terça-feira, 3 de setembro de 2013

Provações são estabelecidas por Deus para abandonarmos a soberba e admitirmos dependência d’Ele, diz pastor Silas Malafaia


Provações são estabelecidas por Deus para abandonarmos a soberba e admitirmos dependência d’Ele, diz pastor Silas Malafaia

As provações são circunstâncias na vida do cristão que fazem parte da caminhada na fé e também, dos planos de Deus para que o fiel se aproxime de Sua vontade. Essas afirmações fazem parte de uma mensagem publicada pelo pastor Silas Malafaia sobre a busca pela vitória.

“Muitos pensam que chegar ao lugar da vitória é como uma loteria. Se derem sorte, chegarão lá; se derem azar, não chegarão. Diante de algum fracasso, alegam que não sabem nem entendem por que não chegaram. A verdade é que, para chegarmos ao lugar da vitória, Deus nos submete a provas”, disse o pastor.

Segundo o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, “a maioria [dos fiéis] deseja alcançar o lugar da bênção prometida por Deus, mas não sabe que, entre o ponto em que se encontra e aquele aonde deve chegar, existe um longo caminho a ser percorrido, e que nesse caminho há difíceis provas propostas pelo Senhor”.

O pastor Malafaia cita eventos relatados pela Bíblia que, segundo ele, servem de referência para compreender o propósito das adversidades: “Em diversos episódios bíblicos, vemos esse tratamento de Deus na vida de homens e mulheres chamados por Ele. O Senhor exige obediência total e propõe recompensas, mas também estabelece testes para provar Seu povo. Assim foi com Abraão, quando recebeu a promessa de uma terra e uma descendência (Gn 12.1-3), e com Israel, quando foi liberto da escravidão no Egito”, listou.

Silas Malafaia afirmou ainda que “Deus permite situações com as quais não conseguimos lidar para reconhecermos nossa fragilidade, esvaziarmo-nos do orgulho e da soberba, dando lugar à humildade, e para admitirmos que dependemos do único Deus, que pode fazer o que ninguém faz”.

Em seu resumo, Malafaia aconselhou: “Diante dessa realidade e das grandes coisas que o Senhor tem para você, não reclame das provações. Deus o está refinando e não vai deixá-lo passar do ponto de refinamento nem permitir que as chamas o destruam. Ele o está mantendo nessa fornalha para purificá-lo, a fim de que a Sua imagem seja mais bem refletida em você. Quando isso ocorrer, o propósito divino se cumprirá, e você chegará ao lugar que Deus lhe prometeu”.

Por Tiago Chagas, para o Gospel+

Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/

O Copo de José (GÊNESIS 44.1-17)


GÊNESIS 44.1-17
O copo de José

Depois disso José deu ao administrador da sua casa a seguinte ordem: — Encha de mantimento os sacos que esses homens trouxeram, o quanto puderem carregar, e ponha na boca dos sacos o dinheiro de cada um. E, na boca do saco de mantimentos que pertence ao irmão mais moço, ponha o meu copo de prata, junto com o dinheiro que ele pagou pelo seu mantimento. O administrador fez tudo como José havia mandado. De manhã bem cedo os irmãos de José saíram de viagem, com os seus jumentos. Quando eles já tinham saído da cidade, mas ainda não estavam longe, José disse ao seu administrador: — Vá depressa atrás daqueles homens e, quando os alcançar, diga o seguinte: “Por que vocês pagaram o bem com o mal? Por que roubaram o copo de prata do meu patrão? Ele usa esse copo para beber e para adivinhar as coisas. Vocês cometeram um crime.” Quando o administrador os alcançou e disse o que José havia ordenado, eles responderam: — Por que o senhor está falando desse jeito? Nós não seríamos capazes de fazer uma coisa dessas! Nós lhe trouxemos de volta do país de Canaã o dinheiro que encontramos na boca dos sacos de mantimentos de cada um de nós. Então por que iríamos roubar prata ou ouro da casa do seu patrão? Se o senhor encontrar o copo com algum de nós, ele será morto, e nós ficaremos seus escravos. O administrador disse: — Concordo com vocês, mas só aquele com quem estiver o copo é que será meu escravo; os outros poderão ir embora. Então eles puseram depressa os sacos de mantimentos no chão, e cada um abriu o seu. O administrador de José procurou em cada saco de mantimentos, começando pelo do mais velho até o do mais moço; e o copo foi encontrado na boca do saco de mantimentos de Benjamim. Então os irmãos rasgaram as suas roupas em sinal de tristeza, colocaram de novo as cargas em cima dos jumentos e voltaram para a cidade. Quando Judá e os seus irmãos chegaram à casa de José, ele ainda estava ali. Eles se ajoelharam na frente dele e encostaram o rosto no chão. Aí José perguntou: — Por que foi que vocês fizeram isso? Vocês não sabiam que um homem como eu é capaz de adivinhar as coisas? Judá respondeu: — Senhor, o que podemos falar ou responder? Como podemos provar que somos inocentes? Deus descobriu o nosso pecado. Aqui estamos e somos todos seus escravos, nós e aquele com quem estava o copo. José disse: — De jeito nenhum! Eu nunca faria uma coisa dessas! Só aquele que estava com o meu copo é que será meu escravo. Os outros podem voltar em paz para a casa do pai.

Fonte: SBB

domingo, 1 de setembro de 2013

Uma filosofia do ministério pastoral


Já que toda a prática é a prática de alguma teoria, é preciso articular claramente a base teológica da prática ministerial. Por isso, uma filosofia bíblica do ministério pastoral é essencial àqueles que servem à igreja.1  Nesse caso, temos outra questão importante, nesse tempo de profissionalização ministerial: é necessária uma filosofia de ministério que reflita as demandas bíblicas do serviço cristão, para estabelecer a base adequada pela qual o ministro e o povo de Deus saberão de forma clara a que tarefa aqueles foram chamados por Deus e separados pela igreja.


Comecemos com o texto bíblico, que afirma: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram. Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre. Não vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas, porquanto o que vale é estar o coração confirmado com graça e não com alimentos, pois nunca tiveram proveito os que com isto se preocuparam. (…) Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. (…) Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” (Hb 13.7-9, 15, 17). A partir desse texto, precisamos perguntar: como podem ser descritas a tarefa dos servos da Palavra, segundo a Escritura Sagrada e ilustrada na história da igreja?

1. Buscam a santidade
Prioritariamente, como o fundamento do serviço cristão, os pastores são chamados a buscar a santidade em tudo o que fazem. Seu alvo supremo é resumido pela primeira pergunta e resposta do Breve Catecismo de Westminster: “Qual o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-Lo para sempre”. Com esse grande alvo, os verdadeiros pastores guiarão suas congregações pelo exemplo, na busca pela glória de Deus e da plena alegria nele. A partir dessa ênfase, podemos resumir a disposição interna dos pastores nos seguintes pontos:

1.1. Os ministros cristãos devem depender do Espírito Santo. O pastor conhece sua incapacidade de salvar um pecador, entende que a conversão é um drama complexo e multifacetado e sabe que a pregação é o único meio para chamar os eleitos à conversão. Sabe a seriedade em pregar a Palavra e administrar os sacramentos da graça diante do povo de Deus. Por tudo isso, a oração constante do pastor será uma súplica, urgente e dependente, para que o Espírito Santo venha com poder sobre sua vida e ministério.

1.2. Por causa da necessidade de dependência do Espírito Santo, os ministros precisam ser homens de oração incessante, que lutam com Deus. Isto lembra a história que se conta de Thomas Shepard, que foi ministro na Nova Inglaterra no século XVII. Por ocasião da transferência de sua residência para outra cidade, ele notou: “Está faltando uma coisa aqui. Onde está o quarto de oração de minha casa pastoral?” Por causa da ausência do quarto de oração, ele sugeriu que ali começava a decadência dos Estados Unidos.2  Os verdadeiros pastores do povo de Deus sabem o que é agonizar na oração, pois sabem que a oração é o meio da graça pelo qual o Espírito visitará o ministério pastoral e a igreja.

1.3. Por causa da busca pelo Espírito, os ministros buscam a santidade em toda a sua vida. Podemos listar os requisitos bíblicos exigidos do pastor: não deve ser arrogante (Tt 1.7); não deve ser dado ao vinho (1Tm 3.3; Tt 1.7); não deve ser violento (1Tm 3.3; Tt 1.7); não deve ser irascível: (Tt 1.7); deve ser inimigo de contendas (1Tm 3.3); não deve ser novo convertido (1Tm 3.6); deve ser irrepreensível (1Tm 3.2; 1Tm 5.7; 6.14; Tt 1.6, 7), “despenseiro de Deus” (Tt 1.7), esposo de uma só mulher (1Tm 3.2; Tt 1.6), temperante (1Tm 3.2, 11; Tt 2.2), sóbrio (1Tm 3.2; Tt 1.8; 2.2, 5), modesto (1Tm 3.2), hospitaleiro (1Tm 3.2; Tt 1.8), apto para ensinar (1Tm 3.2; 2Tm 2.24), cordato (1Tm 3.3; Tt 3.2), não avarento (1Tm 3.3), não ganancioso (Tt 1.7), deve governar bem a própria casa (1Tm 3.4, 5, 12; Tt 1.6). Deve criar seus filhos com disciplina e respeito (1Tm 3.4), tendo bom testemunho dos de fora (1Tm 3.7), amigo do bem (Tt 1.8), justo (Tt 1.8), piedoso (Tt 1.8); deve exercer o domínio próprio (Tt 1.8), e ser apegado à Palavra (Tt 1.9). Todas essas características são ligadas ao caráter do ministro, descrevendo quem ele deve ser em sua vida privada e pública. Em resumo, pastores buscam ser precisos porque servem a um Deus preciso.

