra." – e depois arrematou: " - Traga a menina para a sessão da igreja."
Esse meu amigo que me contou essa história me disse que presenciou a tudo isso, como pastor auxiliar, sem voz e sem poder de decisão, vendo 20 homens de cabeça branca, líderes daquela igreja, quase que numa atitude de "masturbação psicológica" perguntarem à menina:
"- Diga-nos aqui, menina. Como foi? Tiraram-lhe a roupa como? Conte-nos como tudo aconteceu."
E as perguntas mais aviltantes possíveis foram feitas à menina. Ela se desfazia em pranto:
"- Não, não foi isso, não! Eu não os vi!... Me agarraram... me bateram... quase arrancaram meu cabelo..."
Sadicamente, aqueles líderes insistiam:
"- Que é isso, menina! Conte-nos como foi de verdade! Pode abrir o coração!"
Meu amigo me disse que num determinado momento, não agüentando mais, ele começou a vomitar, saindo correndo para o banheiro, onde vomitou quase que interminavelmente. Saindo do banheiro, às pressas, foi embora para casa, disse para a mulher e para os filhos que iriam sair daquela cidade. Vendeu tudo o que tinha, comprou passagens para ele e para sua família, mudou-se para um outro país, no qual reside até hoje.
Ele me disse que não suportou mais aquela situação, porque era, pelo menos, a quarta vez que ele presenciava coisas como aquela acontecerem.
Uma igreja assim está tão "demonizada" quanto um terreiro de macumba. Há algo de maligno agindo naquela igreja. Não é o Espírito de Jesus, nem o Espírito da graça.
A terceira pista é quando aqueles que mostram virtudes divinas são vistos como maus, e aqueles que mostram características satânicas são tidos como bons, pela Igreja.
O indivíduo que está cheio de amor, de misericórdia, de compaixão, de bondade, de piedade e de mansidão é escorraçado. Mas, aquele que faz politicagem, que é impiedoso, malicioso, vai obtendo sucesso: diácono, presbítero, presidente de organizações dentro da igreja, etc. Foi o que aconteceu com Jesus. Ele era bondoso, piedoso, misericordioso, amoroso, compassivo, generoso, mas, mesmo assim, O mataram.
"Que mal fez ele? Perguntou Pilatos." (Mateus 27:23a).
Jesus não roubou, não matou, não mentiu, mas viveu a justiça, a verdade, o amor, e o perdão. Mas, por que O mataram? Por inveja, segundo a Bíblia:
"(...) por inveja o tinham entregado." (Mateus 27:18b).
É preciso que olhemos para nossa igreja, para nossa denominação, procurando ver se aqueles que mostram virtudes divinas, portanto sendo piedosos, simples, amorosos e misericordiosos, estão sendo reconhecidos como servos de Deus, ou se estão sendo julgados, enquanto que os que são "mafiosos", espertalhões e oportunistas estão ascendendo aos mais altos escalões do poder eclesiástico. Quando isso ocorre na Igreja, algo diabólico está operando nela.
A quarta pista é quando a continuidade do poder da Igreja se torna mais importante do que a sua abertura para a novidade de Deus. Em João 11:47b-48, é possível verificar os líderes religiosos de Israel verem Jesus ressuscitar a Lázaro e dizerem:
"(...) Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? Se o deixarmos assim todos crerão nele; depois virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a própria nação."
Torna-se evidente que os principais dos sacerdotes e os fariseus - os líderes da religião, portanto - não queriam nem saber que um milagre extraordinário havia sido operado da parte de Deus. O que importa a eles é a continuidade do poder da igreja que, segundo pensavam, estava ameaçada, uma vez que Jesus estava operando milagres dentre as pessoas, as quais criam nEle. Os líderes religiosos da época temiam perder o poder, tendo em vista o crescimento da popularidade de Jesus. Acreditavam que, se O deixassem continuar a fazer milagres, perderiam o seu posto, o seu "status" de líderes.
Vejo isso ocorrer em muitos grupos evangélicos, infelizmente. Ouço pastores que me dizem o seguinte:
"- Olha, pastor Caio, estou preocupadíssimo com essa onda teológica que está vindo por aí! Sabe por quê? Porque ela vai tirar o meu lugar."
Eu respondo da seguinte maneira, quando ouço tais palavras:
"- Meu irmão, quem tem mensagem não precisa ter medo de nova onda alguma. Se você tem mensagem, a sua igreja nunca vai acabar. E se acabar, é porque ela não tem mensagem. E se não tem mensagem, é bom que ela acabe mesmo."
Nós aprendemos nas relações de Jesus com as instituições religiosas nos Evangelhos quando elas se "demonizam", mas também aprendemos com as relações de Paulo com a religião, em que momento a Igreja "se demoniza".
Paulo diz que há dois critérios básicos por intermédio dos quais se deve julgar uma igreja que começa a "se demonizar".
Em primeiro lugar, Paulo nos diz que a Igreja está sendo penetrada, de alguma forma, por algo maligno, quando a consciência pagã determina a compreensão da fé cristã. Quando numa igreja as pessoas são batizadas, participam da Ceia, podendo ter dons espirituais, mas se a visão com a qual estão interpretando o mundo ainda é pagã, correm o risco de se associarem a demônios. Vejamos o que o apóstolo Paulo diz à igreja de Corinto, acerca disso:
"(...) e eu não quero que vos torneis associados aos demônios." (I Coríntios 10:20b).
Paulo está falando a uma igreja. Ele está dizendo em outras palavras:
"- Cuidado, porque pode ser que alguma coisa faça vocês se associarem aos demônios."
O interessante é que no contexto imediatamente anterior Paulo está falando de alimentos sacrificados a ídolos (I Coríntios 10:17-19). Ele fala do perigo de que a igreja não tivesse se libertado da mentalidade pagã do panteão greco-romano, olhando ainda para o ídolo como se em si mesmo ele tivesse algum poder:
"No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo de si mesmo nada é no mundo, e que não há senão um só Deus." (I Coríntios 8:4).
