terça-feira, 31 de maio de 2016

A CIDADE DE CORINTO NA GRÉCIA - RELIGIÃO E CULTURA - TEOLOGIA


Autores gregos e romanos nos séculos que antecederam o surgimento do Cristianismo referiram-se muitas vezes a Corinto como a cidade da fornicação e da prostituição. Os gregos haviam cunhado o termo corinthiazesthai (literalmente, “viver uma vida coríntia”) para descrever a imoralidade da cidade. Corinto tinha uma dúzia de templos ou mais, dos quais, um, dedicado à deusa do amor, Afrodite, era conhecido na Antigüidade por sua imoralidade. Estrabão escreve sobre a cidade de Corinto em época anterior à sua destruição pelos romanos, em 146 a. C., e registra a presença de mil prostitutas no templo de Afrodite, embora a exatidão dessa afirmação tenha sido questionada por muitos estudiosos.6 Supomos que a cidade de Corinto e seus dois portos, que recebiam uma multidão de navegantes, mercadores e soldados, dificilmente era um lugar para altos padrões morais. As claras exortações de Paulo para fugir da imoralidade (5.1; 6.9; 15-20; 10.8) deixam a nítida impressão de que a promiscuidade não era rara nessa cidade.

Os coríntios também permitiam que muitos grupos religiosos diferentes praticassem sua fé. Além do culto a Afrodite, os coríntios cultuavam Asclépio, Apolo e Posêidon. Havia também vários altares e templos para as divindades gregas Atenas, Hera e Hermes, além de santuários para o culto dos deuses egípcios Ísis e Serapis.

Entre os diversos grupos religiosos presentes em Corinto, incluíam- se os judeus. Os imperadores Júlio César e Tibério haviam dado aos judeus liberdade para praticarem sua religião desde que se abstivessem de atos de rebelião contra o governo romano. O imperador Cláudio, também, havia reeditado esse decreto imperial. Os judeus em Corinto tinham sua própria sinagoga, onde, no início, convidaram Paulo a pregar, mas da qual logo o expulsaram. Lucas narra que os líderes judeus arrastaram Paulo até o tribunal (bhma) do procônsul Gálio e o acusaram de ensinar uma religião contrária à lei (At 18.12,13). Gálio, sabendo da legitimidade da religião judaica, recusou-se a ouvir os judeus porque sua acusação nada tinha que ver com a lei romana. Para ele, o assunto era uma controvérsia religiosa interna, não uma questão civil e, por esse motivo, recusou a acusação.

À vista das várias correntes religiosas existentes em Corinto, a introdução do Cristianismo, vista como uma variante da fé judaica, não era, absolutamente, ofensiva à população em geral. Os gentios coríntios mais facilmente poderiam aceitar a fé cristã do que a religião judaica. Paulo ensinava que os gentios convertidos ao Cristianismo não precisavam se submeter aos rituais da fé judaica, nem mesmo à circuncisão.

Por esse motivo, seus ensinamentos enfureceram os oficiais da sinagoga local, que arrastaram Paulo até a presença de Gálio. Mas depois que perderam sua causa no tribunal do procônsul, Paulo e a igreja continuaram a pregar o evangelho sem medo de que lhes fizessem mal (ver At 18.10). Porque o Senhor tinham muitas pessoas nessa cidade, a igreja continuou a crescer. Ao contrário dos judeus, os cristãos encontravam-se nas casas de membros da igreja - em Corinto, na casa de Tício Justo, que morava ao lado da sinagoga. Os cristãos fundaram igrejas domésticas que, em casas grandes, reuniam no máximo cinqüenta pessoas e, em casas menores, talvez trinta.

Um acontecimento importante na Corinto cosmopolita do século I eram os Jogos do Istmo. Esses jogos eram o segundo em importância - o primeiro lugar pertencia aos Jogos Olímpicos - e eram realizados a cada dois anos, na primavera. Os jogos incluíam corridas, lutas e corrida de bigas (comparar com 9.24-27). Durante seus dezoito meses em Corinto, Paulo deve ter assistido aos Jogos do Istmo na primavera de 51. Supomos que Paulo tenha se ocupado em seu ofício de fabricante de tendas durante esses eventos e, fazendo-se tudo para com todos, proclamava o evangelho da salvação (ver 9.22, 27).



Livro: Comentário do Novo Testamento, Primeira Epístola aos Coríntios - Simon J. Kistemaker - Editora Cultura Cristã

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