1.4. Diante disso, dia a dia o pastor deve se examinar, fazendo algumas perguntas sérias: Como está sua vida de oração secreta? Ele busca comunhão com o Deus criador e todo-poderoso, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que é comunhão eterna? Será que ele entende que deixar de orar o levará ao desastre? Ele coloca seu coração nas coisas eternas? É sua paixão glorificar a Deus, buscar a santidade e falar contra o pecado?

2. Enfatizam a pregação
2.1. A segunda pergunta e resposta do Breve Catecismo de Westminster diz: “Que regra Deus nos deu para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar? A Palavra de Deus, que se acha nas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos, é a única regra para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar”. Em outras palavras, os ministros cristãos, que entendem que a glória de Deus é o tema central de suas vidas, creem que somente por meio das Escrituras conseguirão glorificar a Deus e se alegrar nele para sempre. Em outras palavras, as Escrituras se tornam a regra de fé (regula fidei) da devoção e da pregação cristã. O ministério pastoral é o serviço à Palavra de Deus (Verbi divini minister).

2.2. Por receberem com seriedade as Escrituras como a Palavra de Deus inspirada e autoritativa, os pregadores devem priorizar a pregação expositiva. Como Heinrich Bullinger falou de Ulrich Zwinglio, os servos da Palavra devem se recusar “a cortar em pequenos pedaços o evangelho do Senhor”.3  A pregação deve ser expositiva, isso é, deve expor com fidelidade a ideia central da passagem pregada. Mas essa pregação também deve ser sequencial, na medida em que o texto é sempre pregado em referência ao seu contexto imediato (o capítulo) e seu contexto mais amplo, que é o livro em que a passagem se encontra e o cânon bíblico como um todo. Por isso, os ministros cristãos devem pregar toda a Palavra de Deus, sequencialmente, pois sabem que somente o Espírito Santo, ligado à Palavra, pode salvar pecadores.

2.3. Ligada à ênfase na pregação expositiva seqüencial, os ministros devem ser pregadores doutrinais. Devem pregar “todo o conselho de Deus” (At 20.27) para o povo. O pregador não deve superestimar a condição espiritual da comunidade cristã. Ele deve sempre voltar às doutrinas cristãs mais básicas, o “cristianismo básico”, ou o “cristianismo puro e simples”: Deus o Pai, o Filho e o Santo Espírito; criação, queda, redenção e restauração; a oração e a devoção; a vida cristã e a lei moral; as principais narrativas e os principais personagens bíblicos. Ano após ano, ele deve voltar às questões mais simples da fé cristã. Mas, a partir daí, deve seguir para as doutrina do pecado e incapacidade humana, de Jesus Cristo, a ordem da salvação (ordo salutis) e as últimas coisas.

Os ministros também precisam se opor ao conceito de graça barata, porque esta não é a graça verdadeira. A graça barata não é a graça salvadora, que é graça custosa, já que Deus entregou seu único Filho para morrer por pecadores. E por isso, graça que exige a totalidade da vida dos que a recebem.4  Os servos da Palavra não diminuem as exigências do Evangelho ao pecador.

2.4. Os ministros da Palavra devem ser pregadores práticos, lidando com os casos de consciência. Eles devem aplicar a Escritura àqueles que ainda estão em seus pecados, aos que estão lutando com alguma doença ou passando pela noite escura da alma, aos que estão em dúvidas, e assim por diante. Como um puritano disse certa vez: “O pregador que é o seu melhor amigo, é aquele que vai dizer mais verdades sobre você mesmo”.5 

2.5. Os ministros da Palavra devem ser evangelistas. Culto após culto, a audiência que se reúne para ouvir a Palavra deve ser chamada, vez após vez, a se converter de seus pecados, a buscar no Espírito Santo a fé e o arrependimento, obedecendo em humildade a Cristo Jesus. Essa ênfase evangelística deve estar presente nas conversas particulares e no trato pessoal no pastor.

2.6. A prática da pregação de Martinho Lutero e de seus amigos em Wittenberg é uma boa ilustração da centralidade da Palavra no ministério cristão. Na Igreja do Castelo (Schloßkirche), no domingo, às 5h, ele e seus amigos pregavam nas Epístolas Paulinas; ainda no domingo, às 9h, pregação nos Evangelhos Sinóticos; e no domingo à tarde, pregação baseada nos temas do Catecismo Menor; nas segundas e terças, pregação nos temas do Catecismo Menor; na quarta, pregação no Evangelho de Mateus; na quinta e na sexta, pregação nas Epístolas Gerais; e, no sábado, pregação no Evangelho de João.6  Aqui temos um bom modelo de pregação numa congregação, onde estilos literários bíblicos diferentes são bem combinados na pregação, e unidos com aulas catequéticas. Por isso, podia se afirmar de Lutero que ele pregava ensinando e ensinava pregando.7  Em outras palavras, o ministro cristão será um “pastor ensinador” (cf. Ef 4.11).8 

2.7. O que Richard Baxter escreveu sobre a pregação afirma a solenidade e seriedade da pregação da Palavra, que é requerida de todo ministro cristão: “Não é coisa pequena ficar em pé diante de uma congregação e dirigir uma mensagem de salvação ou condenação, como sendo do Deus vivo, no nome do nosso redentor. Não é coisa fácil falar tão claro, que um ignorante nos possa entender; e tão seriamente que os corações mais desfalecidos nos possam sentir; e tão convincentemente que críticos contraditórios possam ser silenciados”.9 

3. São doutrinais
3.1. Voltamos-nos agora ao conteúdo da pregação. Comecemos resumindo a convicção do apóstolo Paulo sobre a tarefa dos “pastores ensinadores”. Segundo Paulo, Deus ordena que os ministros encarem com seriedade a preservação e ensino das doutrinas cristãs. As palavras do apóstolo: “Guardando o mistério da fé numa consciência pura” (1Tm 3.9); “Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15); “Retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes” (Tt 1.9); “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina” (2.1).

3.2. Por isso, precisamos considerar o devido lugar da doutrina na estrutura bíblica. Aprendemos nas Escrituras que nosso entendimento doutrinário guia todas as esferas de nossas vidas. Um rápido estudo das epístolas escritas pelos apóstolos Paulo e Pedro ilustram o relacionamento entre a doutrina cristã e a prática cristã, ou, entre aquilo que se deve crer e como se deve viver (credenda e agenda). Por exemplo, em Romanos, temos exposição doutrinal nos capítulos 1 a 11, e exposição prática nos capítulos 12 a 16. Em Efésios, temos exposição doutrinal nos capítulos 1 a 3, e exposição prática nos capítulos 4 a 6. Em Gálatas, temos uma variante ligeiramente diferente: testemunho nos capítulos 1 e 2; exposição doutrinal nos capítulos 3 e 4; e exposição prática nos capítulos 5 e 6. Ainda que essa divisão não seja absoluta, já que Paulo entremeia sua exposição doutrinal com várias aplicações práticas, essa divisão tem sido percebida pelos principais estudiosos das epístolas paulinas. No caso dos escritos de Pedro, só temos uma mudança de estrutura, não de forma. Como se percebe em 1Pedro, vemos uma exposição prática na primeira parte (por exemplo, 1Pe 1.1-12 cf. 1.13-25), seguida das razões doutrinais de tal prática. No que se refere ao evangelho de João, como já se brincou, o tema é dado no prólogo teológico de Jo 1.1-14 – e tudo o mais seria nota de rodapé, no sentido de ser um desdobramento das declarações trinitárias afirmadas naquele texto. Mais uma vez, os ministros cristãos estão comprometidos a pensar teologicamente, já que lidarão com dramas que demandam respostas teológicas. O evangelho de Mateus é estruturado em torno de cinco grandes discursos de Jesus, que formam o eixo pelos quais as narrativas são desdobradas. Na verdade esta estrutura é baseada no Antigo Testamento, na medida em que as narrativas históricas são desdobramentos e ilustrações das bênçãos e maldições pactuais, reveladas e expandidas no Pentateuco; as profecias são as pregações dessas bênçãos e maldições pactuais ao povo da aliança; e os livros poéticos são aplicações concretas e celebração das bênçãos e maldições pactuais.

3.3. O que William Perkins escreveu permanece, ainda hoje, como o resumo do conteúdo da pregação evangélica: “Pregar a Cristo, em Cristo, para a glória de Cristo”.10 

3.4. Por tudo isso, os pastores devem estudar com afinco a teologia cristã, em interação com o passado, mas tentando entender o presente. Eles também precisam se atualizar constantemente. E, a partir do estudo da teologia cristã, os ministros devem construir pontes com as várias vocações e relacionamentos representadas na igreja, testemunhando aos fiéis a força motivadora e impulsora da teologia cristã em nossas relações com as várias esferas da criação. O esforço nesse campo trará grandes recompensas, não apenas à igreja onde tal ministro serve, mas especialmente ao próprio ministro.
Aqui cabe uma palavra de alerta: ainda que a doutrina cristã seja o conteúdo da pregação, essa é determinada pelo texto bíblico. A pregação bíblica é exposição bíblica. As doutrinas cristãs funcionam como sinais que guiarão a pregação cristã. O papel do pregador não é expor a dogmática no púlpito; mas usá-la como guia na interpretação e pregação da Palavra à comunidade cristã.11 

3.5. De outro lado, o alvo do esforço teológico é a glória de Deus. A teologia cristã deve ser estudada e meditada como ato de culto. Como G. C. Berkouwer afirmou, “todos os grandes teólogos começam e terminam a sua obra com uma doxologia!”12  Aqueles familiarizados com a literatura cristã poderão ver esse principio exemplificado nas obras de Irineu, Atanásio, Agostinho, Anselmo, Lutero, João Calvino, Richard Baxter, Jonathan Edwards e Dietrich Bonhoeffer. O esforço teológico não é um fim em si mesmo; a Deus deve ser dada a glória em tal serviço à igreja.