Com isso, Paulo está dizendo que o perigo não está no ídolo em si mesmo - porque ele não é nada -, mas o que está por trás dele. Paulo está dizendo, em outras palavras:
"- Quando vocês, que ainda não se viram livres da mentalidade pagã, comem alimentos sacrificados aos ídolos, com a idéia de que o alimento em si está impregnado de algo demoníaco, o qual, de fato, está, estão-se associando a demônios. Não porque há demônio na comida, mas porque vocês pensam que há, e a comem assim mesmo. Eu como, e não acontece nada, porque como dando graças a Deus, e também porque comida não é nada.
Eu como porque creio que não há demônio na comida, porque se cresse que houvesse demônio no, feijão e no arroz e os comesse assim mesmo, eu estaria estabelecendo uma relação demoníaca com tal alimento."
Paulo alerta para o cuidado que se deve ter quanto a olhar para vida com uma mentalidade pagã. Há pessoas que se convertem, mas que mantêm alguns resquícios pagãos em sua maneira de conceber a espiritualidade. A essas pessoas Paulo diz que tenham cuidado:
"(...) e eu não quero que vos torneis associados aos demônios."
Às vezes vou a algumas igrejas, nas quais algumas pessoas me dizem o seguinte:
"- Pastor Caio, por que o senhor não dá uma 'soprada' hoje, aqui, para que todos caiam?"
Então eu pergunto:
"- Mas... porque, irmão?"
Respondem-me:
"- É porque ontem pregou aqui o pastor 'Fulano de Tal' que não pregou com toda a unção com que o senhor pregou esta noite, mas que soprou e caiu muita ,gente. Se o senhor soprar então, aí é que vai cair um monte de gente mesmo. Ainda mais que o povo está com uma vontade enorme de cair."
Eu respondi:
"- Se Deus quiser derrubar qualquer um enquanto eu estiver pregando, Ele pode fazê-lo, pois Ele é livre. Mas, eu?!... dar tapinha na testa das pessoas para que elas caiam?!... Nunca!"
Creio que Deus pode derrubar pessoas diante do Seu poder, mas me preocupo muito quando vejo tais coisas acontecerem na igreja com muita freqüência ultimamente. Porque, num país como o nosso, no qual as pessoas estão acostumadas a levar passe, preocupa-me que muitas delas - que estão entrando numa fila para receberem tapinha na cabeça, e caírem - estejam substituindo o passe espírita pelo passe evangélico. Amedronta-me que a visão pagã do espiritismo não tenha sido eliminada, e que alguém, oriundo da macumba e do espiritismo, ainda sem muita consciência do que ocorre na igreja, ao ver tal coisa acontecer, interprete-a como o passe evangélico. Paulo nos diz para termos cuidado:
"Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha de algum modo a ser tropeço para os fracos." (1 Coríntios 8:9).
Depreende-se, então, que tal coisa está sendo vista com uma mentalidade pagã. E se é pagã, caiu-se no mesmo espírito sobre o qual Paulo fala em 1 Coríntios 10:19-20:
"Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam, e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios."
É pela mesma razão que me preocupo muito com uma tal visão mágica que algumas pessoas têm de objetos, tais como do lenço, do sal, da água fluidificada, porque, será que no nosso contexto, eles não funcionam apenas como uma cristianização de uma mentalidade pagã, a qual continua estabelecendo os mesmos vínculos idolátricos do passado?
Em segundo lugar, Paulo nos diz que a Igreja está sendo penetrada, de alguma forma, por algo maligno, quando o exagero dita as regras da vida. A luta indômita e freqüente de Paulo durante todo o seu ministério é a do equilíbrio, não deixando nunca que a espiritualidade descambasse para o lado do exagero. Há três batalhas que ele enfrenta para manter o equilíbrio.
A primeira é a batalha do legalismo x liberarismo. Escrevendo a epístola de Gálatas, nós o vermos lidar com irmãos que defendem o legalismo. Já escrevendo à igreja de Corinto - cidade portuária, com prostituição, turismo, beleza - ele alerta quanto à tendência dos seus membros de afrouxarem a vida religiosa, quanto ao cuidado com o "vale tudo" da espiritualidade, quanto a fugir da imoralidade, do adultério, da idolatria.
A segunda é a batalha do racionalismo x misticismo. Paulo diz, escrevendo aos coríntios, que decidira nada mais saber a não ser de Jesus Cristo crucificado, com medo de que a fé cristã se tornasse em algo inteiramente racionalista:
"Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração de Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana; e, sim, no poder de Deus." (I Coríntios 2:2-5).
Em Colossenses 2:18, Paulo nos alerta quanto ao culto aos anjos, diz-nos para termos cuidado com as mentes que se dizem invadidas de visões sobrenaturais:
"Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado sem motivo algum na sua mente carnal."
A terceira é a batalha da pobreza x prosperidade. Em II Coríntios 9:10-11a, Paulo primeiramente fala da igreja da Macedônia que, inicialmente, havia sido pobre, passado por tribulações, dificuldades. Mas, Paulo diz a ela que Deus é Deus de graça, O qual supre abundantemente todas as coisas, interessando-Se em que haja prosperidade, para que, prosperando, ela possa continuar a ser uma igreja generosa, abençoando a vida de outras pessoas:
"Ora, aquele que dá semente ao que semeia, e pão para alimento, também suprirá e aumentará a vossa sementeira, e multiplicará os frutos da vossa justiça. Enriquecendo-vos em tudo para toda a generosidade."
Porém, escrevendo I Timóteo 6:9-10; 17-19, Paulo fala da tendência de os irmãos ricos da igreja de Timóteo estarem pensando apenas em prosperidade:
"Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. (...) Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus que tudo proporciona ricamente para nosso aprazimento, que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro a fim de se apoderarem da verdadeira vida."
