sexta-feira, 17 de junho de 2011

EZEQUIEL PROFETA - 1ª PARTE - O CHAMADO DE EZEQUIEL



I. O chamamento e a comissão de Ezequiel                             Ez 1.1-3.21
   Introdução                                                                    Ez 1.1-3
   Visão da glória de Deus                                                   Ez 1.3-28
   A atalaia de Israel                                                          Ez 2.1-3.21

A data é no 593 a.C. Em seu quinto ano na Babilônia, os cativos não têm mais brilhantes perspectivas de um breve regresso à pátria. Estão confusos e desassossegados ao ouvirem os falsos profetas contrapor-se às advertências de Jeremias. A execução de dois falsos profetas, Acabe e Zedequias, por Nabucodonosor, evidentemente não escureceu suas esperanças de retornar a Jerusalém num futuro próximo. Em meio a sua confusão, Ezequiel é chamado para seu ministério profético.
O chamamento de Ezequiel é do mais impressionante. Comparado com a visão de Isaias e a simples comunicação a Jeremias, a chamada de Ezequiel ao serviço profético pode ser descrita como fantástica. Tem lugar junto ao rio Quebar, nas redondezas da Babilônia. não há nenhum templo à vista com o qual pudesse ter associado a presença de Deus. é grande a distância entre ele e Jerusalém, de tal forma que ele apenas se tem lembranças do santuário onde Deus tinha manifestado sua presença nos dias de Salomão. Se Babilônia estava à vista, Ezequiel poderia ter visto os grandes templos de Merodaque e outros deuses babilônicos, que já tinham sido reconhecidos pelo triunfante conquistador Nabucodonosor. E ali, naquele entorno pagão, Ezequiel recebe um chamamento para ser o porta-voz de Deus.
Ezequiel é ciente da presença de Deus mediante uma visão (1.4-28).
Inicialmente sua atenção fica presa numa grande nuvem brilhante com fogo. Quatro criaturas elaboradamente descritas aparecem, indo de um lado ao outro como o relâmpago numa tempestade. Essas criaturas parecem ter características tanto naturais como sobrenaturais.
Intimamente relacionadas com cada criatura, há uma roda que se move em todo momento. Com o espírito das criaturas nas rodas, a conduta é espetacular mas ordenada. Por meio de asas para cada criatura, se deslocam sob o firmamento. Ezequiel também vê um trono sobre o qual está sentada uma pessoa que tem um parecido com um ser humano, com sua forma rodeada pelo brilho de um arco-íris. Sem explicar ou interpretar todas essas coisas, Ezequiel diz que todas essas manifestações, em aparência, têm parecido com a glória de Deus. ali, num país pagão, longe do templo de Jerusalém, Ezequiel toma consciência da presença de Deus [1]. embora ele caia prostrado diante daquela divina manifestação, Deus lhe ordena que se levante, ao tempo que o Espírito o enche e o capacita para obedecer. Dirigindo-se a ele como "filho do homem", ele é comissionado para ser um mensageiro para seu próprio povo que é desobediente, teimoso e rebelde [2]. A mensagem lhe é entregue em forma simbólica. É-lhe ordenado comer um rolo de lamentações, angústias e dores que em sua boca se troca na doçura do mel.
Avisado por antecipado que o povo não o ouvirá, nem aceitará sua mensagem, é-lhe ordenado que não os tema. ao desaparecer a glória de Deus, o Espírito faz ciente a Ezequiel da realidade literal de que se encontra entre os exilados de Tel-Abibe, perto do rio Quebar. Pasmado por tudo o que tem visto, fica reflexionando sobre todas aquelas coisas, durante sete dias.
Após uma semana de silêncio, Ezequiel é comissionado para ser como uma atalaia para a casa de Israel (3.16-21). Vivendo entre seu povo, fica ciente de sua própria responsabilidade para o que deve adverti-lhes. Se eles perecem apesar de seu aviso, ele não será culpado. Contudo, se falhar em adverti-los e eles perecerem, ele será carregado com o peso do sangue derramado. Sendo um guardião fiel, trata-se de uma questão de vida ou morte.




[1] A presença de Deus com seu povo estava vividamente manifestada em Israel sempre, desde a sua libertação do Egito. Ver Êx 14.19, 20, 24; Nm 10.11-12, 34, etc. Quando Salomão dedicou o templo, a visível presença de Deus numa nuvem foi identificada como a glória de Deus. ver 2 Cr 5.14 e 7.3. Já que Ezequiel era um sacerdote, pôde tê-lo surpreendido achar estas manifestações em um entorno pagão, tão longe do templo.
[2] Esta designação está exclusivamente utilizada por Ezequiel no Antigo Testamento, com exceção de Dn 7.13. Isto aumenta a ênfase de que na presença de Deus, o profeta é humano e meramente um "filho do homem".

Fonte: Samuel J. Schultz - A História de Israel no AT


Pesquisa: Pr.Charles Maciel Vieira



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