3.6. Até mesmo a oração, a atitude mais básica do cristão, é guiada por nossas crenças doutrinais. Podemos ilustrar isso com a famosa oração de Anselmo de Canterbury, que orou assim: “Não pretendo, Senhor, penetrar em tuas profundezas, pois de maneira alguma posso comparar meu intelecto com o teu; mas desejo compreender, até certo ponto, tua vontade, que meu coração aceita e ama. Pois não busco compreender para que possa crer, mas aceito para que possa compreender”.13  Por tudo isso, devemos lembrar-nos de que, segundo Lutero, “não existe cristianismo onde não há afirmações”.

4. Eles pastoreiam outros cristãos
4.1 Os ministros cristãos precisam ter uma visão exaltada do ministério pastoral. Eles precisam ter em mente que a igreja pertence a Deus, a mais ninguém, conseqüentemente, devem trabalhar muito sério nela. Seu papel é, na força do Espírito, no processo de ajuntar os eleitos, alimentar as ovelhas e expulsar os lobos do meio do rebanho. Isso se dá pela pregação da Palavra, pela administração correta dos sacramentos e pelo cuidado pastoral – tarefas que tem definido o ministério pastoral durante os séculos.

4.2 A seriedade do serviço ao povo de Deus pode ser ilustrada na carta que um idoso pastor puritano, John Brown, escreveu a um de seus alunos, recém-ordenado, e que servia numa pequena congregação: “Eu conheço a vaidade do seu coração e uma das coisas que vai atingi-lo profundamente é que a congregação, que lhe foi confiada, é muito pequena, principalmente quando você a compara às congregações de seus irmãos ao seu redor. Mas sinta-se seguro em uma palavra vinda de um homem já idoso e experimentado. Quando estiver perante Cristo, prestando conta dessa congregação que recebeu, lá no trono de julgamento, você saberá que recebeu o suficiente”.14 

4.3 Seguindo o ensino das Escrituras, os ministros cristãos nunca trabalham sozinhos na igreja local. De acordo com o testemunho bíblico, as igrejas locais são dirigidas por uma pluralidade de presbíteros (At 14.23; 16.4; 20.17; 21.18; Tt 1.5; Tg 5.14). E, segundo a Bíblia, esses presbíteros servem em paridade, não havendo uma hierarquia nessa classe, no serviço numa igreja local. O papel desses presbíteros é administrar a igreja, assim como pregar e ensinar fielmente a Palavra.15  

Diferente dos modelos de crescimento de igreja tão em voga em nossa época, o testemunho da Escritura enfatiza que o papel dos ministros cristãos é equipar o povo de Deus para que este glorifique a Deus na criação, cumprindo os mandatos criacionais.16  Em outras palavras, não é papel do ministro que se quer radicalmente bíblico estimular em sua comunidade uma mentalidade de fortaleza, em oposição radical à criação, ou estimular uma mentalidade de mosteiro, onde os cristãos são instados a suportarem sua vida na criação, e encontrarem realização apenas dentro da esfera eclesiástica. Longe disso, a tarefa pastoral é enviar os cristãos à criação, como agentes da antecipação escatológica da restauração de toda a criação. 

Nesse sentido, as únicas pessoas chamadas a encontrar realização no serviço eclesiástico são justamente aqueles chamados ao ministério da Palavra e dos sacramentos. A tarefa dos outros cristãos, equipada e pastoreada por esses, é glorificar a Deus lá fora, na criação, encontrando realização pessoal e profissional em sua vocação secular.

4.4 Os pastores mais experientes treinam os novos pastores. Os seminários teológicos protestantes, como os conhecemos hoje, somente foram instituídos há cerca de 200 anos. A forma antiga de preparo ministerial era simplesmente levar o estudante do ministério a trabalhar sob responsabilidade de ministros mais experientes. Seminários – pelos menos os ortodoxos e saudáveis – oferecem conteúdo teológico e rigor acadêmico, não mais do que isso. Deus concede pastores à igreja não através de seminários, mas por meio do testemunho e ajuda de outros pastores, mais experientes, e fieis no serviço às igrejas.

4.5 Em suas visitas, os ministros cristãos precisam redescobrir a catequese. Esse é o modelo por excelência para guiar as conversas na visitação pastoral e a aprofundar os temas básicos da pregação dominical. Desde que a catequese entrou em declínio nas igrejas protestantes, por volta do fim do século XVII, a igreja cristã não conseguiu encontrar nenhum outro modelo tão eficaz para moldar a congregação de acordo com os ensinos principais da fé cristã. Então, podemos e devemos redescobrir a visitação catequética, mesmo em contextos urbanos, de grande mobilidade e distinções sociais.17 

4.6 Os ministros da Palavra, em suas visitas, devem servir como pastores e teólogos. Como exemplo, podemos estudar as vidas de William Perkins e Karl Barth.18  Ambos foram grandes teólogos no tempo em que viveram; ambos lecionaram em grandes universidades; e ambos pregavam semanalmente nos presídios das cidades onde viviam. Em suma: devoção, pregação, ênfase doutrinal e cuidado pastoral devem ser mantidos juntos num ministério que almeja ser serviço cristão, de fato, à igreja de Deus.

Podemos concluir com duas histórias, que resumem o que foi escrito acima: 

Em 1727, Jonathan Edwards, que se tornaria o maior teólogo nascido nos Estados Unidos, foi ordenado ao pastorado. Ele nos conta o que escreveu em sua ordenação: “Dediquei-me solenemente a Deus e o fiz por escrito, entregando a mim mesmo e tudo que me pertencia ao Senhor, para não ser mais meu em qualquer sentido, para não me comportar como quem tivesse direitos de forma alguma… travando, assim, uma batalha com o mundo, a carne e Satanás até o fim da vida”.19 

Sob o reinado de Maria Tudor, a sanguinária, muitos ministros e bispos foram queimados na estaca, a ponto disto ter se tornado um evento comum. Charles Spurgeon relatou a seguinte história aos alunos de sua Escola de Pastores. Durante o reinado de Maria, um homem notou um grande número de pessoas viajando, logo ao amanhecer, na estrada de Smithfield, um lugar geralmente usado para as execuções. Ficou imaginando o que traria um tão grande número de pessoas à rua, fora de suas casas, àquela hora do dia. Então perguntou a um homem que passava: “Para onde vocês estão indo?” Ao que respondeu o homem: “Estamos indo a Smithfield, para ver o nosso pastor ser queimado”. Estão lhes disse: “Porque desejam ver tal coisa? Que proveito isso lhes trará?” Responderam: “Vamos ver o nosso pastor ser queimado para aprendermos o caminho”.20 