Cuidado com o dinheiro e com a ansiedade pela prosperidade material, porque trazem em si mesmos o germe da destruição. Observemos como tais coisas parecem contraditórias: primeiramente ele fala para um grupo que se deve ter confiança em Deus, crendo que Ele é abençoador e, por isso, supre as necessidades de cada um, mesmo na precariedade e escassez de recursos; depois, para um outro grupo, Paulo diz que se deve ter cuidado com a prosperidade, porque ela pode matar.
Heresias são sempre verdades exageradas. Heresias só são perigosas porque partem de pressupostos verdadeiros, mas que foram exacerbados, deturpados, absolutizados e agigantados, obcecando a alma e a mente humana, tirando-lhe o equilíbrio e, por fim, "demonizando-a".
Fonte: Batalha Espiritual - Caio Fabio
Pesquisa: Pr. Charles Maciel Vieira
BATALHA ESPIRITUAL - Pr.Caio Fabio - 8ª Parte
A Batalha Espiritual no Nível Social .
O segundo nível de batalha espiritual é o que se dá na memória social. Os principados e potestades estão condicionados pelo arcabouço social influenciando a sociedade, ao mesmo tempo em que são limitados por ela, muitas vezes submetendo-se ou ajustando-se às circunstâncias sociais.
Para ilustrar tal afirmação, nada melhor do que a história de Gideão, que pode ser resumida da seguinte maneira: Israel plantava trigo, o qual era roubado pelos midianitas (Juízes 6:3), os quais também invadiam a terra, com seu gado e com toda a sua gente, destruindo-a (Juízes 6:5). Deste modo, ninguém mais agüentava plantar trigo, uma vez que os midianitas sempre o roubavam. O povo começou a clamar angustiado diante de Deus, porque plantava e não comia (Juízes 6:7). Deus suscita livramento por meio de Gideão, o qual é visitado pelo Anjo do Senhor (Juízes 6:11), que lhe diz:
"(...) O Senhor é contigo, homem valente. Vai nessa tua força, e livro a Israel das mãos dos midianitas; porventura não te enviei eu?" (Juízes 6:12b e 14b).
Gideão, atemorizado, responde-lhe:
"(...) Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai." (Juízes 6:15).
Gideão enfrenta conflitos interiores, querendo saber se realmente fora ele ou não escolhido para tal missão, pedindo ao Anjo um sinal (Juízes 6:17):
"Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste, eis que eu porei uma porção de lã na eira: se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então conhecerei que hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste." (Juízes 6:36-37).
Gideão recebeu da parte de Deus o sinal pedido:
"E assim sucedeu; porque ao outro dia se levantou de madrugada e, apertando a li, do orvalho dela espremeu uma taça cheia de água." (Juízes 6:38).
Não satisfeito ainda, Gideão pede um outro sinal:
"Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã: que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho." (Juízes 6:39).
Mais uma vez Gideão tem o seu pedido atendido:
"E Deus assim o fez naquela noite: pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor havia orvalho." (Juízes 6:40).
Gideão, então, crê que realmente fora ele designado a cumprir a missão de destruir os midianitas. Gideão convocou a quase todo o Israel para anunciar-lhe o livramento do Senhor (Juízes 6:35). Ajuntaram-se a Gideão 32 mil homens (Juízes 7:3). Mas, o Senhor diz a Gideão:
"(...) É demais o povo que está contigo, para eu dar os midianitas em sua mão; a fim de que Israel se não glorie contra mim, dizendo: A minha própria mão me livrou." (Juízes 7:2).
O Senhor ainda diz a Gideão:
"Apregoa, pois, aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for tímido e medroso volte, e retire-se da região montanhosa de Gileade." (Juízes 7:3a).
Tendo feito Gideão conforme o Senhor lhe ordenara, 22 mil homens voltaram para suas casas (Juízes 7:3b), ficando apenas 10 mil (Juízes 7:3b). Disse mais o Senhor a Gideão:
"(...) Ainda há povo demais: faze-os descer às águas, e ali os provarei; aquele de quem eu te disser: Este irá contigo, esse contigo irá; porém todo aquele de quem eu te disser: Este não irá contigo, esse não irá. (...) Todo que lamber as águas com a língua, como faz o cão, esse porás a parte; como também a todo aquele que se abaixar de joelhos a beber." (Juízes 7:4 e 5b).
Dos 10 mil homens que foram submetidos a tal teste, apenas 300 beberam água em pé, como gente (Juízes 7:6a), acerca dos quais o Senhor falou a Gideão:
"Com estes trezentos homens que lamberam as águas eu vos livrarei, e entregarei os midianitas nas tuas mãos." (Juízes 7:7a).
Entretanto, o coração de Gideão ainda tinha temores, dúvidas e vacilações quanto ao sucesso de sua missão. O Senhor, porém, fala a Gideão:
"Se ainda temes atacar, desce tu e teu moço para ao arraial; e ouvirás o que dizem; depois, fortalecidas as tuas mãos, descerás contra o arraial." (Juízes: 7:10-11a).
Atendendo à ordem do Senhor, Gideão, acompanhado do seu moço - Pura -, desce ao arraial, às escondidas. Chegando lá, "na moita", Gideão ouve dois homens conversarem. Naquele momento, um estava contando ao seu companheiro:
"(...) Tive um sonho. Eis que um pão de cevada rodava contra o arraial dos midianitas, e deu de encontro à tenda do comandante, de maneira que esta caiu, e se virou de cima para baixo, e ficou assim estendida." (Juízes 7:13b).
Depois de ter relatado o sonho, o que o ouvia lhe disse:
"(...) Não é isto outra coisa, senão a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita. Nas mãos dele entregou Deus os midianitas e todo este arraial." (Juízes 7:14).
Ouvindo tal sonho, e sabendo do seu significado, Gideão volta ao arraial de Israel, e diz aos seus comandados:
"(...) Levantai-vos, porque o Senhor entregou o arraial dos midianitas nos vossas mãos." (Juízes 7:15b).