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1 Devo esta percepção especialmente ao meu colega Alan Myatt, com quem escrevi, em co-autoria, Teologia Sistemática; uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual (São Paulo: Vida Nova, 2008).
2 “Santification in Puritan Practice”, em Joel Beeke, Living for God’s Glory: An Introduction to Calvinism (Orlando, FL: Reformation Trust, 2008), p. 207.
3 Citado em Timothy George, Teologia dos reformadores (São Paulo: Vida Nova, 1993), p. 127.
4 Dietrich Bonhoeffer, Discipulado (São Leopoldo: Sinodal, 2001), p. 9-19.
5 Joel R. Beeke, A tocha dos puritanos (São Paulo: PES, 1996), p. 47-48.
6 Mark Galli, “Fatos notáveis e pouco conhecidos sobre os últimos anos de Martinho Lutero”, Jornal Os Puritanos, Ano 2 – Nº 4 (Julho-Agosto 1994), p. 9. Lutero pregou cerca de quatro mil sermões, sendo que dois mil e trezentos foram preservados.
7 Lutero “sempre ensinava ou na sala de aula ou no púlpito; e sempre pregava tanto no púlpito como na sala de aula”, como afirmado por Roland H. Bainton, Here I Stand; A life of Martin Luther (Nashville, TN: Abingdon Press, 1978), p. 278.
8 Para esta tradução de Efésios 4.11, tratando pastores e mestres como um único grupo, cf. Fritz Rienecker & Cleon Rogers, Chave lingüística do Novo Testamento grego (São Paulo: Vida Nova, 1988), p. 394.
9 Richard Baxter, O pastor aprovado (São Paulo: PES, 1989), passim.
10 William Perkins, The Art of Prophesying (Edinburgh: Banner of Truth, 1996), p. 79.
11 Karl Barth, A proclamação do evangelho; homilética (São Paulo: Novo Século, 2001), p. 56.
12 Citado em R. C. Sproul, Como viver e agradar a Deus (São Paulo: Cultura Cristã, 1998), p. 204.
13 Citado da obra de Santo Anselmo de Canterbury, Proslogium, I, em Franklin Ferreira, Gigantes da fé (São Paulo: Vida, 2006), p. 92.
14 Citado em Mark Dever, Nove marcas de uma igreja saudável (São José dos Campos, SP: Fiel, 2009), p. 14.
15 Cf. especialmente Mark Dever, Refletindo a glória de Deus; elementos básicos da estrutura da igreja (São José dos Campos: Fiel, 2008) e Phil A. Newton, Pastoreando a igreja de Deus (São José dos Campos: Fiel, 2007).
16 Uma exposição exegética e teológica dos mandatos cultural, social e espiritual pode ser encontrada nos livros de Gerard Van Groningen, Revelação messiânica no Antigo Testamento (São Paulo: Cultura Cristã, 2003), p. 99-101, A família da aliança (São Paulo: Cultura Cristã, 2002), p. 51-64 e Criação e consumação, vol. 1 (São Paulo: Cultura Cristã, 2002), p. 69-99. Cf. também O. Palmer Robertson, O Cristo dos pactos (São Paulo: Cultura Cristã, 2002), p. 65-78.
17 Para a importância da catequese, cf. Franklin Ferreira, “Servo da Palavra de Deus: o ofício pastoral em Richard Baxter”, Fides Reformata 9/1 (Janeiro-Junho 2004), p. 129-141 e Joseph Pipa, “Visitação familiar”, Jornal Os Puritanos, Ano 2 – Nº 6 (Novembro-Dezembro 1994), p. 20-24.
18 Para as biografias de Perkins e Barth, cf. Joel R. Beeke & Randall J. Pederson, Meet the Puritans; with a guide to modern reprints (Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2006), p. 469-480 e Eberhard Busch, Karl Barth: His life from letters and autobiographical texts (Eugene, OR: Wipf & Stock, 2005). 
19 Citado em “Um gigante espiritual”, Jornal Os Puritanos, Ano 1 – Nº 3 (Agosto 1992), p. 7.
20 David Otis Fuller (ed.), Spurgeon’s Sermon Illustrations (Grand Rapids, MI: Kregel, 1990), p. 61-62.

Fonte: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=282

O uso dos Salmos na devoção cristã


Durante quase dois mil anos, os Salmos foram centrais para a devoção da igreja cristã, ensinando os fiéis a orar, em resposta ao Deus que se revela, uma confissão e glorificação ao Deus trino, criador, redentor e restaurador. Deste modo, “quando abraçamos Salmos, juntamo-nos a um amplo grupo de pessoas que por quase trinta séculos tem baseado seus louvores e orações nessas palavras antigas. Reis e camponeses, profetas e sacerdotes, apóstolos e mártires, monges e reformadores, executivos e donas de casa, professores e cantores populares – para todos esses e para uma multidão de outros, Salmos tem sido vida e respiração espiritual”.1 Como Eugene Peterson escreve, “não existe outro lugar em que se possa enxergar de forma tão detalhada e profunda a dimensão humana da história bíblica como nos Salmos. A pessoa em oração reagia à totalidade da presença de Deus, partindo da condição humana, concreta e detalhada”. Só que, por volta da primeira metade do século dezenove, com o aparecimento dos métodos críticos de estudos bíblicos, os salmos perderam sua centralidade na devoção cristã. Deixaram de ser a escola de oração que dava forma à oração dos fiéis, em sua resposta ao Deus que se revela. Passaram a ser vistos, na avaliação de Peterson, como a piedade deteriorada de uma religião desgastada.2

1. Os Salmos e a oração
A escola que Israel e a Igreja recorreram para aprender a orar foram os Salmos, que, junto com Isaías, foi o livro mais citado por Jesus e os apóstolos no Novo Testamento, inclusive como apoio de doutrinas centrais da fé cristã. Para os primeiros cristãos, a ordem era: “Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos” (Ef 5.18-19). Logo, estes, “como seus antepassados judeus, ouviram a palavra de Deus nesses hinos, queixas e instruções e fizeram deles o fundamento da vida e do culto”.3 

Os salmos eram declarações de relacionamento entre o povo e seu Senhor. Pressupunham a aliança entre ambos e as implicações de provisão, proteção e preservação dessa aliança. Seus cânticos de adoração, confissões de pecado, protestos de inocência, queixas de sofrimento, pedidos de livramento, garantias de ser ouvido, petições antes das batalhas e ações de graças depois delas são, todas expressões do relacionamento ímpar que tinham com o único Deus verdadeiro. Temor e intimidade combinavam-se no entendimento que os israelitas tinham desse relacionamento. Eles temiam o poder e a glória de Deus, sua majestade e soberania. Ao mesmo tempo protestavam diante dele, discutindo suas decisões e pedindo sua intervenção. Eles o reverenciavam como Senhor e o reconheciam como Pai.4

Na igreja primitiva e durante a reforma protestante, quando um pastor queria ensinar sua congregação sobre a oração, pregava nos Salmos. Nos séculos IV e V, Atanásio de Alexandria enfatizou que cada Salmo “está composto e é proferido pelo Espírito”, sendo o “um espelho no qual se refletem as emoções” de nossa alma, onde “podemos captar os movimentos da nossa alma e nos faz dizer como provenientes de nós mesmos, como palavras nossas, para que, trazendo à memória nossas emoções passadas, reformemos a nossa vida espiritual”.5 Ambrósio de Milão, que introduziu o canto dos salmos no culto público no Ocidente, chamou-os de “um tipo de ginásio para ser usado por todas as almas, um estádio da virtude, onde diferentes exercícios são praticados, dentre os quais se podem escolher os mais adequados treinamentos para se alcançar a coroa”.6 Agostinho de Hipona, que pregou todo o livro dos Salmos para sua congregação, chamou-os de “escola”, “espelho” e “remédio”, “cantados no mundo inteiro”.7 Quando sua última doença o derrubou, ele pediu aos seus irmãos que fixassem nas paredes de sua cela cópias em letras grandes dos salmos penitenciais (Salmos 6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143), para que ele os lesse continuamente.
No século XVI, Martinho Lutero afirmou que o livro dos Salmos “não coloca diante de nós somente a palavra dos santos, (...) mas também nos desvenda o seu coração e o tesouro íntimo de suas almas”, onde aprendemos a “falar com seriedade em meio a todos os tipos de vendavais”, e que o saltério “faz promessa tão clara acerca da morte e ressurreição de Cristo e prefigura o seu Reino, condição e essência de toda a cristandade – e isso de tal modo que bem poderia ser chamado de uma ‘pequena Bíblia’”. Ele também afirmou: “É muito benéfico ter palavras prescritas pelo Espírito Santo, que homens piedosos podem usar em suas aflições”.8 Em seu leito de morte, ele recitava continuamente: “Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade” (Sl 31.5). Por seu lado, João Calvino, que comentou todo o livro de Salmos, escreveu:

Tenho por costume denominar este livro – e creio não de forma incorreta – de ‘Uma anatomia de todas as partes da alma’, pois não há sequer uma emoção da qual alguém porventura tenha participado que não esteja aí representada como num espelho. Ou melhor, o Espírito Santo, aqui, extirpa da vida todas as tristezas, as dores, os temores, as dúvidas, as expectativas, as preocupações, as perplexidades, enfim, todas as emoções perturbadas com que a mente humana se agita. (...) A genuína e fervorosa oração provém, antes de tudo, de um real senso de nossa necessidade, e, em seguida, da fé nas promessas de Deus. É através de uma atenta leitura dessas composições inspiradas que os homens serão mais eficazmente despertados para a consciência de suas enfermidades, e, ao mesmo tempo, instruídos a buscar o antídoto para sua cura. Numa palavra, tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado neste livro.9

No século XVII, o puritano Lewis Bayly, ao recomendar o cântico dos salmos pelas famílias cristãs, afirma: “Cantem para Deus com as próprias palavras de Deus”. E o uso do saltério deveria ter este alvo: “E faça uso frequente deles, para que as pessoas possam memorizá-los mais facilmente”. Então, ele oferece a sugestão do uso dos seguintes salmos para promover a piedade em família, nos momentos de oração e devoção:

De manhã, os Salmos 3, 5, 16, 22 e 144. De noite, os Salmos 4, 127 e 141. Implorando misericórdia depois de ter cometido pecado, os Salmos 51 e 103. Na doença em períodos de dura provação, os Salmos 6, 13, 88, 90, 91, 137 e 146. Quando o crente for restaurado, os Salmos 30 e 32. No dia de santo repouso semanal, os Salmos 19, 92 e 95. Em tempos de alegria, os Salmos 80, 98, 107, 136 e 145. Antes do sermão, os Salmos 1, 12, 147 e a primeira e a quinta partes do Salmo 119. Depois do sermão, qualquer Salmo relacionado com o principal argumento do sermão. Na Ceia do Senhor, os Salmos 22, 23, 103, 111 e 116. Para inspirar consolo e tranquilidade espiritual, os Salmos 15, 19, 25, 46, 67, 112 e 116. Depois do mal praticado e da vergonha recebida, os Salmos 42, 69, 70, 140 e 145.10
Desde o princípio, a Palavra de Deus sempre vem em primeiro lugar. Nós somos chamados a responder a Palavra de Deus, com todo nosso ser. E a oração é nossa resposta à revelação de Deus nas Escrituras. Sendo assim, os Salmos são a escola onde os cristãos aprendem a orar, pois como Peterson diz, “é esta fusão de Deus nos falar (Bíblia) e nós falarmos a ele (oração) que o Espírito Santo usa para formar a vida de Cristo em nós”.11 Ou, como Ambrósio escreveu, “a Ele falamos, quando oramos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos”.12 E Bonhoeffer completa: “Portanto, se a Bíblia também contém um livro de orações, isso nos ensina que a Palavra de Deus não engloba apenas a palavra que Deus dirige a nós. Inclui também a palavra que Deus quer ouvir de nós... (...) Que graça imensurável: Deus nos diz como podemos falar e ter comunhão com Ele! E nós podemos fazê-lo orando em nome de Jesus Cristo. Os Salmos nos foram dados para aprendermos a orar em nome de Jesus Cristo”.13

Se insistirmos em aprender a orar sozinhos, sem depender dos Salmos, nossas orações serão pobres, uma repetição de frases prontas: agradecemos as refeições, arrependemo-nos de alguns pecados, suplicamos bênçãos para nossas reuniões e até pedimos orientação. Por outro lado, toda nossa vida deve estar envolvida na oração. Peterson exemplifica esse fato com o livro do profeta Jonas, que gira inteiramente em torno das relações entre Deus e o profeta.14 Essas relações se originaram por meio do chamado profético, do qual Jonas procurou fugir. Mas este personagem não é entregue a si mesmo. Na primeira parte da historia, Deus deixa que o profeta chegue ao extremo de quase perder a própria vida, somente para em seguida restaurá-lo à posição onde se encontrava antes dele tentar evitar o chamado do Senhor.
No centro da narrativa bíblica está a oração que Jonas proferiu após ser engolido por um grande peixe. Sua primeira reação ao se encontrar no ventre do peixe foi fazer uma oração (cf. Jonas 2.2-9), o que não é surpreendente, pois geralmente oramos quando estamos em situações desesperadas. Mas existe algo surpreendente na oração de Jonas. Como Peterson destaca, sua oração não é original ou espontânea: “Jonas aprendeu a orar na escola, e orava como aprendera. Sua escola eram os Salmos”. Como o mesmo autor demonstra, frase após frase a oração de Jonas está repleta de citações dos Salmos:

“Minha angústia” de Salmos 18.6 e 120.1.
“Profundo” de Salmo 18.4-5.
“As tuas ondas e as tuas vagas passaram por cima de mim” de Salmo 42.7.
“De diante dos teus olhos” de Salmo 139.7.
“Teu santo templo” de Salmo 5.7.
“As águas me cercaram até à alma” de Salmo 69.2.
“Da sepultura da minha vida” de Salmo 30.3.
“Dentro de mim, desfalecia a minha alma” de Salmo 142.3.
“No teu santo templo” de Salmo 18.6.
“Ao Senhor pertence a salvação” de Salmo 3.8.

Cada palavra é derivada do livro dos Salmos. Geralmente achamos que a oração é genuína quando é espontânea, mas a oração de Jonas, numa condição extremamente difícil, é uma oração aprendida, sem originalidade alguma.

 Peterson prossegue: “Ter palavras prontas para a oração não é apenas uma questão de vocabulário. Nos últimos cem anos, teólogos deram atenção cuidadosa à forma particular que os salmos têm (crítica da forma) e os dividiram em duas grandes categorias: lamentações e ações de graças. As categorias correspondem às duas grandes condições em que nós nos encontramos: angústia e bem-estar”. De acordo com as circunstâncias e em como nos sentimos, lamentamos ou agradecemos.15 “Os salmos refletem muitas e diversas reações à vida: alegria, tristeza, gratidão e tranquila meditação, para nomear apenas algumas. O adorador israelita tinha uma oração pronta para todas as vicissitudes da vida. (...) Os salmos são orações cantadas para Deus, logo, eles chegam a nós como palavras da congregação dirigidas a Deus, em vez de a Palavra de Deus dirigida ao povo de Israel”.16

Como Peterson enfatiza, “a forma mais comum da oração nos Salmos é o lamento”. Isso não deveria nos surpreender, já que essa é nossa condição mais comum. “Temos muitas dificuldades, então oramos muito em forma de lamento. Um estudioso da escola de oração dos Salmos conheceria essa forma melhor que todas, pelo simples fato da repetição”. Jonas se encontrava na pior situação imaginável. Seria natural que ele lamentasse. Mas ocorre o contrário – ele profere um salmo de louvor. Por isso Peterson escreve: “Uma lição importante surge aqui: Jonas estudou para aprender a orar, e aprendeu bem suas lições, mas ele não era um aluno que apenas decorava. Seus estudos não bloquearam sua criatividade. Ele era capaz de distinguir entre as formas e decidiu orar numa forma adequada às suas circunstâncias que ele enfrentava. As circunstâncias exigiam lamentos. Mas a oração, apesar de influenciada pelas circunstâncias, não é determinada por elas. Jonas usou a criatividade para orar e decidiu orar na forma de louvor”.

Por isso, não é suficiente expressar nossos sentimentos na oração, como resposta a Deus: “Precisamos de um longo aprendizado de oração”. Por isso, a melhor escola para a oração é o livro dos Salmos. “Em sua oração”, Peterson continua, “Jonas demonstra ter sido um aluno aplicado na escola dos Salmos. Sua oração se origina de sua situação, mas não se reduz a ela. Sua oração o levou a um mundo muito maior que sua situação imediata”. Ele orou de maneira adequada à grandeza de Deus, que o chamara, nos oferecendo um forte contraste com a atual prática de oração. Nossa cultura nos apresenta formas de oração que são em grande parte centradas em nós mesmos. Mas a oração que é resposta ao Deus que se revela nas Escrituras é dominada pela percepção de Sua grandeza.

2. A regra da oração

Como Peterson enfatiza, o modelo básico de devoção é a oração diária baseada nos Salmos, sequencialmente, uma vez por mês.17 Mas precisamos destacar que a oração diária dos salmos não é uma ação isolada. Ela permanece entre outros dois fundamentos: a adoração junto com a igreja no domingo e a oração diária, que são recordações às vezes intencionais, outras vezes espontâneas, em resposta a Deus. Esses três fundamentos formam o ambiente de oração que estimulará a devoção. No diagrama sugerido por Peterson, esses fundamentos aparecem assim:


A adoração na igreja firma nossa espiritualidade na Escritura e na vida em comunidade. Os Salmos nos levam a reaprender a linguagem da oração. E a oração recordada desdobra a oração para todos os pormenores da vida. O alvo é tornar a oração recordada incessante por meio da adoração comunitária junto com a oração dos salmos. Como Peterson escreve, “os Salmos, centrados entre Adoração e Recordação, são o lugar determinado onde habitualmente revisamos a base, o vocabulário e os ritmos da oração”. É esta dinâmica que desenvolverá nossa vida de oração. Por isso, a regra (regula) da devoção é: “Adoração Comunitária/Oração dos Salmos/Oração Recordada é a base de onde começamos e para onde voltamos – sempre”.

3. Os cristãos e o uso dos Salmos
Como aprendemos no Novo Testamento, Jesus Cristo, ao mesmo tempo em que orou os Salmos (Hb 2.12) é o principal tema dos Salmos. “O cristão encontra nos Salmos não somente os santos, mas também a Jesus Cristo, ‘o cabeça dos santos’, com seu sofrimento e sua ressurreição. Portanto, nos Salmos, como o Salmo 22 e 69, o próprio crucificado fala”.18 Portanto, é justamente aqui que é estabelecida nossa confiança de que seremos atendidos na oração: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7). Pois como Bonhoeffer escreveu: “Ao repetir as próprias palavras de Deus, começamos a orar a Ele. Não oramos com a linguagem errada e confusa de nosso coração; mas pela palavra clara e pura que Deus falou a nós por meio de Jesus Cristo, devemos falar com Deus, e Ele nos ouvirá”.19 Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos que os Salmos proclamam seu nascimento, vida, morte e ressurreição (Lc 24.44). Por outro lado, uma vez que o Filho é “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”, os Salmos são dirigidos a ele, assim como ao Pai e ao Espírito Santo (Jd 20-21). Portanto, Jesus Cristo é o alvo da oração dos salmos. E ao orarmos em nome e por meio da mediação de Jesus Cristo, nos unimos a ele, que vive sempre para interceder por nós (Hb 7.25).