Após ouvir as palavras do Senhor, Gideão cercou o arraial dos midianitas, "(...) repartiu os trezentos homens em três companhias, e deu-lhes a cada um nas suas mãos trombetas, e cântaros vazios, com tochas neles." (Juízes 7:16).
Depois disso, disse-lhes Gideão:
"(...) Olhai para mim, e fazei como eu fizer. Chegando eu às imediações do arraial, como fizer eu, assim fareis. Quando eu tocar a trombeta, e todos os que comigo estiverem, então vós também tocareis a vossa ao redor de todo o arraial, e direis: Pelo Senhor e por Gideão!" (Juízes 7:17-18).
Dispondo, desta forma, os homens para a batalha, Gideão comanda os seus trezentos homens na luta contra os midianitas (Juízes 7:19-20), os quais ficam apavorados, e que, segundo o relato bíblico, dão "a correr, e a gritar, e a fugir." (Juízes 7:21b).
Gideão alcança a vitória com uma minoria que lutou em nome do Senhor.
Essa narrativa sobre Gideão apresenta-nos uma luta de potestades. Primeiramente, fazem-se presentes as potestades espirituais, as quais se manifestam mesmo naqueles governos que se dizem ateus, não crendo em Deus nem na existência do diabo. Não é por tal descrença que nem Deus nem o diabo vão estar ausentes. Não há nada, nem instância a mais remota possível que não esteja impregnada de realidades espirituais. Não há nenhum fenômeno humano - seja social, seja político – que não esteja penetrado por aquelas realidades. Os fenômenos sociais são mais do que eles realmente aparentam ser. Mesmo uma guerra entre povos está impregnada de forças espirituais.
O segundo tipo de potestade – entendam-se potestades como poderes – que aparecem no episódio de Gideão são as potestades políticas. Elas aparecem logo em Juízes 6:1, representadas pelos midianitas, os quais têm o poder de invadir, de saquear, de matar e de fazer guerra. A outra potestade política é Israel (Juízes 6:2), que não pode tanto, em função do eu é invadido e espoliado. Os midianitas e Israel são potestades porque são poderes.
Nesse mesmo sentido, o Palácio do Planalto, no Brasil, é uma potestade; a Casa Branca, nos EUA é uma potestade; a Casa Rosada, na Argentina, é uma potestade; nesse mesmo sentido a Câmara dos Deputados e o Senado são uma potestade; o Supremo Tribunal de Justiça também o é. São potestades, só que políticas.
A terceira potestade que aparece no episódio de Gideão são as potestades econômicas que se manifestam na luta pelo trigo:
"Porque cada vez que Israel semeava, os midianitas e os amalequitas, como também os povos do Oriente, subiam contra ele. E contra ele se acampavam, destruindo os produtos da terra até à vizinhança de Gaza, e não deixavam em Israel sustento algum, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos." (Juízes 6:34).
Em Juízes 6:11, descobre-se que era o trigo o principal motivo pelo qual os midianitas eram levados a saquear Israel:
"(...) estava malhando o trigo no lagar para o pôr a salvo dos midianitas." (Juízes 6:11b).
Nesse sentido, cada plano econômico é uma potestade; cada pacote econômico é um poder também de natureza espiritual, pois ajuda a determinar a resposta que as pessoas dão a Deus e ao mundo.
A quarta potestade que aparece no cenário da luta de Gideão contra os midianitas são as potestades culturais, que têm a ver com memórias, - símbolos, representações, meios de comunicação.
Em Juízes 6:25, fala-se em Baal, em poste-ídolo, e numa série de outras coisas que já haviam sido incorporadas ao patrimônio religioso-cultural do povo israelita.
É nesse contexto que se dá o chamamento de Gideão para libertar a Israel. A vitória dele precisa ser entendida a partir do sonho do soldado midianita, narrado em Juízes 7:13-14.
Gideão é a expressão do pão roubado, que volta como um bumerangue:
"(...) Tive um sonho. Eis que um pão de cevada rodava contra o arraial dos midianitas." (Juízes 7:13).
A história da região é a história do trigo. O soldado sonha com o pão que é feito com o trigo que é roubado por ele mesmo. O que ele começa a sentir é culpa, a qual começa a ocupar a sua mente, até mesmo quando dorme, em sonhos, em pesadelos, fragilizando-o, não só a ele, mas a todos que estão no arraial dos midianitas.
Embora sempre invadindo, saqueando, roubando, matando e usurpando, tais atitudes começam a fazer mal aos midianitas, que sabiam no íntimo de seus corações que seria o próprio pão, feito com o trigo roubado por eles, que os destruiria. Tal qual um bumerangue que é arremessado por uma pessoa, mas que volta ao mesmo ponto de onde foi lançado. É algo que vai, mas que volta. O pecado é assim também.
A Bíblia diz que a planície entre a fonte de Harode até o outeiro de Moré (Juízes 7:1) estava cheia de midianitas, amalequitas e de povos do Oriente para saquearem a Israel, mais uma vez:
"Os midianitas, os amalequitas e todos os povos do Oriente cobriam o vale como gafanhotos em multidão; e eram os seus camelos em multidão inumerável como a areia que há na praia do mar." (Juízes 7:12).
Mas, segundo a Palavra de Deus, quando os trezentos homens de Gideão gritam "Espada pelo Senhor e por Gideão!" (Juízes 7:20b), eles saem "a correr, e a gritar, e a fugir." (Juízes 7:21b).
Foi o Espírito Santo que infundiu medo no coração de toda aquela gente apavorada que corria gritando, desesperadamente. Mas o Espírito do Senhor utilizou um fenômeno psicossocial: uma culpa acumulada durante anos a qual os fragilizou.
O que aprendemos no episódio da luta de Gideão contra os midianitas, que pode nos ajudar a discernir a atuação de principados e potestades na memória social de um povo?