Portanto, Jesus Cristo é a chave que interpreta os Salmos e aquele que ora os Salmos deve buscar a Cristo como revelado no saltério. Em vez de tratar as promessas, súplicas, confissões e lamentos de forma analítica, na leitura dos Salmos aquele que ora participa das promessas, súplicas, confissões e lamentos do próprio Cristo. O foco de tal oração será, assim, alcançar uma maior comunhão com Jesus Cristo. “Lutero não sabia nada de um conhecimento da Bíblia puramente objetivo, desinteressado ou erudito. Tal conhecimento, mesmo se possível, seria apenas a letra morta que mata. O Espírito vivifica! Devemos, portanto, ‘sentir’ as palavras das Escrituras ‘no coração’. A experiência é necessária para entender a Palavra. Não é meramente para ser repetida ou conhecida, mas para ser vivida e sentida”.20 Num sermão sobre a expressão “invoquei o Senhor” (Sl 118.5), Lutero disse para congregação:
Invocar é o que você precisa aprender. Você ouviu. Não fique aí apenas sentado ou virado de lado, levantando a cabeça e balançando-a, e roendo as suas unhas preocupado e buscando uma saída, com nada em sua mente a não ser como você se sente mal, como você está ferido, que coitado você é. Levante-se, seu tratante preguiçoso! Ajoelhe-se! Levante suas mãos e seus olhos para o céu! Use um salmo ou o pai-nosso a fim de clamar sua angústia ao Senhor.21
As Escrituras, dessa forma, não são apenas a perfeita revelação de Deus, mas guia do cristão em suas lutas e vitórias – não apenas atos históricos passados e distantes, mas eventos vivos, aqui e agora. Deste modo, há outro fator que deve levar os cristãos a meditar e incluir os Salmos em sua oração:

O abismo que há entre o cristianismo moderno e a espiritualidade da Bíblia pode ser visto (...) no nosso seletivo uso dos Salmos, que era o hinário do povo de Israel e da Igreja do Novo Testamento. Os Salmos não apenas refletem toda experiência humana (p. ex.: confusão, raiva, medo, ansiedade, depressão, alegria incontida), mas também nos forçam a parar de fingir que tudo esteja bem com o mundo. Os salmos de lamentação (por exemplo, os salmos 10, 13, 35 e 86) são veementes queixas diante de Deus em relação às contradições existentes entre suas promessas e a realidade pela qual o povo passa. Esses salmos raramente são usados no culto cristão hoje em dia. Contudo, esses salmos são atos de uma fé corajosa: corajosa, porque eles insistem em que temos que enfrentar o mundo como ele é, e que temos que abandonar toda ostentação infantil; mas também de fé, porque eles partem da convicção de que não existe assunto proibido, quando se trata de termos uma conversa com Deus. Reter daquela conversa com Deus qualquer coisa da experiência humana, inclusive a escuridão de uma oração não respondida e os aspectos negativos da vida, é negar a soberania de Deus sobre toda a vida. Assim, paradoxalmente, são aqueles que reprimem suas dúvidas com uma série de cânticos alegres que bem podem estar sendo incrédulos: pela recusa de crer que Deus pode cuidar de toda a raiva que eles têm. Assim, os salmos de protesto constituem uma poderosa repreensão ao que passa por fé e louvor na maioria dos grupos cristãos de hoje. O que é irônico é que a vida moderna talvez nos exponha a mais confusão e dor do que qualquer coisa do mundo do salmista; e contudo ignoramos exatamente aquelas orações que vêm de encontro a tal senso de desorientação. Não é de admirar que muito do ensino atual quanto à fé não seja diferente do ‘pensamento positivo’ dos gurus modernos da administração, conquanto vestido com uma roupagem pseudobíblica. A fé bíblica, entretanto, é exatamente o contrário.22

Portanto, “os salmos continuam sendo um tesouro de auxílio espiritual para os cristãos. (...) Seja qual for o nosso estado de espírito, seja qual for nossa situação, as vozes antigas nos convidam a ouvi-las. Elas também já passaram por alegria, tristeza, luto, pecado, ira, confissão, perdão e outras experiências que tocam tão profundamente em nossas vidas. Elas nos chamam a aprender delas enquanto o Espírito Santo usa essas palavras para nos trazer para mais perto do Senhor”.23

4. Colocando em prática

Podemos nos beneficiar do que Dietrich Bonhoeffer escreveu sobre o uso dos Salmos: “Em muitas igrejas, cantam-se ou leem-se Salmos a cada domingo ou até diariamente. Essas igrejas preservaram uma riqueza imensurável, pois somente pelo uso diário penetraremos nesse livro divino de oração. Para o leitor ocasional, suas orações são pujantes demais em seus pensamentos e sua força, de modo que voltamos a procurar alimento mais digerível. Quem, no entanto, começou a orar o Saltério com seriedade e regularidade, logo dispensará as próprias orações superficiais e piedosas dizendo: ‘Elas não têm o sabor, a força, a paixão e o fogo que encontro no Saltério. São muito frias e rígidas’ (Lutero)”.24 Portanto, devemos incluir os Salmos em nossas orações diárias, permitindo que a Palavra de Deus estimule e guie nossas petições. E como uma ajuda para orar os Salmos diariamente em nossa meditação ou oração diária, oferecemos o roteiro abaixo:25

Dia 1: Salmos 1 a 8
Dia 2: Salmos 9 a 14
Dia 3: Salmos 15 a 18
Dia 4: Salmos 19 a 23
Dia 5: Salmos 24 a 29
Dia 6: Salmos 30 a 34
Dia 7: Salmos 35 a 37
Dia 8: Salmos 38 a 43
Dia 9: Salmos 44 a 49
Dia 10: Salmos 50 a 55
Dia 11: Salmos 56 a 61
Dia 12: Salmos 62 a 67
Dia 13: Salmos 68 a 70
Dia 14: Salmos 71 a 74
Dia 15: Salmos 75 a 78
Dia 16: Salmos 79 a 85
Dia 17: Salmos 86 a 89
Dia 18: Salmos 90 a 94
Dia 19: Salmos 95 a 101
Dia 20: Salmos 102 a 104
Dia 21: Salmos 105 e 106
Dia 22: Salmos 107 a 109
Dia 23: Salmos 110 a 115
Dia 24: Salmos 116 a 119.32
Dia 25: Salmo 119.33 a 119.104
Dia 26: Salmo 119.105 a 119.176
Dia 27: Salmos 120 a 131
Dia 28: Salmos 132 a 138
Dia 29: Salmos 139 a 143
Dia 30: Salmos 144 a 150

Pode ser de ajuda citar extratos de um ensaio sobre meditações diárias escritas por Eberhard Bethge em 1935, sob a supervisão de Bonhoeffer, para uso no seminário de pregadores (Predigerseminar) de Finkenwalde. Este oferece sugestões práticas que se aplicam ao uso dos Salmos em nossa oração e meditação diária:

Nós recomendamos a meditação bíblica para moldar nossas orações e, ao mesmo tempo, para disciplinar nossos pensamentos. Finalmente, nós preferimos a meditação bíblica porque nos faz conscientes de nosso companheirismo com outros [irmãos] que estão meditando no mesmo texto. A Palavra da Escritura nunca deve parar de soar em nossos ouvidos, e [deve continuamente] trabalhar em nós ao longo do dia, como as palavras de alguém que você ama. E assim como você não analisa as palavras de alguém que você ama, mas aceita o que ele lhe diz, aceite a Palavra da Escritura e medita nela em seu coração, como Maria o fez. Isto é tudo. Isto é meditação. Não olhe para novas reflexões e conexões no texto, como se você estivesse preparando uma pregação. Não questione ‘como passar isto para alguém?’, mas ‘o que ele tem a dizer para mim?’ Pondere na Palavra longamente em seu coração e deixe que ela te dirija e te possua. Não é importante consumir o texto integral proposto para cada dia. Nós ficaremos, frequentemente, esperando um dia inteiro para ouvir o que ele tem a dizer. Deixe passagens incompreensíveis sossegadamente de lado, e não se apresse a ir à filologia. (…)

Se os seus pensamentos o distraírem ore pelas pessoas e situações que lhe preocupam. Este é o lugar certo para intercessão. Neste caso, não ore em termos gerais, mas ore de forma objetiva por aquilo que lhe preocupa. Deixe a Palavra da Escritura o conduzir. Pode ser de ajuda você escrever calmamente o nome das pessoas com quem conversamos e pensamos todos os dias. A intercessão precisa de tempo se for levada a sério. Mas cuidado ao fixar um tempo designado para intercessão, para que esta não se torne uma fuga daquilo que é mais importante, a busca pela salvação de sua própria alma.
Iniciamos a meditação com uma oração pelo Espírito Santo. Que ele clareie o nosso coração e prepare a nossa mente para a meditação e de todos aqueles que estarão meditando também. Então, nos voltamos ao texto. Ao término da meditação nós estaremos em posição de proferir uma oração de ação de graças com um coração satisfeito. (…)

O tempo para a meditação é de manhã, antes de começar as tarefas. Meia hora é o mínimo de tempo necessário para a meditação. Observe que o pré-requisito é quietude extrema e o objetivo é não ser distraído por nada, por mais importante que seja.

Uma atividade da comunidade cristã, infelizmente praticada muito raramente, mas bastante útil, é quando ocasionalmente duas ou mais pessoas se dispõe a meditar juntas. Mas que não tomem parte em discussões teológicas especulativas.26

Bethge anexou esse texto a uma carta circular enviada de Finkenwalde para os pastores da Igreja Confessante (Bekennende Kirche), em 22 de maio de 1936. O ensaio foi rapidamente compartilhado entre os colegas pastores presos pelo governo nazista. Bethge contou depois em como a exigência de Bonhoeffer de que os alunos do seminário de pregadores de Zingst deveriam dedicar meia hora a cada manhã para meditação silenciosa de um texto bíblico lhes causou grandes dificuldades. Eles não sabiam como usar este tempo. Alguns iam dormir, outros preparavam sermões, outros nem sabiam o que fazer ou reclamavam que o tempo dedicado à meditação era excessivamente longo. Estas instruções tencionavam tornar claro aos seminaristas a importância da meditação e a maneira pela qual esta deveria ser feita.27

Sandro Baggio, pastor-mentor do Projeto 242, preparou um roteiro para ajudar sua comunidade a praticar a leitura orante (lectio divina).28 Sugerimos que esse roteiro deve ser usado durante a meditação nos Salmos, na medida em que estas orações inspiradas pelo Espírito Santo são incorporadas às orações do povo de Deus:

Lectio divina é um método de leitura-orante da Bíblia. É ler a Bíblia não tanto para acumular conhecimento, mas como uma forma de diálogo com Deus. Basicamente, a lectio divina consiste em statio (preparação), lectio (leitura), meditatio (meditação), oratio (oração), contemplatio (contemplação), discretio (discernimento), comunicatio (comunicação) e actio (ação). É preciso prática para penetrar na riqueza que a lectio divina pode trazer para sua vida espiritual. ‘Medita estas coisas e nelas sê diligente’ [1Tm 4.15].
 A prática da lectio divina requer que você separe um tempo para estar a sós, num local tranquilo, sem distrações. Selecione o texto que deseja ler (de preferência, não muito longo).
Os elementos centrais da lectio divina são:

Ler: Atentamente, com prazer e com fome, saboreando as palavras como alimento espiritual. Leia o texto várias vezes, dando especial atenção aos versos ou palavras que lhe chamam atenção. Escute o que o texto fala com você.