Em primeiro lugar, aprendemos que a culpa social sempre se volta sobre a sociedade responsável por ela. Quem viver ainda verá os sérvios se autodestruindo: ninguém que violenta mães na frente de seus filhos; ninguém que rouba, mata e estupra crianças passará impune sem que tais ações se voltem sobre suas próprias cabeças. Ninguém também assola, ninguém mata, ninguém rouba, ninguém adultera, ninguém explora sem que todos esses pecados e suas conseqüências voltem sobre quem os praticou. Podem até demorar, mas sempre voltam.
Em segundo lugar, aprendemos que a culpa social pode transformar-se em inconsciente coletivo. A sociedade que está praticando injustiça, perversão, idolatria, iniqüidade vai sendo penetrada em seu inconsciente por tais coisas, redundando em sonho, pesadelo, suor frio à noite, em noite mal dormida, em estresse noturno, que vai minando, fragilizando a mente humana.
Uma das coisas mais curiosas para mim seria poder fazer uma pesquisa sobre com o que os brasileiros sonham.
Em terceiro lugar, aprendemos que a culpa social pode transformar-se em consciência coletiva. Há uma culpa que se acumulou, indo para o inconsciente, mas que volta numa consciência esmagadoramente poderosa e fragilizante. O sonho do soldado midianita é inconsciente (Juízes 7:13b), mas, de repente, transforma-se em consciente, porque ele sonhou, e lembrou-se do que sonhou. Às vezes, o indivíduo acorda mal-humorado, e não sabe o porquê; trata mal a mulher, e também não sabe o porquê; bate nos filhos, e não sabe o porquê; tem vontade de matar o vizinho, e não sabe o porquê; olha para a empregada com culpa, e não sabe o porquê; se é empresário, vê o seu empregado triste, desmotivado, e não sabe o porquê. Mas chega uma hora em que todos esses motivos obscuros saem do nível do inconsciente, voltando ao nível da consciência.
A prova de que o sonho do soldado midianita já tinha se tornado numa obsessão, num pesadelo na cabeça de todos eles, é que ao contar o sonho, o que o ouvia interpreta-o de imediato:
"(...) Não é isto outra coisa, senão a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita. Nas mãos dele entregou Deus os midianitas e todo este arraial." (Juízes 7:14).
O sonho do soldado era o mesmo que povoava a mente de todos os soldados midianitas, de modo que, quando um sonhou, o outro teve logo a interpretação:
"- Sonhei com um 'pão-bumerangue', que dava sobre a tenda do comandante e a derrubava ao chão."
"- É Gideão, que vem sobre nós para destruir-nos."
As potestades espirituais, sejam elas boas, sejam elas más, agem no espaço de fragilidade da sociedade, tornando-a extremamente vulnerável. Quando a sociedade chega a esse ponto, tudo pode acontecer. Se gritarem "(...) Pelo Senhor e por Gideão!" a sociedade cai; mas, se gritarem "Por Chico Xavier!", ela também cairá. Quando a sociedade chega a esse ponto, é a hora de a Igreja discernir as forças espirituais que estão agindo no ambiente social onde ela está inserida, anunciando o Reino e a Salvação de Deus, em nome de Jesus.
No caso de Gideão, é um Anjo do Senhor que está à frente. Mas, no caso dos alemães, na época da 2.ª Guerra, foram potestades diabólicas, que arregimentaram o pais inteiro para matar e nem sentir que matava. No Rio de Janeiro, atualmente, estamos presenciando as duas frentes: de um lado, estão as potestades diabólicas agindo com um poder avassalador de morte; de outro, porém, muitas e muitas almas se convertendo; sambistas e macumbeiros indo a Jesus. É hora de ver quem é que vai gritar mais forte.
O que é preciso ter é convicção de que o Brasil está maduro. As pessoas estão sonhando, porque a iniqüidade se acumulou. O tempo chegou. É hora de gritarmos forte "Por Jesus e pelo Senhor!", e todas as demais forças cairão, em nome de Jesus.
É por isso que a Bíblia diz que o pecado não encheu ainda a medida de certos povos (Gênesis 15:16b). Eu, particularmente, não entendia isso.
Algum tempo atrás, Israel assinava o acordo de paz com os palestinos. Naquele episódio, via a ironia da História: primeiro, Israel vence ao forte, quando era fraco; sente-se fortalecido com isso, até mais do que deveria realmente ser. Em contrapartida, os palestinos começaram a fazer guerrilhas e mais guerrilhas, até que desistem. Os jovens palestinos vão para as ruas e começam a atirar pedras (é a história de Davi e Golias, ao contrário: Israel é Golias e os jovens palestinos, Davi). Jogaram tantas pedras, que Israel assinou o acordo com os palestinos. Fora mais fácil para Israel enfrentar guerrilhas e guerrilheiros do que pedradas de jovens desarmados.
No Brasil, já chegou o tempo. É hora de aproveitarmos, porque esse tempo vai, esse tempo vem, mas, às vezes, não volta. Assim como as consciências se sensibilizam, as consciências sociais também se petrificam. Chegou, portanto, o momento de gritarmos pelo Senhor Jesus, aqui no Brasil, enquanto as consciências estão sensíveis.
A Batalha Espiritual no Nível Cultural
Em Marcos 5:1-20 é narrada a história do endemoninhado gadareno. Ao atravessar o mar da Galiléia, chegando à cidade de Gadara (Marcos 5:1), vem ao encontro de Jesus um homem possesso de espíritos imundos (Marcos 5:2). Segundo o próprio texto bíblico, tal homem "vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebrados por ele e os grilhões despedaçados e ninguém podia subjugá-lo" (Marcos 5:3-4).
Ao defrontar-se com Jesus, Este lhe falou:
"(...) Espírito imundo, sai desse homem!" (Marcos 5:8b).
O endemoninhado retrucou:
"(...) Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes." (Marcos 5:7).
Jesus, em contrapartida, pergunta ao espírito que fala:
"(...) Qual é o teu nome?" (Marcos 5:9a).
E o espírito Lhe responde:
"(...) Legião é o meu nome, porque somos muitos." (Marcos 5:9b).
Então, ao serem ordenados que saíssem daquele homem, os espíritos Lhe rogaram "encarecidamente que não os mandasse para fora do país." (Marcos 5:10).
Mas, por que os demônios suplicaram a Jesus que não os mandasse para fora daquele país? Porque haviam se especializado em infernizar gadarenos, conhecendo sua antropologia, sua história, sua cultura.
Os demônios, então, pediram-Lhe que os deixasse entrar nos porcos que pastavam por ali. Jesus o permitiu.
E, saindo do corpo daquele homem, os demônios dirigiram-se a uma manada de porcos, que, conforme a Bíblia, era constituída de aproximadamente dois mil porcos (Marcos 5:13), os quais, infestados de espíritos malignos, precipitaram-se "despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram." (Marcos 5:13).
Os porqueiros, ao verem o que acontecia, entram em pânico. Uma "lei econômica" que Jesus estabelece é que a propriedade privada precisa ser respeitada até o ponto em que a sua manutenção não esteja destruindo a vida humana. Quando se chega a tal ponto, a propriedade privada tem de ser usada para salvar vidas.
Os porcos se precipitam no mar, morrendo afogados. Os porqueiros ficam apavorados, porque do ponto de vista econômico, eles sofreram uma grande perda.
Indo ao encontro de Jesus, os porqueiros "viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram." (Marcos 5:15).
E, vendo isso, pedem a Jesus que Se retire daquela cidade (Marcos 5:17), porque eles não conseguiam viver com a lucidez.
O que é que se pode aprender com essa história, que, embora sendo a história de um homem, ela é mais do que isso: ela é a história de uma cultura, de uma sociedade.
A primeira é que as dez cidades - Decápolis dentre as quais Gadara (ou Gerasa) - haviam sido fundadas por Alexandre, o Grande, daí sua origem grega (Decápolis), as quais foram ampliadas pelos seus sucessores, ficando no meio dos reinos que sucederam o reino de Alexandre (acerca dos quais já se falou no capítulo anterior), ou seja, ao norte a Síria, onde ficava o reino dos Selêucidas, e o outro ao Sul, no Egito, onde era o reino dos Ptolomeus. Decápolis ficava entre esses dois reinos, portanto, Gadara também. Daí, quando houve desentendimento entre os selêucidas e os ptolomeus, Gadara também se tornou campo de batalha. Ora esta cidade ficava sob o domínio dos selêucidas, ora sob o domínio dos ptolomeus. E, depois de estar alternadamente sob o jugo selêucida e sob o jugo ptolomaico, ocorre a Revolta dos Macabeus, ficando agora Gadara sob o jugo judaico. Depois desse período de domínio judaico, apoderam-se de Decápolis os romanos, que impõem sua língua, seu regime de governo, suas manifestações religiosas, suas leis, enfim, uma nova cultura. Nesse período de domínio romano, dá-se uma nova revolta dos judeus, a qual é sufocada, e o governo daquelas dez cidades é dado a Herodes, que começa a fazer obras "faraônicas" em todas elas. Depois desse período de governo de Herodes, o próprio César, o Augusto, toma o poder.
O Novo Testamento alterna o nome da cidade do "gadareno", ora chamando-a de Gadara, ora chamando-a de Gerasa. Mas é esta última que nos ajuda a entender a mensagem do texto em questão. Trata-se de uma curiosidade interessante sobre o nome Gerasa. Ele vem do hebraico "Gers", que significa expulsar, tirar de dentro, expelir. Isso reflete toda a conturbada história sócio-política não só daquela cidade, como também das outras nove. Porque com todo "entra-e-sai" das forças que disputavam o poder naquela região, criou-se uma cultura de possessão. Portanto, a cidade de Gerasa (ou Gadara) tem um nome que desenvolve e denuncia tal estado de coisas, qual seja, o de possessão. Era uma sociedade que "se acostumara" à invasão, à possessão. Na cidade de Gerasa - que tem uma cultura que assimilou e que absorveu a idéia da possessão política, econômica, social - o diabo usa esse estado de coisas. Com isso se aprende que os fenômenos sócio-político-econômicos não são estanques, mas que podem ser manipulados por forças espirituais para esmagarem seres humanos, espiritualmente.
A história do gadarenos ajuda-nos a compreender que havia naquela cidade uma cultura de possessão. Porque as sociedades, quando adoecidas, "abrem a porta" para o diabo entrar nelas, e agir nas mentes humanas.
Observe-se que há uma cultura entre a cidade e a possessão, uma vez que há uma relação estranha e doentia entre a cidade de Gerasa e seu possesso "de estimação". Como se sabe disso? A Bíblia nos diz que ele vivia nos sepulcros (Marcos 5:3), mas não morria de fome. Por quê? Porque aparecia sempre um pratinho de comida, um pedaço de pão, uma garrafa d'água ou de vinho ao lado da sepultura toda manhã. A sociedade dos gerasenos mantinha o possesso, a "besta". A cidade fazia cadeias para serem quebradas, porque a Bíblia diz que grilhões e cadeias eram postos nele, os quais eram quebrados (Marcos 5:4). Eu, pessoalmente, não acredito na resistência daquelas cadeias e grilhões que lhe eram postos. Isto porque, se se quiser fazer corrente resistente para possesso algum quebrar, isso é possível. Quebra-se o braço; a corrente não. Porque até a possessão demoníaca tem limites, que é o limite físico da resistência do osso de um possesso. O possesso fica com uma força sobre-humana, enquanto o osso agüenta. Por exemplo, uma menina possessa, às vezes, consegue jogar ao chão dez ou quinze homens; mas não joga cinqüenta. Mesmo o poder diabólico agindo no corpo humano, tem um limite, que é o limite do corpo.
No entanto, para o endemoninhado gadareno eram feitas correntes para serem quebradas por ele. De alguma forma há uma mórbida situação de contentamento em se ver o possesso quebrar as correntes. Os moradores daquela cidade não conseguiam quebrar as correntes sócio-político-econômicas dos povos que os invadiram, mas há um dentre eles que consegue quebrar todo tipo de corrente, num "espetáculo de liberdade".