Pensar: O que esse texto significa para você? Que versos ou palavras falam mais à sua situação hoje? Como você tem vivido em relação a ele?
Orar: Orar é responder ao chamado no profundo de seu coração para falar com Deus. Além de suas palavras, essa resposta pode ser também escrita em um diário espiritual, com gestos (ajoelhar-se) e cânticos.

Viver: Você pode ler, pensar e orar o dia todo, mas a menos que você pratique a Palavra de Deus, não terá valido nada. É preciso colocar em prática o que Deus falou com você durante esse tempo de leitura e reflexão. Sua vida será o maior testemunho que você poderá dar.

Nos dois textos citados acima é sugerida a meditação a sós. Mas queremos enfaticamente recomendar que o tempo de oração ao Deus Trino seja feita em comunidade – quando dois ou mais irmãos se reúnem para juntos buscar a Cristo em oração por meio da leitura dos Salmos. Pois não é natural que o cristão esteja só – a igreja, o ajuntamento dos fieis, é o corpo de Cristo, o templo de Deus, o santuário e habitação do Espírito Santo (1Co 3.16-17; 6.19; 10.16; 12.27; Ef 4.12) – e é em comunidade que o cristão irá não só aprender a orar, mas permanecerá em oração: “Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar” (1Ts 5.16-17). 29
Prossigamos com Bonhoffer: “Se em nossas igrejas já não oramos os Salmos, então devemos incluí-los com mais afinco em nossas meditações matutinas e vespertinas. Devemos ler vários Salmos diariamente e, de preferência, em conjunto, a fim de lermos este livro diversas vezes ao ano, penetrando nele com mais profundidade. Não deveríamos selecionar arbitrariamente alguns Salmos. Ao fazer isto, estamos desonrando o livro de orações da Bíblia, julgando saber melhor do que o próprio Deus o que devemos orar. Na igreja antiga não era incomum saber ‘o Davi todo’ de cor. Nas igrejas orientais isto era condição para o exercício eclesiástico. Jerônimo, um dos pais da igreja, conta que na sua época ouvia-se o cântico de Salmos nas lavouras e nos quintais. O Saltério marcava a vida da jovem cristandade. Mais importante do que isto, no entanto, é que Jesus Cristo morreu na cruz com a palavra dos Salmos em seus lábios. Ao esquecer-se do Saltério, a cristandade perde um tesouro inigualável. Ao recuperá-lo, será presenteada com forças jamais imaginadas”.30 Portanto, voltemos à beleza, riqueza, profundidade e amplitude dos Salmos como nosso guia da oração.

Conclusão
Durante sua longa trajetória, a igreja usou os Salmos para guiar a oração e a devoção. Então, por que tantas pessoas não se dedicam à oração? Porque, como nota Peterson, o poço é fundo e não temos nada para pegar a água. “Precisamos de um vaso para colocar a água. (…) Os salmos são esse vaso. Não são a oração em si, mas o vaso mais adequado (…) para a oração que já foi criado. Recusar-se a usar esse vaso de Salmos, depois de compreender sua função, é errar de propósito. Não é possível fazer um vaso de outro formato que o substitua”. Certamente já houve várias tentativas para substituir os Salmos como nosso guia da oração. Mas por que nos contentarmos com tão pouco, quando temos esse vaso maravilhoso à nossa disposição? Deste modo, que usemos os Salmos como o livro de orações da aliança. As palavras de Martinho Lutero são apropriadas como conclusão: “O nosso amado Senhor, que nos ensinou a orar o Saltério e o Pai Nosso e presenteou-nos com eles, conceda-nos, também, o Espírito da oração e da graça, para que oremos sem cessar, com disposição e seriedade de fé. Nós precisamos disso. Ele o ordenou e, portanto, o requer de nós. A ele sejam dados louvor, honra e gratidão. Amém”.

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1William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2009), p. 465.
2Para um resumo desse processo, cf. Eugene Peterson, em Um pastor segundo o coração de Deus (Rio de Janeiro: Textus, 2001), p. 21-40.
3William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 484. Para uma introdução ao estudo dos Salmos, cf. Carl J. Bosma, “Discernindo as vozes nos Salmos: uma discussão de dois problemas na interpretação do Saltério”, Fides Reformata IX, Nº 2 (2004), p. 75-118 e N. H. Ridderbos and P. C. Craigie, “Psalms”, em G. W. Bromiley (ed.), The International Standard Bible Encyclopedia, v. 3 (Grand Rapids, MI: Eerdman, 1986), p. 1030-1038.
4William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 483.
5Cf. Carta a Marcelino sobre a Interpretação dos Salmos.
6cf. Ambrose, Explanatio Psalmorum XII.
7cf. Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 3 v. (São Paulo: Paulus, 1997).
8cf. “Prefácio ao Livro dos Salmos 1545”, “Sumários sobre os Salmos e razões da tradução”, “Trabalhos do Frei Martinho Lutero nos Salmos apresentados aos estudantes de teologia de Wittenberg” e “Os sete Salmos de Penitência”, Martinho Lutero – Obras selecionadas, v. 8: interpretação bíblica, princípios (São Leopoldo: Sinodal & Porto Alegre: Concórdia, 2003), p. 33-37, 224-233, 331-492, 493-548.
9João Calvino, O livro dos Salmos, v. 1 (São José dos Campos: Fiel, 2009), p. 26-27.
10Lewis Bayly, A prática da piedade (São Paulo: PES, 2010), p. 225-226.
11Eugene Peterson, Uma longa obediência na mesma direção (São Paulo: Cultura Cristã, 2005), p. 150.
12Ambrósio, De officiis ministrorum I, 20, 88: PL 16, 50, em Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina.
13Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos (Curitiba: Encontrão, 1995), p. 14-15.
14Para toda essa seção, cf. Eugene Peterson, A vocação espiritual do pastor (São Paulo: Mundo Cristão, 2006), p. 75-110.
15Para mais informações sobre o método de estudos bíblicos conhecido como crítica da forma (Formgeschichte), e em como ela foi aplicada aos estudos dos salmos, cf. William S. LaSor, David A. Hubbard e Frederic W. Bush, Introdução ao Antigo Testamento, p. 467-478 e Derek Kidner, Salmos: introdução e comentário, v. 1 (São Paulo: Vida Nova, 1992), p. 18-29.
16Raymond B. Dillard & Tremper Longman III, Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 2005), p. 207, 217.
17Para esta seção e o gráfico empregado, cf. Eugene Peterson, A vocação espiritual do pastor, p. 96-109.
18Paul Althaus, A teologia de Martinho Lutero (Canoas: Ulbra, 2008), p. 116.
19Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 12.
20Timothy George, Teologia dos reformadores (São Paulo: Vida Nova, 1993), p. 86. 
21WA 31, p. 1, em Timothy George, Teologia dos reformadores, p. 87.
22Vinoth Ramachandra, A falência dos deuses: a idolatria moderna e a missão cristã (São Paulo: ABU, 2000), p. 60-61.
23Bill Arnold e Bryan E. Beyer, Descobrindo o Antigo Testamento: uma perspectiva cristã (São Paulo: Cultura Cristã, 2001), p. 312.
24Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 23.
25“Salmos litúrgicos”, em Livro de Oração Comum: forma abreviada e atualizada com Salmos litúrgicos (Porto Alegre: Igreja Episcopal do Brasil, 1999), p. 215-406.
26“Instructions in Daily Meditation”, em Dietrich Bonhoeffer, Meditating on the Word (Lanham, MD: Rowman & Littlefield, 2000), p. 21-32.
27cf. Eberhard Bethge, Dietrich Bonhoeffer: a biography (Minneapolis: Augsburg Fortress, 2000), p. 462-465.
28cf. Eugene Peterson, Maravilhosa Bíblia (São Paulo: Mundo Cristão, 2008), p. 17-27, 97-133.
29Para um desenvolvimento da importância da comunidade cristã, cf. especialmente Dietrich Bonhoeffer, Vida em comunhão (São Leopoldo: Sinodal, 1997).
30Dietrich Bonhoeffer, Orando com os Salmos, p. 23-24.



Como vivem os cristãos sob islamismo


Como Vivem Os Cristãos sob o Regime Islâmico
Dr Salim Almahdy

Queridos irmãos e irmãs,
Este mês eu estou lhes trazendo palavras do Alcorão, do Hadith e de alguns eruditos muçulmanos sobre como os cristãos devem ser tratados numa sociedade islâmica. Na medida em que forem lendo essas palavras, lembrem de estar orando por seus irmãos e se regozijem por saberem que a nossa cidadania está nos céus com o nosso Pai eterno.