A cidade tem uma relação doentia com o possesso, porque ela o quer possesso. No momento em que Jesus "despossessa" o possesso, seus moradores ficam aborrecidos, porque Jesus acabou com o seu "espetáculo".
Aprende-se com isso que, de algum modo, as sociedades precisam de seus possessos, de seus loucos, de seus doentes. As sociedades não podem sofrer a sua própria violência, a sua própria impotência, a sua própria frustração sem uma válvula de escape. Torna-se imprescindível que haja o gadareno, e muitos "loucos" para que outros possam se achar normais.
Não se pode viver sempre com ódios revolucionários. Por isso tem que se vazar toda a frustração social, política, econômica, cultural, emocional e sexual de todo tipo num ser que carrega em si toda a nossa miséria e amargura.
A Igreja também precisa de seus doidos, para se sentir mais normal. Quando estão todos normais, ninguém gosta, sendo preciso haver um maluco, para que todos possam conversar teologicamente, doutrinariamente, metodologicamente, etc. Aparecem, então, os loucos, os possessos, os monstruosos, os suicidas, os hereges e os charlatães.
Se se quer entender quais são as potestades que estão operando na cultura brasileira, não é preciso fazer pergunta a endemoninhado:
"- Qual é a potestade que está atuando no Brasil? Fala, demônio!"
Não é preciso nada disso! Basta ouvir Raul Seixas. Por quê? Porque quando se fala nele, fala-se de tantos outros que estão vazando loucura. Nas suas músicas, ele diz um monte de esquisitices, mas que muita gente gosta. E um dado interessante sobre ele, que é um "gadareno cultural" do Brasil: quando ele estava vivo, as pessoas lhe estavam dando "pratinho", "corrente" para ele quebrar, etc. Até que ele morreu e transformou-se em ídolo. Talvez seja ele a primeira pessoa na nossa cultura, a tornar-se ídolo depois de morto no Brasil.
É um fenômeno quase que religioso. Por quê? Muitas pessoas da nossa sociedade, quando ele estava vivo, davam-lhe o "pratinho", sustentando-o. Ainda que não houvesse muita identificação entre ele e a sociedade que o mantinha, era importante a sua existência. Quando ele morre, não havendo mais a possibilidade de projetar nele tudo o que ela queria, a sociedade começa a cultuar a sua memória, para mantê-lo vivo, porque ele precisa estar vivo, com toda a sua loucura, a fim de que a sociedade possa se sentir um pouco mais sã.
Dentro da Igreja evangélica brasileira esse mesmo fenômeno está acontecendo.
A história do gadareno também nos ajuda a discernir a relação entre a dimensão sócio-política e suas conseqüências espirituais sobre a vida dos indivíduos. As situações sócio-políticas têm suas conseqüências e implicações na vida espiritual das pessoas. Observe-se que todo drama sócio-político-cultural de toda a cidade de Gadara afeta a vida do indivíduo. Talvez aquele endemoninhado tivesse nascido uma pessoa sensibilíssima; podia ser o maior poeta, ou o maior músico daquela cidade. Geralmente, o diabo esmaga as pessoas mais sensíveis. Raramente se vê um indivíduo bruto, possesso. Quase sempre é uma alma sensível que cai nas mãos do diabo. Ele vê aquilo que ninguém vê; sente o que ninguém sente. Desde pequeno, algo estranho começa a nascer dentro dele. Sentimentos de frustração e de amargura vão brotando no seu interior, fragilizando-o. Até que o diabo usa essa fragilidade individual da personalidade, das emoções, da auto-imagem, entrando dentro dele, destruindo sua vida, até o dia em que Jesus chega e diz:
"- Sai dele, espírito imundo!"
Libertando-o do diabo e dos demônios que estavam dentro dele, Jesus o desoprime de toda carga maligna que estava sobre ele.
Não adianta dizer que se vive com Deus e com Jesus - aqui no Brasil - e dizer que não se dá a mínima importância aos acontecimentos sociais, culturais, políticos e econômicos, porque se é de outra esfera. Não adianta dizer isso. Agindo assim, algumas pessoas tentam negar que vivem no Brasil.
Certa vez um pastor me falou que não conseguiu ficar numa certa igreja, porque ele tinha que fazer um "suicídio intelectual", uma vez que, ao chegar lá, um irmão, líder da igreja, dizia assim, no início do culto:
"- Irmãos, vamos repetir: No meu país não tem inflação! No meu país não tem inflação! No meu país não tem inflação! No meu país não tem inflação! Meu dinheiro não corrói! Meu dinheiro não corrói! Meu dinheiro não corrói! Meu dinheiro não corrói!"
Tal pastor ficou naquela igreja durante um ano, ouvindo essas coisas. No entanto, naquele período, 30% de inflação ao mês. E a coisa piorou mais ainda quando aquele mesmo irmão, líder da igreja, começou a dizer assim:
"- Olhe para a sua mulher e diga: Minha mulher é bonita. Minha mulher é bonita. Minha mulher é bonita. Minha mulher é bonita."
Aquele pastor me disse que, se a relação era a mesma, em que ele dizia que não havia inflação, mas havia, e se aquele irmão está mandando dizer que a nossa mulher é bonita, é porque, de fato, não é.
De outra vez, conversando com um empresário, ele me disse:
"- Eu nem quero saber mais! Não quero saber de coisa alguma. Eu não estou nem aí para o Brasil. Eu estou vivendo bem, sem conseqüência alguma da crise."
Essa conversa foi algum tempo atrás. Outro dia, conversando com o mesmo empresário, ele já não se sentia o mesmo. Por quê? Porque nenhum de nós que vive no planeta Terra consegue se desvincular das realidades políticas, sociais e econômicas, vivendo como se elas não trouxessem nenhuma ingerência espiritual à vida. Porque, conquanto sejam de natureza sócio-político-econômica, o diabo usa a conjuntura, as circunstâncias do momento histórico e a espiritualidade que tais forças em conjunto geram para influir na mente e na alma das pessoas, deprimindo-as, desgraçando-as, oprimindo-as, desvalorizando-as em sua autoimagem, "gadarenizando-as" enfim.
O gadareno foi também vitimado pela dimensão sócio-política nas seguintes áreas: ele se feria com pedras por uma sociedade que se odiava por não poder ser livre. Ele quebrava as cadeias de um povo que ansiava por libertação, mas não sabia como tê-la. Ele era a expressão mais livre e organizada e uma sociedade oprimida e desorganizada. Por isso quando Jesus lhe pergunta o nome, os demônios que o possuem verbalizam um outro anseio: legião, a qual era a forma mais organizada de coletividade naqueles dias, que era a legião romana. Ele é o único que denuncia o opressor: os romanos, que estavam no país, mais que eram indesejados ali, mas para os quais ninguém tinha coragem de dizer isso. Só aquele homem, lançando mão do "pré-requisito" de ser possesso, pode falar o que quiser, porque o doido pode falar o que quiser. Até Davi, quando ameaçado de morte, e querendo escapar, fez-se de doido (I Samuel 21:12-14). O gadareno endemoninhado denuncia como o opressor? Quando interrogado por Jesus acerca de seu nome, ele responde:
"- Legião, porque somos muitos."
Ele, com isso, está explicitando dois desejos: o do diabo, ao querer continuar destruindo aquela vida, e o dos romanos, de continuarem ali, exercendo o poder naquela região. O diabo e Roma tinham os mesmos objetivos: oprimir e destruir a vida humana.
Assim, descobrimos que doenças "psicodemoníacas" também podem ser produzidas - pelo menos agravadas - por conflitos de classe, por exploração econômica e política, por conflitos entre tradições que são quebradas, por revoluções, por violência urbana, por impotência humana, por abusos, por culpa, por revolta, por ódio, pela frustração sócio-econômica, e pela corrupção e pela injustiça institucionalizadas. Se vemos tudo isso acontecer no Brasil, tais coisas não acontecem apenas nos níveis em que os sociólogos, psicólogos, psiquiatras, cientistas sociais e políticos, e tantos outros especialistas dizem estar acontecendo; mas elas criam cunhas, que lascam, abrindo passagens para dentro da espiritualidade geral do país, oportunizando ao diabo, por tais vias, embrenhar-se por elas, a fim de arruinar a alma das pessoas.
A melhor maneira de discernir os espíritos que operam numa sociedade é mediante a compreensão da cultura nacional. Os demônios nunca se tomam totalmente autônomos em relação à realidade histórica, precisando eles de veículos para se manifestarem. Quando atuam em pessoas, eles querem corpos; quando querem atuar mais amplamente, precisam de culturas, de sociedades, de sistemas políticos e econômicos.
A cidade mais mal sucedida em termos de evangelização no país é Uberaba. A maior parte das cidades brasileiras hoje tem, no mínimo, de 10 a 15% de crentes na população, algumas já chegando a 40%. Anápolis tem um índice elevado, bem como Londrina e Goiânia; alguns municípios do Rio de Janeiro apresentam um índice elevadíssimo de população evangélica. Mas, Uberaba tem em torno de 2% de população evangélica, como sinal da influência espírita naquela localidade.
Uma coisa estranha é que Uberlândia - cidade vizinha a Uberaba - é uma cidade próspera, cuja Igreja cresce, sendo a "Disneylândia" do Triângulo Mineiro, provocando um complexo de inferioridade nos moradores de Uberaba, que pode ser verificado quando se conversa com os seus habitantes:
"- Ah!... Lá em Uberlândia as coisas acontecem... Aqui, não!"
Uberlândia - cuja origem do nome é algo americanizado, portanto de Primeiro Mundo - procede de "Uber", que significa farinha e de "Land" que significa terra; portanto Terra da Farinha. No entanto, Uberaba significa Terra da Farinha Podre. Indagando acerca do significado do nome dessa cidade, encontrei outra significação: "terra da curva do rio não-sei-de-que amaldiçoado" . As significações do nome de tal cidade só traduzem desgraça.
A importância das relações culturais é algo inegável. Não só as de nível nacional, como também as de um bairro, as de um município, as de uma cidade. Por que São Paulo é São Paulo, e o Rio é o Rio? Não há, apenas, quatrocentos quilômetros separando essas duas cidades. Há, também, algo mais que as distingue. Em São Paulo, sente-se uma "coceira" por se ganhar dinheiro; no Rio, sente-se uma vontade de "soltar a franga" e "liberar geral".
Desculpem-me os cariocas!
Eu queria desafiar os cristãos de Uberaba a transformarem a sua cidade de Terra da Farinha Podre em Terra do Pão da Vida, em nome de Jesus.
O que se pode fazer para enfrentar as potestades sócio-político-cultural-econômicas no nível individual?
A primeira é submissão à Palavra. Volte-se para a Palavra, como Jesus o fez: "Está escrito". Livros evangélicos são ótimos, mas nossa fonte de orientação e submissão é a Bíblia, a Palavra de Deus. Se tiver que escolher entre algum livro, fique, sempre, com a Palavra do Senhor.
A segunda coisa para enfrentar essas potestades no nível individual é praticar o bom senso, não se "estupidificando", não pulando do pináculo do templo. Jesus disse: "Não tentarás o Senhor teu Deus".
A terceira é resistir ao diabo. Jesus disse: "Retira-te, Satanás". É necessário falar, repreendendo o demônio, uma vez que isto é feito no nome de Jesus.
Se fizermos essas três coisas - submissão à Palavra, prática do bom senso e resistência ao diabo - ele, o diabo, fugirá de nós, conforme nos diz a Palavra de Deus:
"(...) mas resistí ao diabo, e ele fugirá de vós." (Tiago 4:7b).
Fonte: Batalha Espiritual - Caio Fabio
Pesquisa: Pr. Charles Maciel Vieira
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