Segundo o Alcorão

Alá ordena que os muçulmanos aterrorizem os não muçulmanos em seu nome:

“Eu instilarei terror nos corações dos infiéis, golpeai-os acima dos seus pescoços e arrancai todas as pontas dos seus dedos. Não fostes vós quem os matastes; foi Deus” (Sura 8:13-17).

“Imprimi terror [nos corações dos] inimigos de Deus e vossos inimigos” (Sura 8:60).

“Combatei-os [os não muçulmanos] e Deus os punirá através das vossas mão, cobri-os de vergonha” (Sura 9:14)

Segundo o Hadith (Ensinamentos, palavras ou atos de Maomé)

Maomé também exige que os Muçulmanos pratiquem a jihad, a guerra santa – lutar contra os infiéis em nome de Alá. Infiel é qualquer pessoa que não confessa os dois credos do Islã: que não há outro Deus além de Alá e que Maomé é o mensageiro de Alá. Certa vez perguntaram a Maomé: “Qual a melhor coisa que um muçulmano pode fazer além de crer em Alá e no seu apóstolo?” Sua resposta foi: “Participar da jihad pela causa de Alá” (Al Bukhari, Vol. 1, p. 25).

Maomé também teria dito: “Eu recebi a ordem de lutar com as pessoas até que digam que ninguém tem o direito de ser adorado a não ser Alá e Maomé é o seu mensageiro, e que eles estabeleceram a oração e o pagamento do zakat (esmola obrigatória). Se elas fizerem isto, seu sangue e suas propriedades estão salvas de mim” (Al Bukhari, Vol. 1, p. 13).

As palavras lutar e matar aparecem no Alcorão com mais freqüência do que as palavras oração e amor.

Segundo eruditos muçulmanos (inspirados no Alcorão e outras fontes)

Os mais poderosos califas (seguidores de Maomé), que governaram a nação islâmica depois da morte de Maomé, foram Abu Bakr e Umar Ibn Khattab (conhecido como o Califa Justo). Os dois eram sogros de Maomé. Maomé costumava dizer: “Sigam o exemplo daqueles que vêm após mim, Abu Bakr e Umar” (Ibn Timiyya, Vol. 28, p.651). O Califa Justo defendia o seguinte, com a bênção de Maomé:

* Um muçulmano não pode ser condenado à morte por tirar a vida de uma pessoa da aliança (cristão ou judeu), de um homem livre (que não é muçulmano), ou de um escravo.

Ibn Timiyya escreveu: “Nada na lei de Maomé diz que o sangue do infiel é igual ao sangue do muçulmano, porque a fé é necessária para haver igualdade. As pessoas da aliança não crêem em Maomé e no Islã, portanto, o seu sangue e o sangue do muçulmano não podem ser iguais… mas, um muçulmano livre deve morrer por tirar a vida de outro muçulmano livre, independentemente da raça” (Vol 14, p. 85).

* Não é permitido construir nem reformar igrejas, nem reconstrui-las se forem destruídas.

Conforme citado por Ibn Hazm e Ibn Timiyya, e confirmado por todos os historiadores, quando Uma Ibn Al Khattab assinou o tratado de paz com os cristãos da Síria, ele ditou algumas condições que deveriam ser cumpridas pelos governadores muçulmanos de todos os países cristãos conquistados. Uma dessas condições era que os cristãos estavam proibidos de construir mosteiros e de reconstruir os que fossem destruídos, mesmo que fosse a cela de um monge (Ibn Hazm, Vol. 4, Parte 7, p.346).

O tratado de paz também exigia que os cristãos dessem o seu assento a um muçulmano que quisesse sentar-se, e os proibia do seguinte:

* Impedir qualquer muçulmano de ficar nas suas igrejas por três dias, durante os quais eles deveriam oferecer comida e servir os muçulmanos.
* Imitar os muçulmanos em qualquer coisa, como as suas roupas, tiaras, turbantes ou o penteado dos seus cabelos.
* Montar um burro usando sela (cavalgar um burro usando cela é mais confortável, o que lembra certo tipo de riqueza e dignidade no Oriente Médio).
* Enterrar os seus mortos próximo de um muçulmano.
* Ler em voz alta nas igrejas.
* Prantear ruidosamente os seus mortos.
* Assumir qualquer posição em que tenham qualquer autoridade sobre um muçulmano.

Após ter apresentado estas condições aos cristãos, disse-lhes enfaticamente: “Se qualquer cristão violar qualquer um destes termos, será permitido matá-lo”(Ibn Timiyya, Vol. 28, p. 654).

Exemplos de Perseguição

Ibn Timiyya, um xeque muçulmano e mufti (juiz) dos muçulmanos, foi certa vez abordado com um pergunta. Um pastor cristão mora numa casa perto de um terreno onde existe uma igreja em ruínas e sem telhado. O pastor comprou o terreno e reformou a igreja para poder reunir o seu povo para orar. Ele pode fazer isto?

Ibn Timiyya respondeu que ele não tem o direito de fazer isto, porque os muçulmanos conquistaram esses lugares à força e as igrejas lhes pertencem, e de acordo com os eruditos muçulmanos elas podem ser destruídas. Portanto, todos os que ajudaram o pastor devem ser punidos, e o seu sangue deve ser derramado e as suas propriedades confiscadas porque ele violou os termos impostos aos cristãos (Ibn Timiyya, Vol. 28, p. 648).

No Egito, para construir uma igreja, os cristãos precisam de uma ordem assinada pelo Presidente do Egito. Se os cristãos precisarem renovar ou reformar uma igreja, eles precisam ter uma permissão assinada por um oficial da polícia secreta. Em minha última visita ao Egito, visitei uma igreja numa aldeia muito pobre, onde um oficial da polícia tinha dado ordens aos seus comandados para passar com um trator por cima dos dois únicos banheiros da igreja. O pastor tinha reformado um dos banheiros sem a sua permissão, pois sabia que tal permissão jamais seria concedida.

O Pastor “Samir” do Egito ficou preso por dois meses, porque um muçulmano informou que ele estava reformando a sua igreja, quando na verdade Samir estava reformando a sua casa.

A seguir, estão alguns exemplos de outros tipos de proibições para os não muçulmanos que vivem em países muçulmanos:

* Os não muçulmanos não podem testemunhar sobre nenhum assunto nos tribunais.

O Ímã Al-Shaffi, em seu livro As Ordenanças do Alcorão, diz: “Não é permitido o testemunho de uma pessoa da aliança [judeus e cristãos]. A testemunha tem de ser alguém que pertença à nossa religião e precisa ser um homem livre, não um escravo. O testemunho é aceitável somente do nosso homem livre se ele pertencer à nossa religião” (Parte 2, p. 142). Todos os eruditos confirmam que porque Maomé disse não acreditar no povo do Livro (Sahih Al Bukhari, Parte 3, p. 237).

* Há certos empregos que os não muçulmanos não podem ter.

No Vol. 28, p. 644, Ibn Timiyya narra o seguinte evento: “Khalid Ibn Al Walid [o famoso comandante militante que conquistou muitos países para os muçulmanos] escreveu a Umar Ibn Al Khattab dizendo: ‘Temos, na Síria, um secretário cristão que está encarregado do recebimento dos impostos’. Umar respondeu-lhe: ‘Não o use’. Khalid replicou: ‘Ele é indispensável e se nós não o usarmos como encarregado, o tesouro estará perdido’. Umar respondeu mais uma vez: ‘Não o use’.”

O cirurgião egípcio, Dr. Magdi Yacoub, declarou num programa de rádio que tinha de sair do Egito, pois, como cristão, ele não tinha permissão para estudar ginecologia nas universidades egípcias. Os muçulmanos não permitem que os ginecologistas cristãos tratem das suas esposas.

Outras situações que os cristão enfrentam nos países islâmicos:

* Se um muçulmano abraçar o cristianismo, ele tem trinta dias para mudar de idéia e voltar ao islamismo; caso contrário, ele poderá ser morto por qualquer muçulmano, sem que este venha a ser considerado criminoso.
* Na Arábia Saudita, nenhum cristão pode viajar próximo ou através de Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos, para não “macular” a cidade.

Queridos irmãos e irmãs, a despeito das trevas que os cristãos enfrentam nos países islâmicos, as Escrituras dizem: “Mas, quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais se espalhavam” (Êxodo 1.12). A cada ano, milhares vêm a Cristo nas nações islâmicas. Alegremo-nos com o seu novo nascimento em Cristo!


Fonte: www.vozdosmartires.com.br/

IRÃ – Jovem preso por causa de sua fé


Cristão convertido do islamismo, Mohammad Hadi Bordbar, conhecido como Mostafa, foi condenado a dez anos de prisão por fazer parte de uma “organização anti-segurança” e “reunião com a intenção de cometer crimes contra a segurança nacionaliraniana” no dia 31 de julho deste ano. Mostafa foi preso no dia 27 de dezembro de 2012, juntamente com 50 outros cristãos convertidos iranianos que estavam celebrando o Natal em Teerã. Eles foram detidos e interrogados durante horas antes de a maioria do grupo ser libertado. Mostafa e um pastor cristão armênio, Vruir Avanesian, foram presos.

Vamos orar por esse jovem e por nossos irmãos no Irã

Fonte: http://www.vozdosmartires.com.br/ira-jovem-preso/